Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

No desporto nacional, verticalizao recomenda-se!

27 de Maio, 2019
Verticalização, não é apenas um bem necessário, é sem qualquer dúvida uma atitude, uma forma de estar na e com a sociedade, indispensável para um país que desportivamente continua a olhar de forma \"romântica\" e \"perdidamente apaixonada\" para o passado, como que se não houvesse vida além do \"retrovisor\"!
Frases que no dia-a-dia já se tornaram verdadeiros chavões, como \"não há mais talentos como antigamente\", \"já não se dribla como N`dungidi, já não se lança com categoria, triplos com os dois pés suspensos, como fazia Victor de Carvalho \" ou \"as políticas desportivas nacionais traçadas hoje pelo MINJUD contribuem para a morte anunciada dos futuros e promissores talentos do desporto angolano”, que tecem uma rede de clichés de raciocínio simples: o desporto angolano é gigante por natureza, e era e sempre foi melhor, no passado.
O que denota, em termos de verticalidade, existe um vazio que ocupa muito espaço no desporto nacional!
Como verticalização, ou efeito de verticalizar, entendo referir-me àquela verticalidade que em sentido próprio e figurado seria reveladora das qualidades que todos esperamos e exigimos dos vértices de uma gestão profissional, no sentido lato da palavra, ou seja: rectidão, integridade, honestidade, e acrescento transparência. Talvez esta última qualidade devesse ser colocada em primeiro lugar, porque precisamente neste caso, a rectidão e honestidade constituem a sua essência natural.
Em sentido oposto, há muitos, mas há muitos anos que assistimos no seio do desporto nacional, a uma verticalização autoritária e bem manifesta nas decisões e supostas reformas feitas, que de reformas mais parecem \"gémeos siameses\" do espírito de deixa andar, sem a atenção e o devido respeito que devem merecer quaisquer outras opiniões, de quem sincera e competentemente deseja não só o bem, como o melhor para o presente e o futuro do desporto nacional.
Sinceramente, já não se sabe até onde, os que hoje se auto-intitulam gestores e dirigentes desportivos querem conduzir este mal-aventurado desporto angolano, que a olho nu está cada vez mais pobre; em que a transparência não brilha; cada vez mais desmantelado nas suas actividades educativas, formativas e científicas, o que é absolutamente intolerável; cada vez mais desprestigiado e ferido nos valores que o simbolizaram e dignificaram ao longo destes 40 anos; cada vez mais defraudado nos seus bens, sobretudo, bens que aos cofres do Estado angolano custaram avultadas e elevadas somas financeiras, sem que até ao momento, nenhum \"marimbondo\" fosse sacudido ou saído do \"ninho\" para no mínimo, dar uma explicação da verdadeira razão de tais distorções, \"disfuncionalidades orgânicas\", administrativas e competitivas que enfermam o desporto nacional.
Tudo isto, e tantos outros aspectos, do cerne desta questão, mortificam a alma de quem como eu ama o desporto nacional e anseia que se erga, com o sacrifício de todos – repito, de todos – e, mercê da competência de dirigentes sérios, possa, finalmente, elevar-se dos últimos graus das classificações internacionais.
Porque em nossos dias, o desporto é um processo, com início, meio e fim.
Quem está no desporto, seja o de formação, seja o de alto rendimento, precisa de sentir o jogo dentro de campo, não sentir fome fora dele.
Precisamos de confiar em processos, na ciência, nas tecnologias, no
marketing, com um mínimo de juízo para apostar em pessoas com coragem, com capacidade e determinação de mudar ideias antigas.
Porque achar que tudo era melhor antigamente, impede de ver o que é mais importante, na faceta do tempo: o futuro.
*Mentor e Gestor Executivo do Fórum Marketing Desportivo Zongo Bernardo dos Santos

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