Jornal dos Desportos

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Opinio

No "rei-futebol" no h poderosos

15 de Setembro, 2018
Quis o destino que, nos quartos-de-final da Liga dos Campeões Africanos o 1º de Agosto fosse apurado e calhasse, no sorteio, com o “Todo-Poderoso” Mazembe do ex-Zaíre, agora República Democrática do Congo (RDC).
Quis o destino que assim fosse e, se assim Deus permitiu, assim será. Aliás, sabe-se que no futebol não há poderosos totalitários. Na verdade, o único Poderoso que se conhece, até prova em contrário é precisamente o responsável por este “destino” que aqui temos estado a aludir. O único Poderoso de verdade, é Deus. Este sim!
Aliás, tenho a impressão que, foi ele, pelas suas infinitas razões celestiais que terá proporcionado que, nestes quartos-de-final o nosso embaixador nas Afrotaças defrontasse este “papão” do futebol africano talvez para engajar o 1º de Agosto numa grande empreitada e lhe conferir a sustentabilidade que merece. Ou seja, se se quer ser grande, tem que, necessariamente jogar com os grandes.
Dizia que apesar do nome do rival de circunstâncias ser TP Mazembe, ou Todo-Poderoso Mazembe isso não quer dizer que, na verdade é mesmo “Poderoso” aliás, sei que, no futebol não há poderosos.
O que há são equipas bem estruturadas, disciplinadas tacticamente, bons executantes e, enfim, o cumprimento de determinados pressupostos que, depois lhe conferem a consistência em campo. Isso é inequívoco
Sendo nosso vizinho do outro lado do rio, a equipa da RDC há muito que trilha um caminho cheio de glória a nível do continente, fruto de boa organização administrativa e financeira e de visão objectiva dos seus dirigentes que à determinada altura assumiram conquistar a África do futebol e (…) conseguiram-no, convenhamos.
Mas, ainda assim, mesmo com uma equipa composta, cheia de atributo e recursos humanos qualificados, quer no capítulo técnico, físico e táctico, o TP Mazembe não pode, nem deve ser encarado pelo 1º de Agosto como o tal “bicho-papão” e o “todo-poderoso” do continente.
Se assim for, vale a pena nem entrar em campo e deixá-lo levar, de bandeja, a eliminatória para as meias-finais. Acredito que não é bem assim!
Nas hostes do 1º de Agosto, para o jogo desta tarde, a partir das 17h00\' no estádio “11 de Novembro” a decisão tem de ser “abrir o peito” e jogar o que sabe na perspectiva de tentar fazer um resultado confortável para a segunda mão no terreno alheio.
Este pensamento surge pelo facto de termos a percepção que, há muito o nosso d’Agosto pretende “dar gosto” aos seus adeptos em particular e, aos angolanos em geral, conquistando a África do futebol.
Pela sua grandeza, pela sua organização e pela forma que se tem estruturado, os dirigentes do clube central das Forças Armadas Angolanas (FAA) sabem bem que é possível ser grande em África. E os caminhos a trilhar, são necessariamente estes.
Esta tarde, tudo pode ser diferente. Pode ser a reviravolta, depois de há alguns anos termos falhado um penaltie, curiosamente também diante de um chamado grande, o Esperance de Tunis, que nos daria um título africano. Afinal é possível sim.
O importante é acreditar. Não se pode permitir que o “tal” “TP” venha aqui fazer das suas. Eles têm que perceber que terão pela frente um adversário competente e que, apesar de tudo, também nos temem.
Isso será importante para nós, até porque, jogando em casa, na primeira mão, temos que nos esmerar em não sofrer golos e procurar marcar, com uma margem satisfatória, a ponto de lhes retirar a ambição de fazer reviravoltas em casa, como é sua marca.
A experiência é a principal marca do adversário do 1º de Agosto que, por essa via, pensa que é mesmo “poderoso” mas, a prática tem provado que, realmente no futebol, não há poderosos absolutos, nem tão-pouco o Mazembe é imbatível.
Agora, é necessário aconselhar a calma, a serenidade e o fair-play, quer para os jogadores como para os adeptos de ambos os lados. Sei que haverá hoje no estádio, grande euforia de um lado e outro, dado a rivalidade que por vezes se assiste entre esses dois povos vizinhos. As comunidades congolesas residentes deverão ter calma e civismo para perceber os fenómenos. Seja qual for o resultado, o “fair-play” deverá imperar. O abraço fraterno e a alegria deverá ser a tónica.
Afinal, somos todos protegidos pela sombrinha do altíssimo, esse sim, o Todo-Poderoso Deus, porque no futebol (…) rigorosamente, não há poderosos!!!...
Morais Canãmua

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