Jornal dos Desportos

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Opinio

Misso espinhosa

15 de Novembro, 2015
O encontro serviu para tirar ilações, deixa preocupado o seleccionador nacional, Romeu Filemon e todos os angolanos, em relação ao encontro da segunda mão, aprazado para a próxima terça-feira, na pátria de Nelson Mandela. Realisticamente, vencer por 1-3 para empatar a eliminatória ou por 0-4, no reduto do adversário, é uma tarefa que se apresenta difícil para os angolanos, quase impossível.

É de convir, que perder em casa diante do seu público, é algo que há muito não sucedia no meio futebolístico nacional, no que diz respeito às competições organizadas pela Confederação Africana de Futebol (CAF), quer a nível de clubes como de selecções nacionais.

Para além de comprometer seriamente a possibilidade de continuar em prova, a derrota em Benguela, belisca a fase positiva que os Palancas Negras tinham encetado nos últimos tempos.

De forma natural, fica difícil entender o que aconteceu aos atletas angolanos, fundamentalmente, no primeiro tempo. Mais do que receio dos sul-africanos, que transpareceu em grande parte do encontro, onde encontravam dificuldades em desenvolver jogadas que envolviam os sectores defensivo, intermediário e atacante, com alguns jogadores a não conseguirem efectuar os passes, assim como as dobras ou compensações, ficou patente que a equipa angolana vai ter sérias dificuldades em continuar nesta competição.

Como reza o adágio popular, “quem anda à chuva molha-se”, quem participa em competições do género, não pode cair dessa forma, de tal sorte que até já existem pessoas que são de opinião, sem medirem as consequências posteriores, que é preferível Angola perder o jogo da segunda mão por “falta de comparência”.

É ponto assente, que a derrota de 1-3, diante do seu público, os pupilos de Romeu Filemon, não estiveram melhor do que o seu opositor na primeira parte da eliminatória em questão. Estiveram pior, porque face a um conjunto de factores, tinham a obrigação de um desempenho mais positivo, como forma de alcançar um resultado que lhes permitisse encararem o jogo da segunda mão com alguma tranquilidade, tendo em conta as situações extra-jogo, a favor dos anfitriões, que geralmente acontecem em ocasiões idênticas, um pouco por toda a África.

Partindo do princípios, que entre a intenção e a realidade, separa uma diferença relativamente grande, no confronto da segunda mão, os Palancas Negras não são favoritos ao triunfo, e nem tão pouco a passagem à fase seguinte, porque, é preciso reconhecer que são inferiores ao seu adversário, não obstante reconhecer-se que em futebol tudo é possível, como por exemplo, uma selecção angolana sem estrutura competitiva e psicológica, chegar à fase de grupos africanos para à fase final do Mundial-2016.

Para além de se situarem em superior posição, no ranking da CAF, os sul-africanos possuem um conjunto melhor estruturado em termos colectivos e individuais, para além de contarem com o factor casa.

Em nossa opinião, esses são, de entre outros, alguns factores que colocam os Bafana Bafana como opositor mais completo do que os Palancas Negras, pelo que uma derrota dos angolanos, não é de estranhar.

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