Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Militares salvam a ptria, Palancas do-nos alegria!

10 de Setembro, 2018
O que o 1º de Agosto fez ao longo deste ano, melhor dito, o que o D´Agosto protagonizou nesta época, quer nas frentes nacionais - aqui, sobretudo no Girabola - e nas internacionais, alegrou não apenas os seus aficionados, os tais adeptos, sócios e dirigentes, estes todos ferrenhos que a esta hora ainda festejam até a rouquidão o título \"arrebatado\" lindamente ontem, são feitos que, também, de um modo geral elevam a nossa própria Pátria!
Dito de outro modo, mesmo que, em termos de emblema, não sejamos da malta do D´Agosto, temos sim senhor, de tirar o chapéu pelo o que a equipa fez aos adversários internos e de fora de portas. O investimento da direcção sobre a equipa valeu a pena!
E então se a festa do título ainda vai satisfatoriamente a rodos, oxalá esta conquista venha oxigenar a missão difícil ( mas não impossível) que para o 1º de Aghosto ainda sobra pela frente. Esta missão chama-se...Afrotaças!
Digamos que, neste particular, a luta continua para os militares. E oxalá também no final venha a ser certa diante de todos os adversários e em todos os jogos. Devemos todos, ao menos, por uma questão de patriotismo e cidadania, puxar pelo 1º de Agosto que voltou a colocar Angola no Top 12 do futebol continental.
Em boa verdade, o 1º de Agosto prestou aqui um serviço útil à Nação: pela sua obra figuramos na fase de grupos e pode fazer com que o País esteja no leque dos 12 países do continente berço com direito a duas equipas para cada competição, nomeadamente Liga dos Clubes Campeões e a Taça da Confederação.
Vou mudar agora de assunto e é o seguinte: ontem os Palancas Negras deram gosto de vê-las em campo a lutar pela vitória que nos faz sorrir, particularmente o Gerson Dala com toda aquela arte de bem jogar à bola.
Na minha opinião a boa vitória de ontem corrigiu o facto de, no ano passado (2017), os Palancas Negras não terem iniciado com o \"pé direito\" a corrida para a fase final da Taça de África das Nações.
Digo isto porque, na primeira jornada do Grupo I referente às eliminatórias, a selecção, então, orientada pelo técnico brasileiro, Beto Bianchi, perdeu, por pesados 3-1, em Ouagadogou, com os Cavalos do Burkina Faso.
A vitória de ontem galvaniza, motiva, revitaliza, porque, como se sabe, depois da fase das eliminatórias ( são 144 jogos que começaram em Março e termino previsto para Novembro de 2018), apenas se qualificarão à fase final os primeiros classificados dos doze grupos, pelo que os Palancas Negras se não arrancaram bem em 2017, agora corrigiram o tiro e querem acertar, para depois não dependerem de terceiros.
A selecção angolana já se revelou eficaz. Só está neste nível porque estava , desde o ano passado, numa situação que a obrigou, agora, a trabalhar e a encarar com seriedade o jogo de ontem e os que se seguirão.
Todos quantos trabalhar na e para a selecção devem aproveitar o bom momento da selecção, a boa disposição dos jogadores. No ano passado, estou recordado, houve vários outros factores, antes e durante o jogo, que resultaram na derrota dos Palancas Negras, sobretudo os de cariz \"desorganizativo\", como a falta de disponibilidade financeira para a realização de um estágio onde defrontariam equipas ou selecções fortes. Só para recordar, durante a preparação em Portugal, o presidente do Conselho Jurisdicional da FAF, Sérgio Raimundo, chegou a dizer que a selecção enfrentou condições deploráveis que, mesmo criticadas pelos jogadores, equipa técnica e dirigentes, não mobilizaram a alta estrutura que superintende o desporto no País, nomeadamente o Ministério da Juventude e Desportos, a acudir a situação aflitiva.
É claro que a situação financeira actual não é boa ainda. Porque o presidente da Federação Angolana de Futebol Pedro Neto, antes do jogo de ontem, isto é meses e dias antes, chegou a desabafara nos termos em que, mais palavras menos palavras... a selecção não é da federação, é do País e está para uma competição em representação da Nação.
Acho que tem razão o dirigente. É preciso que se apoie muito mais este grupo que ontem deu alegria, que se lhe dê o suporte necessário, porque é o nome e a imagem do País que está em jogo.
Será que o Ministério da Juventude e Desportos, depois da vitória de ontem, prestará apoio privilegiado à FAF, para servir a selecção? Deixo no ar esta questão porque, estou recordado que, no ano passado, o então ministro da Juventude e Desportos, Albino da Conceição, em reacção atirou às reclamações da federação, justificou, fundamentou, atirando a \"bola\" para o lado da direcção, no sentido desta reunir meios materiais e verbas possíveis para suportar a campanha dos Palancas Negras, quer nos estágio, quer nos jogos das eliminatórias à fase final.
Fiquei alegre ontem ao ouvir já a actual ministra, Ana Paula Sacramento, a dizer honestamente que \"conseguimos a primeira vitória, tivemos uma casa com público que conseguiu puxar pela selecção e vamos fazer mais para que os nosso jogadores se sentam galvanizados dentro do orçamento que existe\".
Para mim, não fazia sentido a ministra dizer outra coisa. Porque, repito, os recursos são poucos e tem de se atribuir o que é possível. Temos uma Federação Angolana de Futebol e esta deverá fazer, de facto, outros esforços junto de patrocinadores para apoiar a selecção nacional, mas Estado, o Governo, tem grande responsabilidade também..
António Félix

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