Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Mundial representa um grande prmio

08 de Fevereiro, 2020
Quando, no jogo referente a primeira jornada, diante de Moçambique, o camisola 10 de nossa selecção, Mano Sele fez aquela “maldade” espectacular (um “cabrito” à moda antiga) ao número 8 adversário, marcando, acto contínuo, o quarto golo da equipa de todos nós, consolidando uma estreia bastante auspiciosa no Campeonato Africano de Futsal que decorre em Laâyoune, Marrocos, todo angolano comum alimentou esperanças de que a campanha do combinado nacional seria positiva.
Mesmo tendo vencido o jogo, a nossa selecção, apesar de ter sido, a espaços, superior aos nossos “irmãos do Índico”, cometeu erros, principalmente defensivos e que haviam inúmeras insuficiências que poderiam vir ao de cima perante adversários mais competitivos. Ou seja, nem tudo afinal era perfeito e algumas dificuldades previam-se.
Para estreia, a vitória de 7-4 diante dos moçambicanos foi de facto um mote para conferir força anímica e qualidade psicológica aos atletas que, diga-se chegaram, à Marrocos com uma preparação deficiente e mergulhada em imensas dificuldades logísticas. Isso veio a pesar bastante na desenvoltura da equipa de Benvindo Inácio na partida subsequente, ao cair na segunda ronda diante da forte selecção egípcia por 3-0.
Aí viriam a ficar destapada algumas lacunas evidentes que fizeram inclusive refrear a euforia e emoção produzidas decorrentes da vitória “retumbante” na primeira jornada, diante dos irmãos do Índico. Entretanto, Angola demonstrava que, vontade não lhe faltava para levar avante os seus intentos, porém, algumas lacunas foram sendo notadas a olho nu, em consequência dos aspectos já referenciados já que, ficou claro que o futsal é coisa séria. Aliás, para ombrearmos com os países do Magrebe essencialmente, torna-se necessário trabalhar mais, melhor e de forma bastante séria.
Em termos comparativos, verdade seja dita, Angola mostrou que afinal, não estava ao nível das principais equipas da modalidade em África. Noves fora o jogo diante da Guiné Conacri, em que voltou a brilhar, viria então o jogo frente à forte selecção de Marrocos para testar a nossa capacidade competitiva e alvitrarmos uma presença na final. Realmente ficou demonstrado que afinal não estamos ainda no nível dos outros. Ficou claro que há muito trabalho por se fazer e de forma séria. Em nada vale nos imbuirmos de triunfalismos efémeros quando a seriedade por vezes é posta em causa.
Não se admite por exemplo que, no processo de preparação a selecção tenha imensas dificuldades, inclusive para realizar treinos e estágios. Aliás, naquela fase, quem mais gritou por “socorro” foi o técnico Benvindo Inácio, que tinha confiança que, com um trabalho bem delineado e completo, Angola podia almejar muito mais, quiçá o ceptro.
O que se viu, é que os angolanos, guiados sempre por triunfalismo patriótico exacerbado, mais uma vez colocaram a pensar com coração, esquecendo-se que o trabalho persistente, árduo e abnegado faz parte do sucesso; e que sem organização e disciplina, se torna difícil transpor as barreiras que a própria competição carrega.
Na maioria dos casos e logo depois do primeiro triunfo, com base nas entrevistas que foram trazidas à comunicação social, houve quem ousou levantar demais a fasquia, sem mesmo avaliar profundamente a qualidade dos adversários na competição.
Apesar de tudo isso o 3º lugar alcançado no CAN do Marrocos, fruto da excelente vitória, diga-se de passagem, alcançada diante da Líbia, acaba por ser igualmente um prémio para uma selecção que foi, digamos despreparada para a competição. Porém, com qualificação ao Mundial da Lituânia, prevista para Setembro deste ano, há o recado de se continuar a trabalhar de forma árdua e séria para alimentarmos o futsal que demonstra agora que afinal, pode ir mais longe.
MORAIS CANÂMUA

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