Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Nao do basquetebol

05 de Agosto, 2016
É que depois daquele Africano de Luanda seguiu-se o de Maputo, também vencido por Angola, no que foi o primeiro grande triunfo fora de portas.

Jovens destemidos como Jean-Jacques da Conceição, José Carlos Guimarães, Lapa, Amaral Aleixo, Kayaya e demais, levaram o continente rendido aos seus pés. No horizonte desenhava-se um futuro promissor para o basquetebol angolano. Isto veio confirmar-se depois com um reinado de duas décadas.

Logo, uma decadência sem mais nem quê, belisca o ego de toda uma nação, que durante anos a fio acostumou-se a festejar vitórias à brava e receber os seus heróis de ouro ao peito. Mas a vitória no Africano de Sub-18, em Kigali, permite respirar com alívio. Deixa escapar a sensação de que afinal as coisas não vão ruins como muitos de nós estaremos a supor.

A postura evidenciada pelos pupilos de Manuel da Silva “Né”, deixou “preto no branco” que afinal as coisas não estão paradas. Desenvolve-se a nível de alguns clubes um trabalho sério e aturado a nível dos escalões de formação. Realiza-se, mesmo não sendo com a agressividade dos bons tempos de Vitorino Cunha e Valdemiro Romero, ainda algum trabalho de sondagem e prospecção de talentos.

Na verdade, Kigali nos devolve a confiança num amanhã com destino certo. Ficou evidente que se trabalha na aquisição de um potencial basquetebolístico que permita a Angola manter a sua saga vitoriosa. De resto, quando se trabalha com uma aposta séria nas acções de fomento maior se torna a esperança por uma safra fabulosa. Claro está, que, para tanto, terá de haver um acompanhamento responsável a esta juventude, para que o processo de sucessão na equipa principal venha ser eficaz e salutar.

Os campeões africanos em Sub-18 trataram de mostrar arte e engenho, e mais do que isso atitude nos jogos que disputaram. Aliás, a sua conquista não deve merecer nenhuma contestação, sendo que foi arrancada numa disputa em que estiveram envolvidas selecções de países africanos que têm o domínio da bola ao cesto, tal como são a Costa do Marfim, Tunísia e Egipto, este último campeão destronado na final.

Feitas todas as considerações que a retumbância do feito exige de nós, enquanto críticos da “coisa desportiva”, restam os agradecimentos do país à equipa técnica, aos atletas e a outros actores directos e indirectos da conquista que nos enche a todos de orgulho, por terem sabido bater-se com galhardia, e na sequência da sua bravura honrado as cores da bandeira nacional. Angola é campeã africana, porque foi superior aos adversários que lhe cruzaram o caminho, muitos destes derrotados de forma copiosa.

Que não fiquemos por aqui. Se dê continuidade ao trabalho, e dotar estes atletas de maior crescimento, já com olhos voltados para o processo de renovação da equipa principal, que deve ser feito de forma gradual, de modo a que a passagem de testemunho não seja precipitado, sob pena de retardar o resgate da mística do nosso basquetebol em África.

Mais do que uma simples conquista de título, a vitória de Kigali assume-se também como uma advertência competitiva. Queiramos ou não, a África continuará a olhar para Angola com a mesma veneração. Os valentes rapazes de Kigali, a quem o presidente da república tratou de felicitar ao longo desta semana, mostraram, claramente, que continuamos a ser uma nação do basquetebol. A saga vitoriosa iniciada pela geração de Victor Almeida, Gustavo da Conceição, José Carlos Guimarães, Jean-Jacques, Artur Barros e outros, continua a ter os seus seguidores.

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