Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Mudar de assunto para no chorar

04 de Julho, 2017
Preferia mudar de assunto para não chorar, mas, enfim: quem anda por aí a sentenciar que se trata do primeiro fracasso de Beto Bianchi, quando sabemos que é apenas um seleccionador para remediar? Ha “makas” sérias no nosso futebol. E se fosse mentira o técnico Mário Calado não falaria de “boca cheia” como falou na entrevista de hoje. Mentira ou verdade?

Eu confesso que ao redor do que muitos consideram o primeiro fracasso do técnico hispano -brasileiro à frente dos Palancas Negras, desta feita, na Taça Cosafa pouco tenho a dizer. Para mim é mais um treinador para remediar, porque a nossa selecção há muito tempo voltou aos fracassos que protagonizava, até antes do técnico Oliveira Gonçalves tê-la nas mãos. Os que o seguiram, diga-se, não o superaram ainda nos feitos e não vai acontecer tão cedo.

Já parece um \"filme de terror\" de longa metragem estar anos a fio a assistir ao paupérrimo desempenho da selecção, que na verdade é a nossa selecção, essa selecção de um país (Angola) que já içou a bandeira num Mundial, mas hoje, tristemente, a soçobrar diante de selecções de pequena monta como se viu agora na COSAFA, e que a meu ver, não vai melhorar no CHAN e no CAN que vêm a seguir.

Certa vez, em 2008, deixem-me lembrar isto, quando o estimado professor Oliveira Gonçalves embarcava para Portugal em estágio, que ia levar a selecção para a Taça das Nações de África, que disputaria no Ghana, disse o seguinte: “Apesar de termos iniciado já a pagar a dívida com as participações nos dois últimos campeonatos africanos e no Mundial da Alemanha, ainda assim, julgo que resta muito por fazer”.

Oliveira Gonçalves teve razão, porque deste então até agora, o muito que tinha de se fazer para termos uma selecção capaz, quase vê-se....nada! Quase que não se vislumbra mesmo a obra, só fracassos atrás de fracassos e é por isso que quero ver também aonde vai chegar Beto Bianchi.Portanto, no seguimento de mais este fracasso de Angola na Taça Cosafa, as reacções foram várias outra vez e suscitam acalorados \"debates\" no \"inner circle\" do nosso futebol.

O objectivo de tudo, como se diz na gíria,é colocar em pratos limpos o que mais uma vez ditou o fracasso; se foram razões técnicas, desportivas, se logísticas, organizativas ou disciplinares, se, enfim, por falta de mando!

Cada um de nós - jornalistas, técnicos, dirigentes, adeptos - debitou a sua opinião. Os culpados de tudo, preferem tecer justificações aos ziguezagues, evitam admitir abertamente o fracasso.

Muitos, quando vencem eleições ficam sob o apertado certo da vigilância dos vencidos, um pouco como se passa na alta política: quem perde eleições gerais remete-se à oposição. Acompanha e anota os erros de governação para atacar na hora certa. No momento actual, os dedos estão apontados para a equipa da Federação, liderada por Artur Almeida?

Não sei se Artur Almeida é gestor avesso às boas sugestões; se faz ouvidos de mercador. Mas está a sua gestão a ser contestada, no bom sentido, por figuras que trabalharam no ABC do nosso futebol nacional; figuras que conhecem o ADN do futebol angolano e é na verdade uma oportunidade para Artur Almeida reflectir.

Por tudo isto, o que se espera é que os Palancas Negras beneficiem de muitos apoios. Como por exemplo jogos particulares, sobretudo, os da data FIFA, para consistência, altos padrões de competitividade, e deixar de lado os fracassos.

Já estiveram à frente dos Palancas mais de 30 treinadores. Beto Bianchi é mais um. Se falhar em todas as missões, não arca com as culpas porque sabemos todos como foi chamado a estar no comanda. Quem não sabe?
ANTÓNIO FÉLIX

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