Jornal dos Desportos

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Opinio

No acredito em bruxas!

21 de Outubro, 2016
Benguela prepara-se mais uma vez para ver o Girabola pela televisão. É esse o destino a que está votado o futebol daquelas terras nos últimos anos.
Lugar de muitos craques, porém sem a dignidade merecida. Benguela devia ter um lugar "cativo" na principal competição futebolística por tudo o que fez. Ontem como hoje. É um dos maiores contribuintes das selecções nacionais assim como das equipas topo do futebol nacional, a par do Huambo.

Se um acto administrativo pudesse resolver essa questão, era imediato. Sabemos porém que não funciona desse modo o futebol. Mas a questão que se coloca é que se se dá mais dinheiro aos clubes de Luanda, sendo o Estado o principal patrocinador, e menos aos clubes "estrangeiros", entenda-se das outras províncias, não podíamos falar de um acto administrativo "tácito." Ou seja, o que mantém a pujança futebolística dos clubes de Luanda não é o facto de terem mais dinheiro do que as outros clubes? Sendo certo, não podemos então concluir que estamos na presença de um empurrão administrativo camuflado?

É lamentável ver uma cidade como Benguela, com as infra-estruturas que possui, ficar relegado à televisão simplesmente porque tem menos apoio financeiro. Salvo melhor opinião, este é o factor determinante. É assim em Angola como na Europa. O Bareclona, Manchester United, Real Madrid, Bayern, Juventus, PSG não sustentam a sua grandeza com o factor de terem mais dinheiro?

Como é que se transforma um emblema histórico como o 1º de Maio de Benguela num turista do Girabola com o visto de curta duração? O Petro de Luanda tornou-se na equipa com mais títulos do Girabola porque foi aquela que sempre teve melhores condições financeiras. Não foi obra de magia tão pouco apenas o profissionalismo de quem lá trabalhou ou trabalha que fez dos tricolores os "senhores" do Girabola. Foi precisamente pelas mesmas razões que o Libolo de rajada conquistou quatro títulos, batendo históricos como o Atlético Sport Aviação (ASA).

Portanto, está visto que o problema dos emblemas de Benguela é dinheiro, antes de qualquer outro. É certo que tem havido igualmente muitas decisões equivocadas, porém, não são determinantes. Não se lembram de o Libolo ter mandado embora um treinador no início da época, e acabou de ser depois campeão. Aliás, o seu presidente Rui Campos disse que "o treinador que quisesse ser campeão devia ir ao Libolo".

Embora haja muitas leituras que se prestam por detrás dessa declaração, eu usando um caminho corta-mato digo simplesmente que é a capacidade financeira, primeiro, e depois organização, que fez do Libolo tetra-campeão do Girabola. Nada mais óbvio do que isso. Dado que se falar hoje mais que ontem da diversificação da economia, porque também não diversificarmos os apoios financeiros, já que a maior parte das empresas são do Estado e nacionais. Só desse modo podemos ter 1º de Maio, Nacional, Académica do Lobito, Sporting e outras a discutirem os títulos com os de Luanda. De outro modo, é mentira. Não acredito nas bruxas!
Teixeira Cândido

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