Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Militares e petrolferos no jogo de palavras

08 de Agosto, 2017
Na linha de prioridade para a abordagem desta semana, estava a questão dos pontas de lança do nosso futebol, que como se sabe, é uma posição cujos protagonistas mais parecem \"espécie em vias de extinção\", salvaguardando, porém, as excepções no quadro da máxima - toda regra tem excepção.

Como o assunto mesmo não perde actualidade, nada mal que fosse remetido para próximas oportunidades, abrindo-se espaço para abordagem de coisas menos boas que aconteceram nos últimos dias no nosso ordenamento desportivo, sobretudo no futebol, que mais uma vez fez \"ressuscitar o fantasma da batota\", entendida como sinónimo de corrupção.

Fosse apenas isso, nada mais seria que o reeditar de uma velha canção que, de tanto ouvida, torna-se chocha aos ouvidos de quem, como eu, anda nestas coisas de futebol faz tempo, sem conhecer alguma punição aos supostos corruptos que deambulam pelo futebol doméstico.

Entretanto, os assuntos levantados, a forma como chegaram à esfera pública, bem como os promotores dos mesmos, obrigam-me a emitir a minha opinião, que não deve ser entendida para além disso mesmo, consubstanciando a última parte do parágrafo, um pedido expresso.

Em boa verdade, sou contra tudo que ocorreu em relação ao pronunciamento de Zeca Amaral, sobre os \"envelopes na bomba de combustível\", a troca de \"mimos\" entre militares e petrolíferos da capital, bem como o lamaçal em que certos colegas de profissão, jornalistas, foram lançados.

A prior, preferi não dar muito valor aos comunicados de imprensa que \"incendiaram\" a relação, de si já pouco pacífica, entre o Clube Desportivo 1ºde Agosto e o Atlético Petróleos de Luanda, que demonstraram incontida deselegância, ao referirem-se à uma tal falta de verdade desportiva, coisas que ambas equipas sabem bem não ser um elemento desconhecido do nosso desporto.

Instalado que está o conflito entre os rivais, bom seria que não fossem para além das palavras, afinal, no desporto, os adversários são apenas circunstanciais, pelo que deve prevalecer, em nome do fair-play, o conceito de colegas de profissão, bem como a contenção verbal.

Tudo porque, não sei se nestas coisas de acusações de corrupção no futebol angolano, o provérbio segundo o qual \" Jindungo do olho do outro é refresco\" tem alguma serventia, com tudo o que pode ser referenciado por pessoas como Victor Geoveti Barros, Mi Mosquito, só para citar estes!...

Assim sendo, estou para ver nascer o dirigente desportivo angolano que, no alto da sua seriedade, defenda com fundamentos convincentes, que o futebol angolano é um reino sagrado e os seus actores, uma corte angelical, que nunca ouviram sequer falar, das jogadas extra campo, apenas isso.

E por falar neste tipo de jogadas, (extra campo), ante as “bocas” de Zeca Amaral, preocupa-me o silêncio da direcção do clube central das Forças Armadas Angolanas, que pelo menos não se fez ouvir publicamente, sem que isso seja a confirmação de que, \"quem cala consente\".

Se calhar, e se assim for louvamos a atitude, a direcção do clube do Rio Seco está a tratar da questão pelos canais recomendados, evitando gritarias e trocas de palavras potenciadas pelos órgãos de comunicação social, que também não esteve muito bem na fotografia da semana que viu pintar um quadro negro para certos profissionais, acusados de falta de ética e deontologia profissional.

Aproveitamos, portanto, chamar a colação o momento político que o país vive, marcado pela campanha eleitoral, para, da mesma forma que tem sido apelado pelos e para os políticos, a necessária contenção verbal, também o fazemos para os actores das \"dicas\" que motivaram este texto.

A referida é necessária contenção verbal sugere ainda a reflexão profunda na qual devem estar envolvidas todas as forças vivas do despeito angolano, chamadas a contribuírem para o desenvolvimento do desporto angolano de um modo geral que, diga-se de passagem, precisa de discussões melhor que estas que andaram por aí a manchar o nome do desporto angolano.
Carlos Calongo

Últimas Opinies

  • 19 de Março, 2020

    Escaldante Girabola

    O campeonato nacional de futebol da primeira divisão vai dobrando os últimos contornos. A presente edição, amputada face a desqualificação do 1º de Maio de Benguela, abeira-se do seu fim . Entretanto, do ponto de vista classificativo as coisas estão longe de se definirem. No topo, o 1º de Agosto e o Petro travam uma luta sem quartel pelo título.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Cartas dos leitores

    Estamos melhor do que nunca. A pressão é para as pessoas que não têm arroz e feijão para comer. Estamos sem pressão, temos todos bons salários e boas condições de trabalho. Estamos numa situação de privilégio e até ao último jogo tivemos apenas duas derrotas.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Jogos Olmpicos2020

    A suspensão de diferentes competições desportivas a nível mundial em função do coronavírus, já declarada pela OMS-Organização Mundial da Saúde como Pandemia, remete-nos, mais uma vez, a reflectir sobre a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Pelo menos até aqui, o COI-Comité Olímpico Internacional mantém de pé a ideia de realizar o evento nos prazos previstos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    FAF aquece com eleies

    Cá entre nós, o fim do ciclo olímpico, tal com é consabido, obriga, por imperativos legais, por parte das Associações Desportivas, de um modo geral e global, a realização de pleitos eleitorais para a renovação de mandatos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    Cartas dos Leitores

    Acho que o Estado deve velar por essas infra-estruturas.

    Ler mais »

Ver todas »