Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

No h dinheiro, mas haver Afrobasket?

26 de Abril, 2017
A procissão ainda vai no adro, mas já se destacam 5 modalidades, todas elas consideradas de ponta no desporto angolano de alto rendimento: andebol, basquetebol, futebol, hóquei em patins, tiro olímpico com espingarda.

Enquanto o veterano campeão de tiro, Paulo Silva, não está no campeonato Africano por alegadamente terem faltado verbas, faz-se luz à utilidade dos fundos e nomeadamente ao fundo para o desenvolvimento desportivo e outros que, a par de receitas, poderiam bem assegurar a comparticipação do estado na participação do país. Mas não é assim infelizmente. E lá ficou Paulo Silva sem o seu possivelmente último ‘Africano’.

Mas o tiro desportivo levou ao Cairo a nova geração e espera-se que a presença feminina depressa aumente. Curiosamente as Forças Armadas e a Polícia Nacional e outras paramilitares não parece estarem a fornecer atiradores, assim como atletas de saltos e de lançamentos em atletismo.
Das duas, uma: ou a preparação física, assim como a combativa, deixou de ser o que era naquelas duas instituições – e daí não haver mesmo a possibilidade de alguém sobressair – ou a falta dos jogos desportivos militares pode ser uma justificação para tal apatia de números. Mas os jogos desportivos nacionais, para além dos escolares, deveriam ser uma prática salutar e anual, que haveria de contribuir indirectamente para a saúde e a produtividade. Penso eu, julgo eu...

Hoje é também a ocasião que tenho para poder exaltar o hóquei em patins ao juntar um ‘Montreux’ meio-conseguido a uma transição de mão em eleições sem espinhas e que reconfirmam na pessoa do novo inquilino, Hirondino Garcia, uma mudança na continuidade em que não se descarta a proximidade do inquilino de honra ou até mesmo emérito da federação, Carlos Alberto Jaime, quem sai igualmente aliviado com o resultado do ‘Cinco’ nacional no pré-mundial em ‘Montreux’ e o pio que tirou às vozes que se voltarem a tentar levantar contra o seleccionador – e protegido do antigo presidente segundo atiçam – e que é Fernando Falé.

O seleccionador foi pragmático embora tenha sentido na pele o que é doravante a preparação das equipas angolanas, algo parecido com os últimos jogos olímpicos no Rio de Janeiro, exemplos de como uma programação decente pode acabar em uma preparação indecente por falhas de subsídio. O estágio de três semanas em Portugal não passou de talvez três dias e um jogo, antes de rumarem para a Suíça. A ver, para o ‘Mundial’ na China, se mudam de ideia e vão mais cedo do que apenas uma semana antes e sem a possibilidade de haver tempo para enjeitar um jogo ou dois de acerto ou simplesmente controlo.

Seja como for, o ‘pós-mundial’ que havia antecipado Falé quando empossado em Fevereiro último – preparar a selecção para a renovação e fomentar a formação – são, e esta última em particular, o que mais se espera de um seleccionador: fomentar, mostrar-se proactivo e interagir com os outros treinadores, projectar e arquitectar, experimentar, emendar e corrigir entre outros comportamentos e gestos vistos como positivos.

Não há uma porta em que se bate e não se queixem da falta de fomento, ou de formação; no hóquei em patins, somente o Grupo Desportivo da Banca, de Luanda, se mantém fiel às suas tradições, enquanto novas ideias e visões, nuns casos, ou insuficiência de patins, noutro caso, explicam o sumiço ou afrouxamento em emblemas que já foram praças-fortes no hóquei juvenil. O recente ascenso do hóquei jovem no Namibe desperta a atenção para reflectirmos se a formação deve ficar órfã do desafecto dos grandes emblemas, ou deve ser levada para comunidades mais pequenas e com jovens menos viciados, logo de maior potencial para viveiro e probabilidades de melhores vivências. Se Fernando Falé lograr ser ‘embaixador’ do fomento da formação entre os principais actores nacionais da patinagem, terá dado bom contributo à nação, à parte ser o técnico-seleccionador.

E a maior aliança do seleccionador deve provir das associações provinciais de patinagem, durante os três anos do seu mandato. Não sei se terá orçamento para essa ‘vigília’, contudo, espera-se que em 2018 e 2019 possa haver plantio de pequenos projectos ao longo das linhas férreas de Benguela, de Luanda-Malange, e do Namibe, vectores que têm o condão e particularidade de parecer pré-determinar em Angola o mapa da patinagem. Consultem a história e notarão esse detalhe, que não será certamente fruto de acaso.
– \"É um trabalho muito mais profundo do que o imediatismo dos resultados\", defendeu-se Fernando Falé relativamente ao projecto da selecção, a precisar de renovação; e disse mais.

“Até 2019, queremos iniciar a renovação, criar a estrutura e o dinamismo necessário. Com ou sem Fernando Falé, depois logo se vê...’’, concluía o técnico à Lusa/Sapo; e ao que já deixou entrever Montreux, vai ser com ele. Se o centro especial de treino for reactivado, servindo para encontros regulares, estágios e treinos de patinagem, o técnico não dará por inútil o esforço que fez por tê-lo criado em 2015.

No país houve um desenvolvimento das infra-estruturas para o desporto de alto-rendimento ao mesmo tempo que houve um retrocesso nos recursos humanos, que não estão mais à altura do comando de outrora, sendo sintomático como os clubes e principais modalidades têm recorrido cada vez mais a técnicos estrangeiros.

No entanto deverá a prometida ‘Escola de Guarda-Redes’ ser a jóia da coroa de uma promessa com três anos para se materializar no hóquei em patins, de acordo com o seleccionador. Realmente, estas escolas de aperfeiçoamento já deviam existir em outras modalidades, apesar de no andebol e futebol haver treinadores de guarda-redes sem contudo ser em centros especializados e ‘abertos’ aos demais actores.A par da patinagem, o basquetebol de Angola parece estar a viver presentemente um sonho confirmado: organizar o próximo Afrobasket!

Não há melhor marcha para uma selecção, que competir em ciclos regulares e criando resistência competitiva, entre outros atributos de um jogo e de uma competição. Assim e se confirmar-se a realização em Angola do próximo Afrobasket sénior masculino, será um sonho tornado realidade, pois o ciclo da selecção de Angola será enriquecido em 2017. E a precisar disso, visto estar a renovar-se igualmente.

Depois do que parece ter sido mais uma clivagem do seleccionador campeão panafricano, Carlos Dinis, indisponível em renovar por uma causa que todavia não o veio a impedir de continuar ao serviço do seu clube, ASA, enquanto era o seu então adjunto, Manuel Silva ‘Gi’, quem teria que assumir as rédeas de um grupo sem nada de fácil na sua composição. Sobrou a ideia de que Carlos terá pretendido – mas sem ‘coro’ nem sucesso - ‘enterrar’ a selecção e baptizar outra.

Admitindo que o Afrobasket vai ser mesmo em Angola e por maioria de razão em seis pavilhões e cidades diferentes – Benguela, Cabinda, Huambo, Luanda, Lubango e Malange – será que alguém virá estragar a festa e ‘anunciar’ que algum pavilhão está ‘off’, mal-conservado e indisponível? Oxalá, não...
A festa do basquetebol será igualmente para os adeptos nas bancadas, na rádio e na tv, na imprensa e nos aglomerados de seguidores e prosélitos em zonas de fãs, bares e outras, mas será um festa que vamos poder tornar à nossa maneira.

Surpreendida pelo Congo, a FIBA-África já saberia de cor que o seu Plano B não excluiria jamais ...Angola! Ela sabe – e pela primeira e única vez levou a sério ter-se um grupo em cada pavilhão e cidade diferente – no entanto não deverá vir fazer exigências como em 2007 – ‘entrada em vigor’ da fórmula Made in Angola de 4 cidades/4 pavilhões – quando a FIBA-África elevou a fasquia de modo tal, que parecia tratar-se de um ‘Mundial’.

Os campeonatos que se seguiram, em Benghazi e Tripoli (Líbia, 2009), em Antananarivo (Madagáscar, 2011), em Abidjan (Côe d’Ivoire, 2013), ou Sousse e Tunis (Tunísia, 2015) nunca se esforçaram pelo padrão que Angola atingira, porém, não será tanto pelo nosso padrão que o ‘Afrobasket’ regressa.

Angola poderá (e deverá, em princípio) albergar o Afrobasket 2017 num período particularmente difícil para a sua selecção e ‘entourage’ técnico, sendo agora maior a pressão sobre a equipa técnica, caso venha a jogar em casa e em submeter-se à maior pressão ‘de ter de ganhar’. Mas nenhum dos próximos sinais será pior, para a selecção, do que o facto de jogar em casa lhe retirar sonhos de um estágio bem feito e preferencialmente ali onde se jogar basquetebol até pelo menos uma semana antes do Campeonato Africano.

Conquanto seja um estágio diferente do do hóquei, ou de outros estágios que o próprio basquetebol já teve, sem adversários e constrangido a jogar seja com uma equipa de atletas pegos na rua e pagos na hora para formar uma equipa contra Angola, seja quando foi preciso juntar empregados do hotel para defrontar os ‘ene’-campeões, ambas situações, entretanto, flagradas em estágios preparados cientificamente.
Entretanto não há dinheiro, haverá Afrobasket?

Arlindo Macedo

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