Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

No caminho do Bilima e Canon de Yaounde

10 de Março, 2015
Mesmo que com recurso aos dados disponíveis se cheguem à conclusão de que o 1.º de Agosto não ganha um campeonato desde 2006, estando por esta via a fazer uma travessia do deserto há oito anos, porém não lembra ao diabo ter conhecido um começo de campeonato tão desastroso quanto este. Três derrotas em igual número de jornadas, convenhamos, não faz parte do seu DNA.Para espanto de todos acompanhantes da nossa principal competição doméstica, entre a sua própria massa de adeptos e até detractores, é este quadro ruim que o "rubro-negro", referência incontornável do futebol angolano, nos dá a ver. Os seus associados a páginas tantas já se vão acostumando com este cenário vexante.

O que se passa de concreto com o D'Agosto é algo que requer um diagnóstico sério, e quando apurada a patologia, se a situação obrigar a uma intervenção cirúrgica urgente, porque há que se estripar o parasita que corrói as células funcionais da sua estrutura, não há que tergiversar. Vamos a ela. Mesmo para quem não seja seu adepto não é comum o que se está a passar.

Fique dito e escrito aqui, com todas as letras, que o 1º de Agosto é um símbolo vivo do futebol angolano por várias e redobradas razões. Foi esta equipa que conquistou o primeiro Girabola e que por mérito teve a honra de ser também o primeiro representante angolano nas competições africanas. Muitas lendas do nosso futebol, cujos nomes não cabem aqui, se notabilizaram envergando a sua camisola.
Logo, constrange ver de forma impávida o descalabro se não a vulgarização daquela que será, seguramente, a equipa mais popular do país. Aqui alguém pode discordar. Mas basta associar a equipa às Forcas Armadas Angolanas para ser chamado à razão. O 1.º de Agosto há-de ser sempre uma equipa de grande dimensão referencial, mesmo que no plano competitivo os feitos lhe passem ao largo.

Realmente, fez-se um investimento que infundia alguma confiança de ser este ano o da "ressurreição", mas o começo do campeonato dá-nos um horóscopo não muito positivo. Claro está que perder três jogos consecutivos pode ser o mesmo que perde-los com intervalos de jornadas. Mas estamos a olhar para o factor motivacional. Começar vitorioso eleva o moral, e a perder já se sabe no que isto dá.

Estaremos perante o fim de um império? Pode ser que sim, pode ser que não. Na verdade, abundam no futebol africano exemplos de equipas que se notabilizaram na mesma época em que o 1.º de Agosto falava alto e bom som, que hoje simplesmente desapareceram da arena. Bilimá do Zaire, Cânon de Yaoundé, Enugu Ranger da Nigéria, FC 105 do Gabão são só algumas equipas que, em determinada época da nossa vivência, estremeceram a África futebolística, e delas hoje já não se fala.

Esperamos bem que estejamos enganados. Mas pelo curso das coisas, parece que o "nosso" 1.º de Agosto empreende uma caminhada capaz de levá-lo a juntar-se a estes seus contemporâneos. Homens do futebol, dirigentes militares façam alguma coisa para que tal não venha a acontecer. O glorioso, como lhe chamam garbosamente os seus adeptos, não pode passar para presa fácil. O termo "Betangó" não casa com a sua actual condição competitiva.

Crentes de que esta pode ser apenas uma fase, porque os êxitos e os fracassos no desporto são cíclicos, rogamos que a equipa, que até não pratica mau futebol, consiga sacudir a crise, acertar o passo e fazer os seus adeptos sorrir. Mas, e para fim de conversa o último lugar que ocupa na tabela classificativa não lhe enfeita, nem de perto nem de longe.
Matias Adriano

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