Jornal dos Desportos

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Opinio

Mrito do 1 de Agosto azar do 4 de Abril

08 de Novembro, 2016
Com o título entregue à equipa do 1º de Agosto, a última jornada do Girabola ZAP foi disputada sob o símbolo da incerteza em relação à terceira equipa que fosse acompanhar o Porcelana do Cuanza Norte e o 1º de Maio de Benguela, antecipadamente despromovidos para a segunda divisão.

O azar bateu à porta da equipa do 4 de Abril, do Cuando Cubango, que curiosamente disputou a primeira edição do Girabola e era orientada tecnicamente por João Machado, o mais antigo dos treinadores no activo, que lhe vale o adjectivo de decano dos profissionais de futebol.

Das “gargantas” do Atlético Sport Aviação e Académica Petróleos do Lobito soltaram os suspiros de manutenção, que permitem ao Girabola ter a equipa do aeroporto como uma das duas totalistas da maior prova do futebol angolano, à par do clube central das Forças Armadas Angolanas, tal como a continuidade da festa da bola na tradicional província de Benguela.

As coisas atrás citadas, já podem ser consideradas lousas de museu do Girabola que neste ano de 2016 foi disputado com a chancela da ZAP, que trouxe valências consideráveis que devem ser saudadas por todos os amantes do desporto, apesar do que ainda se espera ver melhorado para o bem colectivo.

Existem outras tantas coisas, lousas e marcas relacionadas com a competição cujas cortinas encerraram no domingo, que consagraram o 1º de Agosto vencedor da primeira edição do Girabola, oficialmente patrocinado por uma empresa privada que desembolsou qualquer coisa como meia dezena de milhões de dólares americanos, ou seja, 5 milhões de dólares.

Mais do que conquistar o campeonato, o 1º de Agosto demonstrou que a inversão do quadro sombrio que o futebol apresenta , está na formação de onde saíram talentos como Gelson, Ary Papel, Gogoró, Nelson, Carlinhos, Erenilson, Eddie Afonso e tantos outros “putos”, que foram o gáudio deste Girabola.

E, por falar em putos, também fica para o registo o facto de Gelson ser o mais novo a bater uma série de recordes, no que tange aos melhores marcadores da história do Futebol angolano, deixa apenas intacto o de Carlos Alves, que por conseguinte, é o maior de todos os tempos.
Impressionante é também a safra de golos produzidos pela dupla de atacantes do 1º de Agosto, que supera a globalidade dos golos de várias equipas, o que reflecte a capacidade concretizadora dos referidos rapazes, que já são uma aposta ganha da formação no clube do RI-20.

Merece também referência o facto de serem as últimas jornadas as menos problemáticas em relação ao desempenho dos homens do apito, que verdade seja dita, foram das coisas mais faladas pela negativa em determinado momento da prova, mas sem que isso deslustrasse por completo a festa.

E, em tudo isso, o que se pode dizer em relação à Federação Angolana de Futebol, reitora da modalidade, há muito chamuscada em função das situações menos boas que corroem o futebol angolano, com repercussão na Selecção Nacional que faz tempo, deixou de dar gosto!
Em boa verdade, deve reflectir-se sobre o assunto, e a melhor altura não é senão esta, em que decorrem os preparativos para a Assembleia Geral da FAF que deve culminar com a eleição de um novo presidente de direcção, cargo para o qual concorrem Artur Almeida e José Luís Prata, pelo menos estes, até à altura da elaboração deste texto.

E, se tivermos de ser unânimes do que se espera da FAF, não devemos estar errados se defendermos a devolução da alegria que os Palancas Negras já nos proporcionaram no tempo da outra senhora, noves fora a profissionalização dos serviços da Federação, bem como a limpeza de toda sujeira que graça no futebol local, pelo menos isto, sobre o qual mais não digo, para não ofuscar a festa que ainda continua no Rio Seco.

Carlos Calongo

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