Jornal dos Desportos

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Opinio

Nicola Berardinelli abriu o caminho

03 de Setembro, 2018
O percurso glorioso do 1º de Agosto na alta-roda futebol nacional iniciou, precisamente, em Dezembro de 1979, quando se deu o pontapé de saída da prova, que nos últimos anos passou a ser apelidada de Girabola-Zap. E, para já, o nome de Nicola Berardinelli, recentemente falecido, acaba por entrar para os anais do clube do “rio seco” e desporto-rei no país, por ter sido ele o primeiro treinador vencedor da história da competição.
Porém, corria o mês de Março de 1980, quando num dia 23 o emblema agostino cortava a meta na primeira posição do Girabola, numa prova disputada por série e em que tinha como principal oponente o Desportivo da TAAG, hoje Atlético Sport Aviação (ASA). Após a conquista da edição de 1979, que conheceu um atraso no seu pontapé de saída, pela morte, em Setembro deste ano, do “saudoso” Presidente Agostinho Neto, o d\'Agosto voltou a triunfar nas épocas de 1980 e 1981, em que rivalizava ainda com a TAAG.
Nessas duas edições, Ivan Ridanovic, oriundo da ex-Jugoslávia, primeiro, e o angolano Joaquim Dinis “Brinca n\'Areia”, depois, foram os dois técnicos a elevar a fasquia do conjunto em termos de títulos. Assim começava a marcha triunfal do conjunto principal das Forças Armadas Angolanas no Girabola e, consequentemente, a conquista do primeiro “tri”.
Depois, a equipa passou por um “jejum” de dez anos sem vencer, até que a direcção do clube, na altura encabeçada por Justino Fernandes e Alves Simões, como presidente e “vice”, voltou a apostar num técnico originário do Leste da Europa.
A escolha recairia no “professor” Dusan Kondic, que cortou a meta, de forma vitoriosa, nas edições de 1991 e 1992 sucessivamente. Depois abriu-se mais um ciclo sem glórias, que vigorou de 1993 a 1995. Contudo, em 1996, sob orientação de Mário de Sousa Calado, o 1º de Agosto “reencontrou-se” com o caminho do título de campeão, ficando, depois, uma época em “branco”, até que em 1998 e 1999, a ex-estrela do clube, Ndungidi Daniel, voltasse a pôr de sentido a concorrência, com a consagração.
E é bom que se diga Ndungidi terá “bebido” bem a lição do compatriota Calado, com o qual havia já sido campeão, mas nas veste de treinador-adjunto em 1996. E como que a provar a alternância do “bom” e “mau”, o conjunto do “rio seco” passou por uma travessia de deserto nas edições do Girabola de 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, período intermitente também do seu “arqui-rival”, que permitiu a ascensão de outros emblemas do Girabola, como o ASA e o Sagrada Esperança.
Mas, a fazer fé no velho aforismo popular, segundo o qual água mole em pedra dura tanto bate até que fura, o 1º de Agosto voltou a lograr a conquista de título da maior prova do futebol em 2006, sob o comando do holandês Jan Brower. Porém, é importante lembrar, que o aparente reencontro com o sucesso foi como sol de pouca dura, isto porque, depois da consagração com o holandês, o 1º de Agosto voltou a enfrentar um “jejum” de 10 anos.
O “desencontro”, passe a expressão, com os títulos, levou a actual direcção do emblema militar, a apostar novamente num técnico originário das escolas do Leste Europa, no caso Dragan Jovic, que construindo um plantel ousado, onde pontificavam nomes como Gerson Dala e Ary Papel, isto só para citar alguns, retomou as glórias.
Com o bósnio Dragan Jovic, o conjunto sagrou-se campeão em 2016 e 2017, mas face aos seus problemas de saúde, a direcção do clube, encabeçado pelo general Carlos Hendrick, voltou a apostar num treinador oriundo da ex-Jugoslávia.
E foi com Zoran Maki, que antes já havia orientado o Kabuscorp do Palanca, que o d\'Agosto chegou ao segundo “tri” do seu historial, depois dos êxitos obtidos em 1979, 1980 e 1981 e, consequentemente, ao 12º título no Girabola Zap.

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