Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Na hora do adeus, obrigado Zdu !

26 de Setembro, 2017
A partir de hoje, o País deixa de ter ao leme o homem que durante o consulado dedicou considerável atenção ao fenómeno desportivo, de um modo geral, sendo este, também, um elemento de marca de José Eduardo dos Santos, enquanto Presidente da República.A partir deste princípio, por ser hoje o dia em que oficial e objectivamente José Eduardo dos Santos passa o testemunho ao seu sucessor, como que no momento do adeus, faz todo sentido traçar algumas linhas como tributo à quem a história do desporto angolano “deve” muito dos seus louros.

É por demais conhecida, e inúmeras vezes referenciadas, a relação que José Eduardo dos Santos tem com o desporto, que não se resume na condição de mais alto mandatário da Nação, e por via disso, orientador da política desportiva doméstica, mas por factores de prática efectiva do futebol e basquetebol; Há outras?

Melhor que nós, “kotas” como os irmãos Fernandes, Cata, Inguila, Joka Santinho, só para citar estes, têm memórias que podem substanciar muito do que se escreve e fala da “veia” desportiva de José Eduardo dos Santos, que ao que se sabe tem no futebol, a “praia em que melhor mergulha o seu talento desportivo”.

E, por que falamos em talento, achamos que para Zedú assenta como luva na mão o enunciado religioso -cristão, segundo o qual, “Deus deu aos homens talentos tal como plantou diferentes árvores na natureza, de modo que cada talento como cada árvore tem as suas propriedades, e produz os seus efeitos particulares”.

A partir do postulado bíblico, podemos considerar a Academia de Futebol de Angola (AFA) como efeito do talento desportivo de José Eduardo dos Santos, que para além de o desenvolver com acções práticas fez emergir uma instituição desportiva, cujo contributo ao futebol nacional sem margem de dúvida será visível à seu tempo. A referência a Academia de Futebol de Angola é apenas uma das muitas, que do ponto de vista prático não permitem quaisquer questionamentos sobre o interesse com que José Eduardo dos Santos olh(a)ou o futebol angolano, de modo particular, e em geral, o desporto.

Aliás, só assim se pode compreender a realização do Campeonato Africano das Nações em futebol sénior masculino, vulgo CAN, no não tão longínquo ano de 2010 em Angola, e cujos efeitos ainda figuram na memória colectiva dos angolanos, talvez com maior incidência em termos de “estragos”, para o empate diante do Malí, no jogo inaugural do referido torneio.

Na mesma senda, ou seja, do valor elevado com que olhou o desporto, enquanto mais alto magistrado da Nação, podem ser entendidas as realizações dos campeonatos africanos de basquetebol, em sénior masculino, e de andebol, no mesmo escalão, em feminino, realizados em Angola, marcas que a história jamais apagará.

Sublinhe-se, que tais realizações só se tornaram efectivas por que “chanceladas” na altura, pelo Presidente da República que terá agido consciente de que, independentemente de muitas acções sociais, o desporto carece de maior impulso na sua realização, enquanto ópio do povo, também faz parte da governação. Aliás, é de todos conhecida a forma efusiva como os angolanos viveram as referidas provas desportivas, para além de serem vencidas por Angola, com excepção do CAN, elevaram a capacidade organizativa do país, no que diz respeito aos eventos desportivos, e isso não tem outro responsável -mor, senão José Eduardo dos Santos.

Na hora do adeus, aliás, não é possível compilar neste espaço todos os valores desportivos que José Eduardo dos Santos agregou na sua folha de serviço, ao longo do tempo em que foi Presidente da República, reconhecemos não existirem palavras que aglutinem o sentido da atenção por Ele dedicada ao desporto, pelo que ficamos por esta, considerada mágica: “ Obrigado”. Carlos Calongo

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