Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Misso: Dignificar o nosso futebol

11 de Maio, 2017
A seleção nacional de sub 17 em futebol, vulgo Palanquinhas, deixa hoje o país com destino ao Gabão, palco darealização do CAN da categoria. Vinte anos depois o nosso futebol jovem regressa a uma fase final do Can.

O jejum de cerca de vinte anos sem participar em uma fase do Can da categoria é um claro indicativo de que o nosso futebol esteve muito mal nos últimos anos. Não é por acaso que no Ranking da Fifa, Angola ocupa a posição numero 144, acima de seleções frágeis como Sudão do Sul, Lesoto, Honk Kong, Belize e outras.

Na qualidade de viveiros da seleção ”A”, espera-se que neste torneio que terá lugar no Gabão de 14 a 28 de Maio de 2017, os nossos rapazes consigam dignificar o futebol nacional com um nível de qualidade. Pelo que vimos ao longo da sua preparação os Palanquinhas estão em condições de fazer uma boa figura ao longo deste Campeonato Africano, pois a qualidade técnica dos nossos jogadores dá-nos margens para acreditar neles.

É verdade que fisicamente a nossa equipa deixa muito a desejar em comparação com jogadores do Mali, Camarões, Costa do Marfim e outras seleções cotadas de Africa. Mas mesmo assim podemos acreditar que os nossos putos podem fazer um excelente campeonato.

Entretanto é importante frisar que os bons resultados não vêm do nada. É necessário dar todo o apoio a equipa porque só se pode colher bons frutos quando se faz e cuida-se bem da plantação. O facto de se tratar de uma seleção sub 17, não retira o grau de responsabilidade dos jogadores. Eles estão ai em nome do pais e tudo devem fazer para o representarem condignamente. Trata-se de uma seleção nacional e por isso devem ser tratados com todas as honras assim como acontece com a selecção principal quando está em ação.

Isto implica dizer que a Federação Angolana de futebol tem a missão de criar as condições para que na hora da verdade, nada falte aos nossos rapazes, assim como acontece com selecções como a dos Camarões, Nigéria, Gana e outras bem cotadas a nível do continente. Por outro lado a família do futebol nacional deve estar preparada para o pior, pois trata-se da primeira experiência internacional a doer para os nossos miúdos e nestas ocasiões, tudo pode acontecer.

O facto de estarem presentes na fase final de um Can é motivo de muito regozijo para os nossos jogadores e temos motivos para acreditar neles pois jogadores como o Melo Dala, Mivo, Tombé e outros dão-nos garantias de que podem fazer excelentes exibições.

É importante que esta selecção seja muito bem apoiada pois trata-se de futuros jogadores dos Palancas Negras que precisam ser resgatados da cova onde se encontraram ou seja da vergonhosa posição número 144. Se forem bem apoiados, deste lote de jogadores poderão surgir estrelas como Ndunguidi, Arménio, Vicy, Jesus, Garcia, Dinis, Salviano, Santinho, Praia, Akwá, Flávio e tantos outros nomes que nos deram muitas alegrias. Assim sendo, podemos acreditar que Artur Almeida e seus pares já preparam as condições para que os nossos rapazes representem condignamente o nosso futebol. Se ainda não o fizeram ainda vão a tempo de o fazer.

Em 1997, no Botswana a nossa seleção ocupou a última posição do seu grupo com apenas um ponto. Agora em 2017 queremos melhor. Vamos começar com o Níger (que ocupa a posição 131 no Ranking da Fifa) no dia 15 de Maio e podemos contar com uma vitória. De resto esperamos que Simão Coxe e seus pupilos façam um bom campeonato e consigam dignificar o futebol angolano que há muito anda vulgarizado a nível do continente e não só. Força Palanquinhas!
Augusto Fernandes

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