Jornal dos Desportos

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Opinio

Militares sem glria no adeus continental

23 de Fevereiro, 2017
Num fim-de-semana desportivo com muitas surpresas, a mais desagradável - para o futebol nacional, claro – estava reservada para o Estádio 11 de Novembro, na capital do país: o afastamento precoce do 1º de Agosto das competições africanas.

Nos primeiros 90 minutos, há uma semana atrás, a equipa do rio seco teve um comportamento meritório no Uganda, saiu do relvado adversário com uma derrota mínima de um golo (0-1). Um resultado que pressupunha grande dose de favoritismo para os militares, porque iam decidir o desfecho da eliminatória em sua casa.

Era um pensamento normal. Bastava vencer por dois golos de diferença, para que os seus adeptos continuassem a sonhar com a possível integração na fase de grupos da Liga dos Campeões, mesmo a saber que na próxima eliminatória tivessem de medir forças com o actual campeão continental em título, e vencedor no sábado, da Supertaça Africana, o Mamelodi Sundowns, da África do Sul.

Afinal, se ao 1º de Agosto bastavam dois golos para vencer a eliminatória, o Kampala City precisava de um tento. E, quando menos se esperava, foi a equipa ugandesa quem fez o que nenhum jogador militar conseguiu, até aí: colocar a bola no fundo da baliza.A reacção da equipa do rio seco foi imediata. Empatou, e depois desempatou. Contudo, os favoráveis 2-1, não foram suficientes para vencer a eliminatória, em função do golo sofrido que favorecia a equipa de Kampala.

Por isso, o tento de Tom Masiko aos 21 minutos, foi apenas a confirmação de uma realidade, por essa altura assumida por todos: o afastamento, uma vez mais, do 1º de Agosto das competições africanas. De nada valeu o desespero com que se atiraram ao ataque, em busca do milagre.

A eliminatória do 1º de Agosto não é novidade para mim, e para muitos que acompanham ao pormenor o desacerto que existe, entre o calendário futebolístico de Angola e dos demais países do Continente. Aliás, este desacerto já fiz referência, no passado dia 12 de Janeiro do corrente ano.
A cada ano que passa, a questão é sempre a mesma: como os representantes angolanos nas provas sob a égide da CAF vão comportar-se nas primeiras eliminatórias, sabendo que vão encontrar adversários com mais jogos nas pernas?

Podemos apontar, várias razões, para a eliminação do 1º de Agosto, como a ausência das suas pedras preciosas, nomeadamente, Gelson e Ary Papel. Mas na minha opinião pessoal, o ritmo competitivo entre as duas equipas foi preponderante. O 1º de Agosto realizava o terceiro jogo oficial da temporada, enquanto o Kampala City lidera o campeonato ugandês, totaliza 32 pontos, ao fim da primeira volta, num campeonato disputado por 16 equipas.

Como senão bastasse, quatro/cinco jogadores do Kampala City integraram a selecção do Uganda que disputou o CAN/2017, recentemente disputado no Gabão. Quer queira quer não, tudo pesou sobremaneira no desempenho das duas equipas, ao longo dos 180 minutos da eliminatória. Quando se analisa o desfasamento entre o início do Girabola e dos demais campeonatos africanos, surge em equação as implicações desportivas, porque os nossos representantes são, normalmente, afastados nas primeiras eliminatórias.

Há excepções, claro, mas temos de nos acautelar, porque é uma questão pertinente e que ao longo dos anos fica sem resposta, com este ou aquele elenco federativo. É importante que se adeque o mais breve possível o início do Girabola, com os restantes campeonatos continentais. E, o actual elenco, dentro das suas obrigações, tem de fazer a reviravolta. Não deve ser tarefa fácil, mas não há alternativa.

O 1º de Agosto regressou, nove anos depois, ao convívio dos grandes do continente africano, na qualidade de campeão nacional, sem glória. A equipa do rio seco ficou uma vez mais pelo caminho.Como em 1999, no jogo da segunda mão da final da Taça CAF, diante do Esperance de Túnis, disputado no Estádio da Cidadela, os militares não aproveitaram o factor casa para deixar pelo caminho o Kampala City.

É tempo de todos assumir as culpas. O afastamento ainda faz morada no rio seco, e nas mentes dos jogadores, mas ninguém se deve esconder: quando se ganha, ganham todos, quando se perde também. É bom que todos assumam as responsabilidades. Nestas alturas, é que se veem os homens.

Não se lamentem as ausências. Gelson e Papel já passaram para a história. Os elementos disponíveis têm valor mais do que suficiente, para colocar o clube na ribalta, como aconteceu na temporada passada. No campo, tem de haver cabeça fria, várias até. A partir daqui, não se pode falhar mais.

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