Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

No ms da Mulher

30 de Março, 2015
Em termos de acontecimentos desportivos, Março constituiu-se numa constelação de factos, dos quais extraímos alguns que fundamentam a abordagem de hoje. O país foi brindado com a qualificação da Selecção sénior feminina de andebol, aos jogos olímpicos do Rio de Janeiro, proeza conseguida frente a Tunísia que tem em posse o título de campeã africana que as angolanas conservaram durante muitos anos e que fazem delas as donas da hegemonia do andebol feminino, a nível do continente berço da humanidade.

Mais do que uma qualificação, a referida conquista representa a consolidação de um processo de renovação da Selecção angolana que merece a aprovação colectiva, pois está em vista a continuidade da força do nosso andebol sénior feminino. Ademais, o torneio Pré-Olímpico foi um bom balão de ensaio para os jogos do Rio de Janeiro e o Mundial que se avizinham.

Continuando, e mudando de direcção, aportamos no desporto rei que no mês de Março testemunhou as “chicotadas” psicológicas dos treinadores das equipas do Sagrada Esperança e do Recreativo da Caála, por razões que, acredito, diferem em cada uma das agremiações, apesar do discurso final apontar, nos dois casos, para os maus resultados.

Em relação ao Sagrada Esperança cuido que a razão principal baseia-se no desentendimento entre empregador e empregado, sustentadas pelas “bocas” lançadas pelo treinador que, no alto do que considero ingerência, veio a público afirmar que a equipa da Lunda Norte estava a ser mal gerida.
E digo ingerência porque defendo o princípio de que os treinadores devem realizar a sua actividade à margem de preocupações com os valores da gestão da vida corrente do clube que é uma questão de direito aos membros da cúpula directiva e, quando obrigada a qualquer acção de esclarecimento, deve a direcção fazê-lo ao corpo social, patrocinadores, sócios e estruturas afins, sendo apenas este, o meu entendimento.

Sobre o assunto mais não digo, ficando a referência de que a esperança do futebol da Lunda Norte não está assim tão sagrada como são, ou pelo menos devem ser, as mulheres, para cada um de nós. Em relação ao Recreativo da Caála, o despedimento do treinador Túbias foi somente a confirmação da profecia em decorrência da mal explicada saída de Bernardino Pedroto, que se sentou no “banco” da equipa do Planalto em apenas um jogo.

Disse ter sido a confirmação da profecia em função de várias situações que estavam a olho de quem quisesse ver com algum sentido analítico profundo, dentre os quais o facto de ter sido Túbias adjunto de Pedroto, aliado ao facto da equipa estar a fazer uma navegação turbulenta no Girabola com a marca de campeã dos empates.

E como que antecipar um infortúnio igual ao ocorrido com o Titanic, o capitão do navio Caalense decidiu mudar o rumo das coisas e mais uma vez, para não variar, encontrar no treinador, a única razão para as ausências das saborosas e desejadas vitórias. Não que a chicotada psicológica na equipa do Huambo seja coisa de outro mundo, mas sim pelo formato que vai tomando, de useira, vezeira, simplista e porque não, esperada!

Fica para os próximos tempos uma abordagem algo mais profunda sobre os despedimentos dos técnicos da equipa do Recreativo da Caála, que deverá ter outros contornos extra desportivos. Para terminar, uma referência à reunião que a Federação Angolana de Futebol realizou com os clubes tendo como pano de fundo a pretensão da criação de uma liga que, na minha opinião, não é o único acto por via do qual serão resolvidos os muitos assuntos que conspurcam o futebol angolano.
CARLOS CALINGO

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