Jornal dos Desportos

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Opinio

Nem o fiasco do apito travou a festa do ttulo

02 de Outubro, 2013
Uma vitória da convicção, da determinação e, acima de tudo, resultante do rigor táctico imposto pelas jogadoras angolanas ao longo de toda a competição. É desta forma que se pode caracterizar a conquista do segundo título consecutivo da Selecção Nacional de basquetebol feminina, na 23ª edição do campeonato africano da categoria, que decorreu em Maputo, Moçambique. As angolanas superaram, assim, as “irmãs do Índico”, numa final electrizante e imprópria para cardíacos.

Nem o fiasco da dupla de árbitros do Congo Democrático e de Marrocos travou a festa do título. As comandadas de Aníbal Moreira conseguiram vencer todas as adversidades encontradas na trincheira das moçambicanas.

As campeãs africanas de basquetebol fizeram o pleno na prova, apresentando-se determinadas perante o público moçambicano, que apoiou a equipa da casa do princípio ao fim, assim como perante a arbitragem, tendencialmente favorável à selecção anfitriã.

Nacissela Maurícia e companheiras deram um recital de basquetebol, justificando o estatuto de dignas campeãs ante uma selecção moçambicana que nunca virou a cara à luta e que soube honrar a sua bandeira.

A capitã angolana, eleita a melhor jogadora do Afrobasket (MPV), soube comandar a orquestra no campo e muito por obra desse facto Angola conseguiu transpor os vários obstáculos que encontrou no decurso da prova, que a pátria moçambicana albergou. As jogadoras angolanas, na generalidade, foram briosas. Provaram em Maputo que em África ainda são senhoras e donas do basquetebol. Aliás, o título conquistado em Maputo só veio justificar o ascendente que o combinado nacional tem estado a adquirir desde que subiu ao pódio no Afrobasket de 2011, disputado em Bamako, Mali.

Na verdade, as nossas bravas raparigas mereceram essa conquista. Foram destemidas, ousadas e, acima de tudo, senhoras de si nos momentos cruciais desta 23ª edição do Campeonato Africano de Basquetebol, que teve como palco Maputo.

Por obra dessa conquista da final, em que venceram por 64-61, quer Angola, quer Moçambique, ganharam o direito de inscrever o seu nome no Mundial do próximo ano, que vai decorrer na Turquia. Isso resulta do grande tributo evidenciado no Afrobasket.

Depois de mais esta conquista, a nível do país tem de se começar já a pensar no futuro. E o futuro passa, obviamente, pela grande montra mundial de basquetebol que a Turquia vai albergar em 2014. Já não há tempo a perder.

Paulo Madeira e os seus mais directos parceiros na Federação Angolana de Basquetebol (FAB) têm de gizar as estratégias para esse compromisso.
O incondicional apoio do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, deve servir de incentivo a todas essas iniciativas que visam relançar o basquetebol angolano ao mais alto patamar.

O Presidente da República considerou que a conquista da Selecção Nacional resultou da determinação e da vontade de vencer dos angolanos. De facto, Angola tem feito para merecê-lo ao longo destes últimos anos. Isso é um facto e ninguém o pode olvidar.

As nossas senhoras caminham rumo ao sucesso do basquetebol, seguindo assim as peugadas da selecção masculina, que detém, simplesmente, a hegemonia da modalidade no continente há largos anos.

Os dois títulos conseguidos nas duas últimas edições do Afrobasket, disputadas em Bamako e Maputo, devem ser valorizados por todos, já que ambos abrem a porta para o sucesso da equipa. Por isso, é inevitável reconhecer o tributo das nossas campeãs.
Sérgio V. Dias

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