Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Misso difcil mas no impossvel

13 de Setembro, 2018
O 1º de Agosto, nosso representante na Liga dos Campeões Africanos, tem a soberana oportunidade de fazer história a nível do futebol africano, a partir de amanhã dia 14 de Setembro, diante dos Congoleses Democráticos do TP Mazembe.
Com cinco títulos continentais, os Congoleses Democráticos, fazem parte do naipe das equipas mais tituladas de África, ao lado do Al Ahly do Egipto, que comanda o ranking com oito troféus arrebatados.
Portanto, estamos diante de um gigante do futebol africano e por isso, com responsabilidades acrescidas. O TP Mazembe ganhou a sua primeira taça africana em 1967, voltou a fazê-lo, no ano seguinte. Em 2009 e 2010, o cobiçado troféu voltou para a sua galeria e a última vez que ergueu a taça, foi em 2015.
O Tout Puissant ( todo poderoso ) Mazembe, também conhecido como Les Corbeaux ( os Corvos ), é a primeira equipa africana a disputar uma final do Mundial de Clubes da FIFA, em 2010, tendo perdido para o Internazzional, por 3-0.
Com jogadores com a média de 25 anos de idade, 1,79 m de altura e 74 kgs, o TP Mazembé é das principais equipas da RDC, com grande poder económico. Além disso, a sua direcção é muito forte no jogo extra-campo, que faz dela uma equipa muito temida no continente.
Diante da grandeza do TP Mazembe, o que os militares do 1º de Agosto devem fazer, para contrapôr? Em minha modesta opinião, se o D’Agosto quiser passar pelos Corvos de Lubumbashi, vai ter de apostar na lei do “ perdido por um, perdido por mil”.
Isso, implica dizer que os militares devem preparar com todo o cuidado a principal arma: a mente. Ao invés de se preocuparem com a grandeza do adversário, em termos de ranking em África, devem vê-los como humanos comuns que podem muito bem ser derrotados e não como super-homens.
Ao longo do Mundial da Rússia, vimos como o factor psicológico é determinante , para as chamadas equipas pequenas vergarem as grandes. Com uma atitude mental forte, a Coreia “expulsou” a Alemanha do mundial, que era, simplesmente, a campeã em título.
O Japão só não eliminou a Bélgica, porque não acreditou no que estava a acontecer, permitiu a reviravolta espectacular dos belgas. A Nigéria, só não venceu a Argentina, porque o Vídeo -árbitro não permitiu.
Em 1980, na sua primeira participação na Liga dos Campeões, o 1º de Agosto com jogadores como Ângelo Silva, Lourenço, Zeca, Amândio, Ndunguidi, Alves, Agostinho, Mateus César e outros, num espírito combativo de perdido por um, perdido por mil, obrigou o então todo poderoso Canon de Yaoundé a aplicar-se a fundo, para elimina-los.
Com o mesmo espírito combativo, em 1983, o Petro de Luanda só não passou pelo Canon de Yaoundé, em pleno Estádio Ahmadou -Ahdjo, depois de ter empatado em Luanda a zero e estar empatado a duas bolas nos Camarões, porque o tristemente célebre árbitro da então República do Zaire, Félix Mbaya, impediu, por fabricar um pénalti que só ele viu.
Em 2001, os Petrolíferos, cilindraram o então considerado todo poderoso Al Ahly do Egipto, em pleno Cairo, por 4-2, e chegaram as meias finais da Liga dos campeões. Tudo só foi possível, porque a equipa preparou a sua principal arma: a mente.
Assim, podemos dizer que o 1º de Agosto depende única e exclusivamente de si, para fazer historia em África. Não importa o nome e o peso do adversário. Outro pormenor que não pode passar despercebido, pela direcção dos militares, é o jogo extra campo ou seja os “Loobies”.
Estamos cansados de ouvir as nossas equipas choramingar, quando são eliminadas, a acusar os adversários de recorrerem ao jogo extra-campo, quando afinal de contas tal atitude faz parte do jogo. O mais importante, no jogo extra-campo, não é recorrer ao “gasosismo” para ser facilitado, mas atento ao adversário para não enveredar com sucesso por esse caminho. Sim, implica ficar atento às manobras maquiavélicas do adversário.
Outro pormenor, que preocupa o 1º de Agosto, é o facto das equipas da RDC se sentirem em casa quando jogam em Luanda, devido à grande massa de população oriunda daquele país irmão. Mas isso, não precisa de ser problema, pois, o campo é nosso e quem faz e comercializa os bilhetes, também somos nós.
Não há, pois, porque temer quanto à grande massa de Congoleses Democráticos. Temos visto, que nos jogos entre Real Madrid, Barcelona e vice versa, as direcções das equipas conseguem colocar 90 por cento dos bilhetes, nas mãos dos seus adeptos. Porque não fazer o mesmo ? Nem que se ofereçam os bilhetes.
De resto, fica por conta da direcção do clube criar as condições, que levantem o moral da tropa. Isso, não será possível com leite moça, fruta em calda e outros produtos sem valor. Tem de haver motivação de verdade.
Augusto Fernandes

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