Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Momento definidor

18 de Abril, 2019
À hora em que lê, véspera do sorteio do CAN do Egipto, a exaltação é para a nossa reaparição, nas vestes dos Palancas Negras. Conseguimos. Sim, conseguimos refazer uma equipa, uma manta de retalhos, saídos quase incólumes da fase atribulada que marcou 2016-2017, para aA FAF tem já definidas coordenadas de voo para a rota dos “Palancas Negras”, até ao arranque do CAN, em 14 de Junho. Resta saber se obterá toda a autonomia necessária, para esse voo...
Eu ia caindo da cadeira quando soube que um jogo de controlo, entre equipas a sério, não fica em menos de 25 mil euros (normas e árbitros FIFA, asseguramento, fora o aluguer do terreno e eventualmente água e energia consumidas. Eu até já devia estar habituado, pois, o custo que pediam para se usar o “11 de Novembro” era de 25 mil dólares ou equivalente.
Acredito que o Executivo esteja a olhar para o CAN do Egipto como uma feliz coincidência e imperdível oportunidade para mostrar – e provar – uma Angola sempre a subir, depois disso até há pouco ser propaganda, e doravante dever ser hino.
O paradoxo do futebol é este: num país com a conjuntura cultural de Angola, parece ser o único desporto comum a todos os gostos independentemente da latitude, grupo étnico ou longitude. Assim sendo estão francamente reunidas as motivações mais nacionais para dar-se à selecção de todos, não a costumeira ração de combate, mas a devida preparação de quem terá aspirações, carregando ao peito o emblema nacional que representa o orgulho de um povo capaz, porém condicionado.
Sim, entre várias condições, que nos afastam da média africana, realça-se a nutrição e dieta diária dos atletas, a partir da tenra idade, como um dos factores mais determinantes, atleticamente, entre nós e eles; a partir dali, as nossas médias de altura e peso deixam a desejar e nos aspectos do jogo, vêm acima tais diferenças. No entanto, o regime de estágio ideal poderá atenuar essas diferenças e assegurar por um período, ainda que curto, um combinado competitivo na fase de grupos.
Como soe dizer-se, nomes apenas, não jogam!
Os grandes e favoritos vão precisar de estar bem para suplantar a oposição, mas também esta deve ir preparada para se bater com toda a galhardia. No caso de Angola, galhardia também não é tudo quanto vamos precisar, pois, o combinado actual é uma obra em progressão e que não vai a meio sequer. Por assim dizer, o CAN chega em boa hora para voltar a impulsiona o futebol angolano em África, porém os “Palancas Negras” estão ainda em reconstrução.
As chegadas ao plantel, gradualmente, de Bastos, Clington da Mata, Freddy e Wilson, engrossando o naipe de internacionais com os agora decanos da selecção, Djalma e Mateus, abrem perspectivas que entusiasmam, consabido que Gelson e Geraldo virão finalmente com ar de quem dispõe de carga para voltar a dar disparo e golos, ao ataque dos “Palancas Negras”. Porém, estas conjecturas só hão-de resultar se, no seu todo, a preparação for condizente.
Por preparação condizente entendo montar um ‘training camp’ (centro de estágio) na semelhança climática do destino final, Port Said, no Suez. Quando jogaram a cartada decisiva em Francistown, no Botswana, os angolanos ressentiram-se não apenas da altitude, mas também do calor (máxima de 37º).
A final da Copa das Nações Africanas de 2019 (AFCON na sua designação oficial; CAN em francês, espanhol e português), que será realizada no Egipto, estava marcada para 15 de Junho a 13 de Julho. A CAF reformulou as datas do torneio, que começará agora uma semana após o plano inicial. Isso virá favorecer a todos, dando mais tempo de preparo, após o desfecho das ligas nacionais. O tempo terá relativa mudança, entretanto.
Em Port Said, onde simplesmente não choverá durante a competição (0.0 mm), as temperaturas mínimas irão de 23 graus, a 25, durante o torneio; e as máximas, de 28 graus, em Junho, a 30, em Julho. Já a humidade no ar será elevada, indo de 72%, a 73, ao longo do CAN. Não chove, porém, torna o ar pesado. O vento vai soprar em Port Said invariavelmente a 18 km/hora e deve ajudar tecnicamente, para não ralentar a circulação de bola. No entanto, o órgão regulador do futebol continental não dá motivos para a mudança, que fará com que o CAN comece no dia 21 de Junho e termine em 19 de Julho.
Alguns despachos e relatórios sugerem que o calendário foi alterado para permitir que alguns jogadores se recuperem do jejum do Ramadão, que dura um mês e só se come uma vez, após o sol se pôr; até engolir saliva será pecado...). \"A decisão foi tomada depois de pedidos do Marrocos, Tunísia e Argélia, que queriam que os seus jogadores tivessem tempo de descansar depois do Ramadão\", afirmou o Director do torneio e antigo internacional dos ‘Faraós’ do Egito, Mohamed Fadl, citado pela BBC.
Ou seja, faltam exactamente dois meses, ou sejam, seis semanas e meia, para afinar a máquina, mas, primeiro, é preciso criar as condições, porém, ainda não se conhece nenhum pronunciamento, nem da federação, nem do ministério, nem do favoritismo que o futebol mantém no Palácio, relativamente à história do país.
Recordo quando fora prometido à FAF ganhar em casa, para se subsidiar o voo para Nouakchott, a seguir; íamos ainda a meio da façanha – sim, façanha, e mantenhamos ambos os pés bem assentes ainda – e as promessas fizeram-se cumprir, de parte a parte. Os “Palancas Negras” mal deram, logo receberam o prometido. E isso foi-se mantendo, até irem cem pessoas a Francisville com forte empenho federativo, mas também o encosto do Executivo.

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