Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Mortes em campo e documentos falsos

12 de Agosto, 2019
Não pretendo meter a foice em seara alheia como se diz, sobretudo por ser uma questão de foro médico, mas quero aqui confessar que perdi-me para o espanto quando há dias uma médica, ao falar para uma das nossas rádios, \"abriu o livro\", embora sem citar nomes do clube e dos respectivos jogadores, que certa vez, ao realizar exames médicos, constatou que cinquenta por cento dos jogadores da equipa eram hipertensos. Isto é, metade da equipa. O relatório que enviou à direcção do clube ditou a dispensa de muitos jogadores, decisão que a reconfortou, porque evitou que um dia muitos deles caíssem em campo. Essa médica falava na sequência da polémica em tono da recente morte (em jogo de rua) do ex-avançado Fundo Martins, por problema cardíaco, facto que depois levou a Federação Angolana Futebol (FAF) a dizer que vai notificar o FC Bravos do Maquis, para averiguação, com base em resultados de testes médicos qual era o real estado de saúde do jogador. O certo é que, até hoje, o presidente do conselho de disciplina da FAF, José Carlos Miguel, ainda não veio a terreiro adiantar se há já \"inquérito\" com o resultado, o que a não acontecer, mais uma vez, fará com que a culpa morrerá solteira, mesmo porque tragédias do género, entre nós, não é coisa nova. A FAF promete coisas que jamais as trouxe à baila em verdade. Isto não é mentira! Aliás, se não for exigir aqui demais, nada repugna que a Federação Angolana de Futebol, agora que o Girabola está prestes a mais um \"pontapé de saída\", revele que clubes estão em dia nestas coisas de boa saúde dos seus jogadores . Ainda não olvidei aquele dia - creio que de um mês do ano de 2015 - em que o antigo presidente da Federação Angolana de Futebol, Pedro Neto, para toda a tribo do nosso futebol ouvir - ao reagir à queda de Gilberto, caído no Estádio dos Coqueiros, num jogo entre o Benfica de Luanda e o Progresso do Sambizanga - intimou todos os clubes à imperiosa necessidade de criarem todas as condições médicas na pré-época e de primeiros socorros durante os jogos. Esta questão, de facto, é muito séria e é recordada na página 7 deste jornal, onde o coordenador do Sindicato dos Jogadores Angolanos, Igor Nascimento, diz que \" queremos chamar atenção também aos clubes, APFs, a Federação Angolana de Futebol (FAF) e os médicos, que validem a participação dos jogadores nos nossos campeonatos. É importante que haja mais rigor nos exames médicos que efectuam no início de época. Na época passada, perdemos também um jogador do Sagrada Esperança da Lunda Norte em pleno treino\". O Girabola, já agora, está para arrancar e eu pergunto: todos os jogadores das equipas participantes estão bem? Se sim, ainda assim, todos os clubes que jogarem fora e em casa, têm equipamentos de primeiros socorros obrigatório? A Federação Angolana de Futebol deve lutar para que os clubes tenham capacidade para se organizarem neste sentido. Devem investir na técnica de saúde e não apenas na compra de jogadores. Hoje já existe equipamentos utilizados para reanimação de uma vítima com parada respiratória. Não pode apenas a Federação Angolana de Futebol reagir em momentos de grandes sustos que tomam conta dos jogadores, treinadores, dirigentes , adeptos das equipas e do público, ao verem estatelados no relvado os jogadores. Repito: agora que o campeonato está para arrancar, será muito bom avaliar e certificar-se da saúde de todos os jogadores. Mudando de assunto, agora que o Girabola vai começar, aproveito este espaço para levantar outra questão: a Federação Angolana de Futebol certificou a autenticidade da identidade de todos os jogadores das equipas? Este pergunta não é especulativa. Porque foi a própria Federação Angolana de Futebol, que publicamente anunciou que informaria e denunciaria jogadores estrangeiros de equipas do Girabola, com falsos documentos de identidade angolana.
António Felix

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