Jornal dos Desportos

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Opinio

Noites brancas

23 de Junho, 2018
O escritor russo Fiodor Dostoievski deu corpo ao fenómeno noites brancas em São Petersburgo, quando em 1848 escreveu um romance com a mesma denominação, sobre o que acontece, nesta altura, em algumas partes do hemisfério norte.
As noites brancas que acontecem no solstício de verão em regiões mais ao norte do planeta, deixa as noites com apenas cinco horas de duração e o céu nocturno mais claro. Por esta altura, na cidade russa, vive-se uma forte efervescência cultural que toma conta dos moradores.
No Mundial, além das selecções que passam por São Petersburgo e arredores, apenas para os jogos na cidade, quatro selecções fazem da urbe o seu quartel-general: Arábia Saudita, Croácia, Coreia do Sul e Inglaterra, cujos jogadores vivem o dilema de se adaptarem aos fusos horários, o que não é nada fácil, se atendermos que os atletas precisam de muitas horas de sono.
Com a qualificação aos \"oitavos\" já assegurada, os croatas deram mostras de não se sentirem abalados com os \"dias intermináveis\" em São Petersburgo, e o mesmo pode acontecer com ingleses e sul-coreanos. O que não se pode dizer dos sauditas que, precocemente eliminados, esperam apenas pelo adeus final na última jornada do seu grupo.
O Mundial da Rússia tem sido marcado por \"frangos\" e ofertas, que começaram no duelo ibérico entre Portugal e Espanha, quando De Gea, numa fífia monumental, ofereceu um golo a Portugal, e teve seguimento na derrota comprometedora da Argentina diante da Croácia, com o guarda-redes Caballero a ser o protagonista, na oferta a Modric durante uma reposição de bola.
A isso, juntam-se os 23 auto-golos registados até quinta-feira, naquilo que os brasileiros chamam de \"fogo amigo\". Golos marcados na própria baliza só beneficiam os adversários e, no final, quando as selecções fizerem contas da sua participação, certamente que muitos atletas terão dedos apontados à cara.
A selecção do Irão espera o apoio das mulheres do seu país, para poder chegar aos oitavos de final do Mundial. A decisão acontece contra Portugal, na terceira jornada do grupo B, em que uma vitória iraniana coloca a formação asiática na fase seguinte.
Tocado pela presença feminina na derrota para a Espanha, o capitão Masoud Sojaei defendeu a presença das mulheres nos estádios, também na sua terra natal.
Sem constrangimentos, Sojaei disse que gosta de ver as mulheres iranianas nos estádios, adiantando que foi um grande passo para a liberação das mulheres nos estádios ter espectadoras, no jogo contra a Fúria espanhola.
O maior estádio do Irão chama-se Azadi, que significa liberdade, mas adeptos locais dizem que tal nome não faz sentido, se não poder receber mulheres, pelo que já fizeram uma petição ao presidente da FIFA, que tinha como meta atingir 75 mil assinaturas.
Ontem, o Brasil sofreu que se farta para chegar ao triunfo no jogo com a Costa Rica, milhões de almas brasileiras esperaram até ao fim que Deus fosse brasileiro e que o conjunto não seguisse o mesmo caminho dos seus \"hermanos\" argentinos.
Pois, o Brasil ganhou, os brasileiros suspiraram de alívio, mas alguns adeptos continuam, pela negativa, a manter o país na boca do mundo, com actos despropositados de assédio e atitudes de malcriadez às cidadãs russas.
É tempo de Mundial, é verdade, mas é preciso que em casa alheia se respeite a honra e os costumes dos donos da casa.
Na Rússia, e certamente com saudades em que era o \"patrão\" da FIFA, está o ex-presidente Joseph Blatter, segundo se diz a convite do presidente Putin.
Uma presença que, certamente, não era desejada pelo actual elenco do órgão reitor do futebol mundial, ademais quando Blatter ainda cumpre uma suspensão do futebol até 2021, por problemas de corrupção no organismo, na altura em que era o dirigente máximo.
O certo é que o suíço está por lá e em conversas com o presidente Putin, que não ignora o facto de ter sido em grande parte ao empenho do ex-dirigente da FIFA, que a Rússia ganhou o direito de organizar este Mundial.
Fontes Pereira

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