Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Militares em fim de um ciclo?

27 de Fevereiro, 2020
O Clube Desportivo 1º de Agosto está a atravessar um de seus piores momentos, nos últimos tempos. Em nove pontos possíveis somou, apenas, dois e para agravar ainda mais a situação, os sete pontos perdidos foram diante de adversários de segunda água, ou seja, que não são do seu campeonato.
Sim, os empates diante do Santa Rita, Ferrovia do Huambo, a derrota diante do Caála e a vitória pouco previsível do Petro de Luanda sobre o Santa Rita, em pleno Estádio 4 de Janeiro, constituíram o acender do pavio e consequentemente a explosão do “dinamite na trincheira” dos militares.
Por via desses desaires, o 1º de Agosto vê-se ultrapassado pelo seu principal adversário no Girabola Zap, o Petro de Luanda, que se vencer o jogo que tem em atraso com o Progresso do Sambizanga, cavará um fosso de quatro preciosos pontos entre ambos. A questão que se coloca é: o que se está a passar com os militares? Estão em debandada, ou trata-se, apenas, do fim de um ciclo?
Em situações do género e especialmente quando se trata de um clube com a grandeza do 1º de Agosto, com um orçamento de fazer inveja a muitos clubes de África e não só, o treinador é considerado o principal “suspeito” da situação negativa que se vive, quando na realidade os principais motivos são ignorados, ou até desculpados.
Em minha opinião, é inconcebível pensar que um treinador, como Dragan Jovic, que deu nova personalidade e três títulos ao clube, depois de dez anos de jejum, conduza os seus pupilos ao precipício, pois, além de alta traição seria colocar o pão no gasóleo, como soe dizer-se, até porque os jogadores não alinharam com ele nessa atitude.
Assim, em minha modesta opinião, os militares não estão em debandada. O que pode estar por trás deste mau momento, pode ser o fim de um ciclo de jogadores influentes na manobra da equipa. Não nos podemos esquecer deste ponto, porque se não vejamos:
Nos últimos nove anos, o 1º de Agosto esteve sempre entre os primeiros classificados, especialmente, na época de 2014 e 2015 quando saiu em segundo lugar, com o mesmo número de pontos com o campeão Libolo, o que envolveu muito esforço dos seus principais jogadores, pois, jogaram sempre a alto nível.
Nesse período, os militares contaram de entre outros, com jogadores como Dani Massunguna, Toni Cabaça, Paizo, Isaque, Ibukun, Macaia, Ary Papel, Bwá e um ou outro, cujo nome não me vem à mente. Não nos esqueçamos que as saídas de Gelson, Sohw e Geraldo fragilizaram o conjunto, pois estes, ajudaram bastante na conquista dos últimos campeonatos.
Por outro lado, a vinda de Kila, Mabululu, Leonel Lumbi, a inclusão de Nelson da Luz, Mário, Zito Luvumbo e outros, ainda não está a produzir os efeitos desejados e além disso, a participação consecutiva na fase de grupos da liga dos campeões pode ter produzido um feito negativo aos jogadores nucleares, que por via do tempo de utilidade, estão ou podem estar a ressentir-se fisicamente.
Portanto, isto implica uma reflexão profunda e rápida da situação, para recolocar a equipa no seu devido lugar e voltar a concentrar-se no seu objectivo supremo, para a presente época desportiva: a conquista do penta campeonato. Mas, isto será possível se a direcção do clube não se deixar levar pelo aparente sucesso do Petro de Luanda.
Nesta altura do campeonato, afastar o “comandante das tropas” ou molestar os jogadores, seria o maior erro, ou seja, seria um grande favor que se estaria a fazer ao Petro, que está atento à todas as falhas dos militares, para impedi-los de chegar à quinta conquista de um campeonato nacional, feito que somente eles (os petrolíferos) detêm em Angola, além de estarem há 11 anos sem ganhar um campeonato
Para o Petro de Luanda, mesmo que não ganhem o campeonato, o mais importante é que o 1º de Agosto, também, não ganhe. Por isso, a direcção liderada por Carlos Hendrick terá de ser muito inteligente, para resolver ou seja, para tirar a sua equipa da péssima situação que se encontra.
Isso, só se consegue com uma postura que deixa o adversário atónito, por manter a coesão no seio do clube com discursos saudáveis, que passem por dar um voto de confiança à equipa técnica e aos jogadores. Deve-se passar uma mensagem positiva aos adeptos e não se deixar levar pelo desgaste destes, com relação ao mau momento do clube.
Aliás, como guerrilheiro que foi e é, o General Hendrick sabe muito bem como se dar a reviravolta, em situações de desvantagem no teatro de operações militares. Os jogadores até podem estar cansados, mas não se esqueceram de jogar futebol.
Por outro lado, a melhor arma que têm é a mente e esta, não se lhes pode tirar, embora, possa ser afectada pelos resultados negativos. Mas ela, a mente, pode ser retrabalhada para se conseguir virar o resultado, no “teatro das operações”.
Ainda faltam muitas “batalhas”, para o fim do campeonato. O Petro, ainda pode perder alguns pontos, tal como os militares perderam. Aliás, parece-me que o 1º de Agosto joga mais à vontade, quando está atrás do prejuízo, do que quando tem de manter a vantagem pontual sobre o seu adversário directo. Nada está perdido. Vamos esperar para ver. Augusto Fernandes





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