Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

No pagam dvidas e contas como vo gerir melhor?

23 de Abril, 2018
José Sócrates, antigo primeiro ministro de Portugal, chegou a afirmar, a dada altura em que a dívida financeira de Portugal crescia insustentavelmente, e as contas não eram tão transparentes, que: \"Para pequenos países como Portugal e Espanha, pagar a dívida e procurar saber se as contas estão em dia é uma ideia de criança. As dívidas são por definição eternas. As contas gerem-se. Foi assim que eu estudei\".
Que disparate, ainda por cima, em cima (perdoem-me o pleonasmo) de um absurdo!
Porém o que fica na retina é que José Sócrates deu a entender, que na gestão da coisa pública ou privada, há coisas que não incomodam nada, não tiram o sono, tampouco trazem pesadelo.
A questão é só gerir, nem que for com prejuízos, não importa quem esteja a fazer a tal gestão, se tem ou não pouca capacidade, habilidade, competências, habilitações ou \"genica\" para o efeito.
Embora possa correr o risco de ser vítima de uma certa \"inquisição pública\", por quem se ache visado pelo que vou dizer a seguir, a verdade é que no caso de Angola, em termos de gestão e prestação de contas no desporto, fizemos o percurso indicado por José Sócrates, pecando só e apenas na diferença: é que fizemo-lo nos três sentidos diametralmente opostos na questão de tempo: ANTES, DURANTE e DEPOIS.
Senão vejamos, muitos dos recursos financeiros canalizados para o desporto de uma maneira geral, foram mal geridos e as receitas uma variável muito pouco controlada, pelos dirigentes de \"costume\", que continuam em plena crise financeira-económica a fazer, a peregrinação ao \"santuário do ainda pai-filho- e- espirito santo\" do desporto nacional em busca dos dinheiros para poderem manter as suas equipas a competir ao \"mais alto nível\".
Ao invés de privilegiarem a gestão desportiva, no sentido etimológico da palavra, como aquela ciência muito parecida as três irmãzinhas sentadas juntas numa sala de aula de uma escola, nomeadamente: (1) Profissionalismo na gestão; (2) Auditoria ao modelo de gestão, sendo que não basta simplesmente que os números batam certo, na hora de fazer as contas; (3) Auto- sustentabilidade do modelo de gestão, continuam a dar preferência e primazia a fórmula muito useira e vezeira na burocracia: Criar DIFICULDADES, para depois comprar e vender FACILIDADES.
Resultado? Todos devem a todos e ninguém paga ninguém!
Agora que despertamos tarde e, que só resta, mesmo correr atrás do prejuízo é que vamos todos concordando que é muito relevante o profissionalismo, a seriedade e o comprometimento com a gestão desportiva, porque tem impactos positivos ou negativos na credibilidade e imagem dos dirigentes desportivos, bem na obtenção de patrocínios ou parcerias.
E neste quesito, não se pode colocar de fora, o denominador comum, que sempre vai servir de referência para quem, mais do que olhar de fora, sabe de tudo um pouco que acontece dentro das \"quatros paredes\" da gestão desportiva nacional, refiro-me aos três pólos naturais do tempo: Passado, Presente e Futuro.
E olhando para esses quesitos e fazendo jus a tão propalada actuação pedagógica e didáctica por parte do Ministério da Juventude e Desportos junto das federações desportivas nacionais, para uma mudança em relação a uma gestão e prestação de contas profissionais por parte dos dirigentes desta entidades, prefiro como sempre ficar na retranca.
Espero melhor, mas também estou preparado para o pior, porque já estou habituado.
Porque sinceramente não estou a ver muitos dos dirigentes ainda hoje ligados ao desporto nacional e que até ontem foram os principais responsáveis pelo seu actual estado de falta de credibilidade, falta de organização, falta de verdade desportiva, pela sua crassa corrupção generalizada, serem os mesmos que amanhã vão aproveitar na plenitude o potencial económico e comercial do nosso desporto, que está mais do que escondido, subaproveitado, banalizado e desvalorizado.
E aqui salvaguardando e respeitando as devidas distâncias, limites e fronteiras, recorro em termos comparativos propositadamente àquilo que está acontecer com a Lei de repatriamento de capitais ilícitos, com aquilo que se pensa que pode vir acontecer com a gestão desportiva nacional, por causa da crise que nos assola há mais de três anos.
Se não altura em que levaram o dinheiro (quase) todo, ao ponto de deixar o país no fundo do poço não pensaram em ser bons patriotas, agora que se \"pede\" e até se “implora” que tragam de volta todo aquele dinheiro, é que vão ser considerados bons patriotas?
Como dizia em Kimbundu a minha já falecida avô, depois de um bom muxoxo: Wa saluka!
Nzongo Bernardo dos Santos *
Mentor e Gestor Executivo
do Fórum Marketing Desportivo

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