Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

No violncia!...

21 de Junho, 2018
Ainda está-se por saber se o futebol está propenso à união ou à discórdia entre os membros da sua tribo. À partida, é um fenómeno de massas, com forte tendência de dar lugar a acesas discussões, intermináveis em certos casos, sempre com cada um dos intervenientes a tentar chamar à si a razão.
Vivemos, nestes dias, da cólera futebolística, um desanuviar das nossas mentes azucrinadas, nos últimos dias, com conversas pouco simpáticas, como as que têm a ver com grupos de gangs, que tornaram a sociedade violenta. Logo, pretendemos ouvir de longe relatos discórdias futebolísticas com violência.
A discórdia que deriva do futebol é transversal, começando, muitas vezes, nos nossos próprios lares, com disputa, entre os seus inquilinos, do comando da TV, numa peleja que envolve os aliados do jogo da bola e outros que se entregam, perdidamente, a novelas importadas das Américas (Brasil e México). E tudo na desportiva.
A desavença resvala depois para apostas daqueles que, infectados por fanatismo doentio, defendem esta ou aqueloutra selecção. Estes, infelizmente, muitas vezes sem uma noção perfeita do rendimento da sua equipa, que lhe possa permitir fazer um juízo mais exacto sobre a capacidade competitiva desta sair triunfal no jogo, só vê virtudes nela, e, na eventualidade de as coisas não correrem de feição, instala-se um clima de fricção.
Já se ouve, à surdina, a existência, em certos bairros de Luanda, de rixas entre assistentes de jogos de futebol, tão só porque há quem que, tendo perdido a aposta, à pagina tantas, recusa-se levar desaforo para casa, partindo para a arruaça, que o próprio desporto condena, não fosse ele uma actividade sã, com forte propensão à unidade entre os homens.
Pensamos que, quem se acha na pele de verdadeiro amigo do desporto deve saber que nele não cabem actos violência, nem qualquer outro tipo de fricções. O \"fair play\" está sempre presente, pressupondo que os vencedores fazem-no com respeito e os vencidos assumem o ónus com a dignidade que se recomenda. Não dispomos de dados suficientes para denunciar o caso que nos foi relatado. Dai a preferência para uma advertência geral, sem identificações.
Aliás, em quase todos os campeonatos do mundo de futebol ocorrem, e, regra comum, em países longe do que organiza, vários casos de violência física, muitos acabam em mortes, por pura e doentia expressão de fanatismo. Felizmente, não há registos de casos bizarros que tenham ocorrido no nosso país, e esperamos não haja nunca.
Recomendamos, por tudo isso, muita prudência a todos quantos em tascas ou, em aglomerados de amigos, procuram acompanhar as incidências do campeonato. É salutar assistir-se a jogos em grupo, por entre diversidade de pontos de vista sobre o seu desenrolar, mas sem segundas intenções, sobretudo quando maléficas.
Mesmo sem os Palancas Negras presentes, os angolanos esperam viver as emoções da prova com maior entusiasmo, apoiando, cada um, a selecção de sua escolha. Pela frente temos ainda três semanas de forte disputa, e nesta sequência estamos todos fadados a momentos de alegria e de tristeza. Mas recomenda-se a contenção dos ânimos, sendo esta a única forma de sairmos todos vitoriosos. Não à violência!...
Matias Adriano

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