Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Militares entalados

13 de Março, 2015
Há nove anos sem conquistar um título no Girabola, a direcção militar tem investido muito em termos financeiros e humanos para conseguir atingir o seu objectivo.

Assim, todos os anos o clube do rio seco, que é dos maiores de Angola, quer em termos económicos, títulos (tem nove) e adeptos, aparece sempre como candidato ao título do Girabola.

Portanto, ao longo destes nove anos, a direcção do clube tem estado a trocar quase anualmente de treinadores e jogadores. Só nos últimos três anos, o 1º de Agosto, no mínimo, deve ter contratado três dezenas de jogadores para conseguir chamar a si o titulo ou então resgatar a mística dos anos 80.

Na verdade, os seus adeptos, dirigentes e amigos estão com saudades daquele gigante do futebol nacional do tempo de Napoleão Brandão, Ângelo, Capelô, Lourenço, Tandú, Amândio, Chimalanga, Zeca, Luvambo, Sansão, Barros, Ndunguidi, Alves, Nsuka, Mesquita, Vieira Dias, Julião, Ivo e companhia.

Em nossa opinião, o grande problema do “pri”, como diz o José Kissanga, reside na falha da contratação de jogadores com a qualidade dos referenciados. Porque os militares têm tudo para conquistar títulos: uma direcção dinâmica e inteligente e dinheiro. A questão é acertar na escolha de jogadores realmente valiosos.

Nos três jogos disputados até agora, perdeu por dois a zero contra Académica do Lobito, três a dois contra Bravos do Maquis e por uma bola a zero contra o Kabuscorp, do qual já se está a tornar um cliente habitual. Portanto, sofreu seis golos e marcou dois.

A época passada, os agostinos tiveram o melhor ataque do campeonato mas também sofreram muitos golos. Não precisamos de ser especialistas para ver onde reside o problema dos militares. Além do mais, se repararmos, a vantagem dos actuais “senhores” do Girabola, no caso, o “pequeno grande” Libolo e o Kabuscorp do Palanca, está na qualidade dos jogadores que contratam. Um grande exemplo disso é Meyongue que desde que chegou ao Girabola, há cerca de três ou quatro anos, é simplesmente o melhor marcador.

A derrota diante do Kabuscorp de Palanca pode ter retirado os militares da candidatura ao título do Girabola, pois de certeza absoluta que causou muitos estragos em termos psicológicos aos jogadores, que dificilmente se recuperam. E com falta de ponderação, pode fazer com que a direcção seja também afectada e tome medidas que podem complicar ainda mais a situação: afastar a equipa técnica. Se isto acontecer, a direcção militar comete os mesmos erros de sempre.

Assim, enquanto a direcção do 1º de Agosto não descobrir qual é a verdadeira razão destes desaires que já duram há nove anos, então não vale a pena tocar a trombeta de vitória antes do tempo, nem mexer mais na equipa técnica, porque se não, continuam entalados na trincheira e dificilmente de lá saem. Um clube da grandeza do 1º de Agosto não pode habituar-se a derrotas com esta normalidade, especialmente no início do campeonato.

Portanto, tudo vai depender da direcção liderada por Carlos Hendrik, que já deu mostras de competência desde que assumiu a liderança do clube. No entanto, uma das medidas fundamentais era manter a equipa técnica, contratar jogadores capazes, especialmente no sector recuado, esperar uma ou duas épocas e depois, sim, sair da trincheira para as conquistas que tanto almeja.

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