Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

No desporto possvel coabitar na diferena

14 de Fevereiro, 2019
O embalo do Petro de Luanda nos jogos da fase de qualificação da competição africana onde, para além dos resultados positivos, fez boas exibições, elevou a auto estima dos adeptos, (e naturalmente dos jogadores e equipa técnica), para que, em véspera do clássico com o arqui-rival 1º de Agosto, realizado no último sábado, se mostrassem crentes numa vitória sobre os militares.
Adiciona-se à tal facto, as exibições pálidas que era a marca da equipa militar, (situação que custou a perda de muitos pontos, fruto de empates consecutivos), até antes do jogo contra o Kabuscorp, em que o tri campeão deu ar da sua graça e, para além de vencer o referido jogo, exibiu-se à um nível bem mais condizente com o seu estatuto.
Talvez para os menos avisados, o referido jogo com o Kabuscorp do Palanca não passou de uma “pintinha de sorte” caída dos céus, ao ponto de cegar a mente de alguns adeptos do Petro de Luanda que, na expressão do seu direito, - com o qual concordamos -, auguravam somente a vitória e, mais que isso, apenas, a vitória da equipa do Catetão.
Este espírito natural de querer vencer, se calhar, é que permitiu algum fragmento de bom senso, para serem entendidas algumas faltas de prudência, na forma como determinados adeptos de ambas as equipas manifestam os seus “apetites”, em não poucos casos, roçando a deselegância verbal, que de positivo nada acrescenta ao mundo do desporto, em que se pode coabitar na diferença.
A título de exemplo, muitos terão se apercebido que determinado apresentador de um programa televisivo local, diga-se de passagem, com boa audiência, usou e abusou da nobreza do espaço, para embandeirar o desejo de ver a sua equipa vencer o “Desgosto”, (foi assim que ele (des) tratou o 1º de Agosto), pois, para ele, o sábado seria daqueles dias transformados na “hora da verdade em que ninguém segura o Petro”.
Da expressão da nossa repulsa, via redes sociais, elevando sempre a têmpera pedagógica que, vaidade à parte, procuramos não olvidar nas nossas abordagens, surgiu a proposta do amigo, irmão, companheiro de idas e vindas, Pedro de Castro Maria, adepto confesso do Petro de Luanda, para que escrevêssemos algo que se resumisse “no comportamento dos adeptos, que têm o hábito de atribuir nomes insultuosos aos clubes principais adversários dos seus, sejam eles de que clubes forem”.
Achando interessante a “sugestão de pauta”, ao que respondi nos seguintes termos: “Pedido aceite, e será cumprido”. Em sinal de agradecimento, a expressão do amigo foi a seguinte: “Abraço forte, companheiro; eu sabia que não havias de deixar-me ficar mal”.
Dito e feito, e eis a promessa cumprida. E em jeito de início de conversa, impõe-se a seguinte questão: é ou não possível, que os adeptos de equipas diferentes adoptem uma postura comportamental nos marcos da convivência salutar na diferença? Claro que é possível e, mais do que isso, recomendável.
Nos arrolamos, portanto, ao “exército” dos que condenam quaisquer tipos de barbaridades no mundo do desporto, sejam elas expressas por palavras, pensamentos e obras, que em nada enobrecem o desporto que, aliás, deve ser colocado ao serviço do desenvolvimento harmonioso do homem, com vista a promover uma sociedade pacífica preocupada com a preservação da dignidade humana.
Logo, não tem nenhuma graça os excessos protagonizados por adeptos que, pela incapacidade de gerir os sentimentos e/ou fanatismo clubístico, se doam à todas orgias verbais contra os companheiros, apenas por não comungarem os mesmos ideais ou opções desportivas, colocando-os na condição de adversários circunstanciais.
Aliás, já faz algum, senão todo o sentido, começar-se a pensar na possibilidade de penalizar os adeptos, cujo comportamento se reporta de nocivo à higiene que se recomenda no mundo desportivo, marcados pela Excelência, Amizade e Respeito, com base nos princípios olímpicos elencados por Pierre de Coubertin.
Ainda bem que, por exemplo, no basquetebol, já não se ouvem cânticos como aqueles em que, ao tempo de Lutonda, Baduna, Victor Carvalho, etc, se ouviam dizer que “D’Agoto/Petro é nossa p…”; ou “Fulano, teu feitiço acabou, filho da P…”.
Enfim, expressões como “clube das riscas”, “ equipa das botijas”, “ os da zona do cabrité”, “congoleses em Angola”, etc, etc, são maus exemplos que, para além de mancharem o bom nome do nosso desporto, devem ser banidas, bem como merecer todas outras manifestações de repulsa, no afã de cultivar-se sempre a harmonia do desporto, enquanto fenómeno social com outras repercussões positivas.
Carlos Calongo

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