Jornal dos Desportos

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Opinio

Mundo acorda com um novo campeo

16 de Julho, 2018
Cerram-se as cortinas, desmonta-se o cenário. O Mundial da Rússia despediu-se, ontem, com a consagração de um novo campeão, a França, que destrona a Alemanha e que deixou a competição bem mais cedo do que previsto, um conjunto que deixou muito a desejar e que nem chegou a mostrar a pinta de campeão.
Foram trinta dias de intensa competição, em que muitos prognósticos foram quebrados. Os melhores jogadores do mundo não apareceram ou, pelo menos, conseguiram levar as respectivas selecções para uma fase mais adiantada da prova.
Cristiano Ronaldo não conseguiu levar a sua selecção às costas. O português marcou quatro golos que não serviram para camuflar uma exibição tosca na generalidade do conjunto luso. Lionel Messi viu a sua Argentina a sair pela porta pequena deste Mundial.
Outras selecções cotadas como favoritas no início passaram ao lado da prova, como por exemplo a selecção espanhola, que pagou caro o facto de trocar de seleccionador em véspera da sua estreia.
As luzes da ribalta foram para outros heróis, que merecem as honras com que os grandes vencedores são brindados. Nem Ronaldo, nem Messi, nem Neymar e o seu Brasil que caiu com estrondo diante da Bélgica que merecia melhor sorte, mas ainda assim com os seus jogadores cientes de terem feito o seu trabalho e cumprido.
Neymar, sai do Mundial da Rússia com 26 anos e sem a luminosidade que as grandes estrelas carregam. O brasileiro jogou pela negativa com o exagero nas faltas que sofreu. Se o Brasil saiu precocemente do Mundial, Neymar Júnior arranhou e de que forma a sua imagem, ele que era uma das grandes esperanças de milhões de brasileiros que estavam à espera do \"hexa\", com uma exibição de encher os olhos do seu \"menino bonito\", quando tinha tudo para brilhar, mais a mais sem a sombra do português e do argentino.
O futebol reinventa-se todos os dias e por isso é que os ídolos de hoje devem saber manter o seu estatuto, dado que o seu brilho não vai perdurar eternamente, e a vida de um futebolista não é tão longa como parece.
Ontem o Mundial despediu-se dos adeptos sem cenas de violências, quando se cogitavam maus augúrios em relação a essa questão. A Rússia prometeu que este seria um Mundial seguro, e nada de realce se registou nos campos ou fora deles que manchassem a organização da prova, já eleita pelos líderes da FIFA como os melhores de toda a história da organização.
Foi também um Campeonato do Mundo das bolas paradas. E só para se ter uma ideia de como os artistas esmeraram-se em aperfeiçoar a técnica de marcação de livres, 46% dos golos surgiram de cantos, faltas ou penáltis - e pelas duas equipas mais cumpridoras, França e Croácia. 46% dos golos surgiram de cantos, faltas ou penáltis - e pelas duas equipas mais cumpridoras, França e Croácia.
Houve um claro domínio europeu na prova. Brasil e Argentina eram as selecções que se poderiam opor ao espírito de conquista das selecções deste continente, mas o facto de ambos terem deixado muito cedo a competição abriu caminho para que os europeus colocassem quatro selecções nas meias-finais, com toda justiça, diga-se.
Há factores que ajudam a explicar isso, que está ligado a estruturas fracas no gestão do futebol de grande parte dos países sul-americanos, bem como os constantes casos de corrupção e uma emigração que não para de crescer de jogadores locais para palcos financeiramente mais atractivos, e aí a Europa surge como um el-dourado desses jogadores.
Ontem o mundo testemunhou um novo campeão mundial, numa final em que desfilaram de um lado um grupo de jogadores com a média de idade das mais baixas, pela França e, por isso, com um grande viveiro para ser explorado no futuro, e do outro um conjunto cuja média de idade foi das mais altas neste Mundial, do lado da Croácia.
Num jogo de loucos a França voltou a erguer a Taça do Mundial, num jogo com muitos golos, tendo superado o trauma caseiro no último Campeonato da Europa. Um dia depois de celebrar uma efeméride política muito importante na sua história, a tomada de Bastilha, Mbappé, Pogba, Griemann e companheiros ergueram o troféu que os consagra como novos campeões mundiais destronando a Alemanha, um prémio justo para uma geração que cresce e cujos talentos individuais em nada ficam a dever aos jogadores que regulamente são apontados como os melhores do mundo.
O Mundial disse ontem adeus, o cenário começa a desmontar-se e o mundo acorda hoje com um novo campeão, ontem coroado. Fonttes Pereira

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