Jornal dos Desportos

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Opinio

Milhes da FIFA e outras chances

25 de Abril, 2017
Há dias a Federação Angolana de Futebol (FAF) obteve da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) a garantia de um milhão de dólares de quatro em quatro anos para projectos de desenvolvimento do \"desporo-rei\" nas comunidades: acho que este é já um \"grande trunfo\", a bem do futebol nacional, logrado pelo elenco de Artur Almeida, dirigente que após a sua eleição para o cargo de presidente chegou a dizer não ter uma “varinha mágica” para os problemas do futebol e que, para tal, apresentaria iniciativas várias de curto, médio e longo prazos.

E este apoio particular da FIFA certamente chegou no curto prazo, sinal de que haverá outros grandes financiamentos na rota de concretização de projectos para o futebol nas comunidades suportados por esse valor de um milhão de dólares, de quatro em quatro anos. O sucesso dessa garantia da FIFA, de forma continuada, só dependerá do modo como se fará a gestão. Eu suspeito que os gestores da Federação Angolana de Futebol passaram uma \"palavra de confiança\" à senhora Joyce Cook, enviada da FIFA, em como serão aplicados em projectos de desenvolvimento do futebol.

Pelo menos essa emissária foi clara na espécie de \"aviso\" que deixou no ar, ao sublinhar que o financiamento prometido à FAF visa, só e apenas, contribuir para a materialização de todos os projectos de reestruturação e desenvolvimento da modalidade, desde os escalões de formação, feminino e infra-estruturas nas comunidades. Artur Almeida e pares não poderão assim descaminhar para outros projectos. Ela disse, e vou citar,\"estamos a contar que o financiamento vindo dos programas da FIFA sejam muito bem aplicados\", isto diante não só de Artur Almeida, mas, também, à frente do governador de Luanda, Higino Carneiro, e ao próprio ministro da Juventude e Desportos, Albino da Conceição.

Por esta razão, é de todo justo que deverá haver uma fiscalização, e um destes \"fiscais\", por exemplo, é a parte do eleitorado - personalizados por clubes e associações - que depositaram a Artur Almeida e pares o voto favorável e não apenas o Ministério da Juventude e Desportos ou a Sociedade Civil.

Portanto, a FAF não pode desperdiçar essa confiança e o possível financiamento tal como aconteceu nos consulados dos anteriores elencos para projectos anteriores que engrandeceriam o futebol nacional. Foi o caso do \"projecto Goal\", em 2013, que o próprio anterior líder da FAF, Pedro Neto, chegou a explicar que Angola deixou de beneficiar do projecto de desenvolvimento da FIFA por falta de um espaço para o efeito.

Era uma tentativa de apoio que o País perseguia já desde 2010, mas que, uma vez possível de ser obtido em 2013, não se concretizou por falta de lugar para edificação de campos que, inicialmente, em Luanda, estava identificado no campo do São Paulo, na zona dos Congolenses. Na altura Angola passou, inclusive, a ser dos únicos países de expressão portuguesa que não está(va) abrangido na acção da Federação Internacional da modalidade em relação ao \"projecto Goal\". Há portanto, como se percebe, toda a necessidade de a FAF \"não deixar fugir o pássaro\" nesse programa de assistência financeira canalizado ao desenvolvimento de futebol das comunidades.

Encorajo, mais uma vez, Artur Almeida a segurar todos os benefícios. Evite também o que ocorreu em 2013 quando a Puma, multinacional alemã de equipamentos desportivos, retirou à FAF o apoio de três milhões de dólares. Ou a ainda as empresas Unitel, Unicer - proprietária da cerveja Cristal e a água Caramulo... que a FAF, deixou escapar. Nem abanar a boa vontade para o vinculo com a Empresa Nacional de Seguros de Angola (ENSA).

Já foi bom a Artur Almeida e seus coadjuvantes terem \"herdado\" de Pedro Neto & Companhia o negócio milionário com a ZAP sobre os direitos de transmissão orçado em 5 milhões de dólares de que 4 vão para os clubes e 1 para si. Porque parte deste valor, se \"adicionado\" ao milhão que virá de quatro em quatro anos da FIFA, vai, sim senhor, dar um...\"grande jeito\" aos projectos que tem em carteira.
António Félix

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