Jornal dos Desportos

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Opinio

Mundial de futebol da nossa paixo

28 de Abril, 2018
O mundial de futebol está a portas. Será já em Junho do corrente ano que abrem as comportas da mítica Rússia para albergar uma das maiores manifestações desportivas do mundo, depois dos Jogos Olímpicos. Na verdade, o futebol é um caso à parte. Um verdadeiro fenómeno em toda sua dimensão. No ponto de vista social, económico, financeiro e, em muitos casos até no ponto de vista político.
A idiossincrasia dos povos têm a sua génese no futebol. O futebol, em quase todo mundo, é a modalidade que arrasta multidões e inflama paixões. A FIFA, órgão reitor do futebol no mundo, a cada edição capricha na organização das fases finais dos campeonatos do mundo, trazendo inovações profundas que concorrem e conferem mais sal e pimenta a uma festa incomparável quer dentro como fora do campo.
Desde as primeiras edições, nos anos de 1930 que a FIFA procura os melhores caminhos para a evolução do futebol que, de resto são visíveis. Ao longo dos anos, vários foram os verdadeiros craques que o futebol mundial revelou. Pelé, Boby Charlton, Puskas, Eusébio, Rivelino, Garrincha, Mário Kempes, Maradona, Paolo Rossi, Marco Van Basten, Rudy Gulit, Franck Rikjard, Henry, enfim até chegar aos craques do nosso tempo, como Cristiano Ronaldo, Leonel Messi, Mohamed Salah, Neymar, Kilian Mbapé, entre outros, que se prestam a entrar em cena.
E é isso que realmente está em causa porque todo este movimento mexe também o mundo em si. Cá entre nós, por exemplo, tem havido todavia pouca divulgação do campeonato do mundo de futebol que acontece já dentro de sensivelmente mês e meio. Fala-se pouco, convenhamos.
Ao contrário do que acontecia em outros tempos, hoje por hoje a \"divulgação e propaganda\" é fraca. Pouco se ouve e, concomitantemente pouca publicidade se vê para estimular as vontades e criar as apetências que se impõem. Noves fora as cadeias televisivas estrangeiras, nomeadamente as plataformas DSTV que ainda vão fazendo algum alarido positivo em relação ao evento que contagia os amantes do futebol local. Mas, nas nossas estações de rádio e de televisão e mesmo na imprensa escrita, pouco ou nada se vê. Pouco ou nada se sente. Pouco ou nada se ouve. Há que se fazer maior divulgação.
O que se impõe, nesta altura é sem dúvidas capitalizar todas as atenções em todas as nuances que encerram a prova, desde os caminhos da sua organização, sorteio, infra-estruturas, bilhética, acreditações para jornalistas, etc. Interessa ao adepto comum conhecer todo esse movimento e, depois, juntar à isso, a preparação das equipas intervenientes, com particular destaque as do continente africano.
Os grupos, as possibilidades, os candidatos, enfim as estrelas, o desempenho dos atletas nos campeonatos em que evoluem. Para além disso tudo, há e deve haver o tal marketing, a promoção efectiva da prova nos círculos mais restritos mesmo sem a nossa selecção estar presente. A febre promocional deve imperar para que sintamos o fulgor do futebol. A força do futebol. Para isso, os nossos órgãos de comunicação social, deveriam apostar fortemente nesta vertente pois para além do objecto de exaltação do futebol, estará o efeito multiplicador que isso provoca.
Os resultados, geralmente são benéficos. Provoca que mais pessoas se apaixonem pelo futebol. Provoca que mais jovens enveredem pela prática activa do futebol e proporciona que muitos saiam dos maus caminhos para comportamentos aceitáveis.
O futebol tem esse condão. A emanação do futebol tem muito que se lhe diga se for levado a sério e de forma estruturada. Impõe-se que se pense no futebol.
Os frutos de certeza que são colhidos no \"day after\" ao mundial de futebol com toda sua influência positiva e beneficência para o país que organiza e acolhe.Pelos vistos, a Rússia, país anfitrião, tem feito bem o seu papel mas, como cá entre nós é pouco visível, ninguém nota nem sente, toda essa engenharia montada que concorre para que o Mundial de Futebol seja um êxito total quer dentro, como fora do campo.
Outro aspecto que poderia espevitar alguns agentes da indústria do marketing desportivo seria e é a venda de \"merchandising\" oficial no sentido de capitalizar atenções e criar as empatias e simpatias de aproximação, com identificação com o grande evento. Sei que alguns angolanos, ainda com possibilidades, se darão ao luxo de ir à Rússia, assistir, ao vivo e a cores alguns jogos. Não tanto como no tempo das \"vacas gordas\" mas, mesmo assim, alguns com dinheiro escondido no baú, de certeza que irão à \"terra prometida\", para ver Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Salah, e outros a evoluir, afinal, se trata da maior tribuna do futebol mundial.
Ainda que, como é consabido, os atletas que evoluem nos campeonatos europeus, chegarem de certo modo estafados e cansados, devido o esforço a que são submetidos durante a época, a exuberância e sucesso da prova estão garantidas. Precisa só de ser mais divulgada. Precisa de ser mais falada. Precisa de ser mais publicitada pelos nossos órgãos de comunicação social.
Será gratificante termos um Mundial sem mácula. Sem muitos casos de arbitragem. Aqui abro um parêntesis recto para sustentar que a nossa representatividade se fará sentir por meio de Jerson Emiliano dos Santos, Árbitro Assistente Angolano que, será o principal responsável para que a nossa Bandeira desfralde nos mastros dos estádios que acolherão os jogos. Tudo quanto queremos é que, Emiliano se sai de facto bem e honre verdadeiramente o País.
A Pátria que o viu nascer. Paradoxalmente, nem este facto exaltamos. Não se consegue capitalizar este facto para falar do Mundial. Seria para já uma porta aberta para promovermos mais o Campeonato do Mundo de Futebol, muito por razão da participação do nosso \"rapaz\" Jerson Emiliano dos Santos que, com a sua bandeira em punho, deslizará ao longo da linha lateral que delimita o campo para assinalar correctamente os \"off side\" e as devidas infracções.
Por último, um outro facto que deveria cogitar a sua divulgação exaustiva são as mudanças de paradigmas que hoje se assistem no xadrez mundial, como o medo que paira pelo terrorismo. Será que isso irá tirar público dos estádios, provocando um revés financeiro e pouco aconselhável para a visibilidade que deve ter o campeonato do mundo de futebol?
Nao creio muito. O que tenho a certeza é que conhecendo a Rússia como conhecemos, todas as medidas pertinentes estão de certeza tomadas para que não aconteçam males maiores e que a prova se transforme numa verdadeira festa, ainda que haja, subjacente, algumas crispações políticas motivadas pelas relações internacionais com situações no teatro político que podem ter algum peso também, no futebol.
Tudo isso, deve ter, deve ser, amplamente divulgado pelos nossos órgãos de comunicação social que, em meu entender, deveriam ser mais agressivos em matéria de promoção e divulgação dos aspectos positivos que encerram a prova.
Porque, convenhamos, o Mundial de Futebol é a nossa paixão!
Morais Canãmua

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