Jornal dos Desportos

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Opinio

Nossos pontas sem...\"lanas\"

22 de Agosto, 2017
A história do Girabola regista algumas goleadas memoráveis que representam marcas indeléveis que dificilmente serão esquecidas pelos adeptos das equipas protagonistas, estejam elas na condição de \"vítimas\" (as goleadas) ou \"transgressores\" (as que goleiam), passe a negatividade dos termos achados entre aspas, que devem ser positivados.

Em jeito de recordação, talvez as goleadas mais marcantes continuam a ser àquelas que envolveram os maiores rivais do futebol angolano, no caso Petro de Luanda e 1º de Agosto, cifradas em 6-2 e 6-0, favoráveis aos homens do Eixo Viário, ocorridas na década de oitenta e, acredito, continuam entaladas na garganta dos Rubro e Negros.

Curiosamente, é o 1º de Agosto que está envolvido numa das maiores goleadas protagonizadas pelo Atlético Sport Aviação, quando \"entulhou\" 7 ao adversário com quem partilha a hegemonia de presenças em campeonatos nacionais de futebol, facto que faz delas, as únicas totalista da história do futebol nacional.

Para cá não são chamadas outras tantas goleadas como as que o 1º de Agosto impôs aos Andorinhas do Kwanza Sul, (será mesmo esta equipa?), e à uma outra agremiação do Cunene que a memória não me ajuda a recordar, facto que prova a irreversibilidade da idade que, como se diz, não perdoa.

Também é dispensado o histórico resultado de 7X6, registado num jogo entre o Petro de Luanda e o 1º de Maio de Benguela, disputado no \"falecido\" Estádio Municipal dos Coqueiros, diga-se de passagem, uma verdadeira propaganda ao nosso futebol, regalado com um festival de golos…Ai que saudades!

Com toda a razão, o respeitável leitor deverá estar a questionar-se o propósito deste recital de recordação, pelo que a resposta segue-se, sem mais delongas, nos parágrafos posteriores, sendo apenas a minha opinião sobre o assunto, que deve ser entendida apenas como tal, sem peso ou alguma intenção para clausular outras que possam enriquecer a abordagem.

Em concreto, tudo a propósito de uma \"reclamação\" expressa por altura dos últimos jogos dos Palancas Negras, nos quais foram marcados poucos golos, pronunciamentos que fizeram ressuscitar o \"fantasma\" da escassez de pontas de lança no futebol, que sejam genuinamente angolanos, aliás, uma constatação que não é tão nova quanto ao tempo da sua reapresentação.

E não sei se não terei já abordado o assunto neste ou noutros espaços. Ainda assim nunca é demais, até por que é conclusiva a existência de um elevado défice de jogadores desta posição, que são os responsáveis pela marcação de golos dos quais dependem os êxitos de qualquer equipa em termos de vitória e por conseguinte atingir-se os objectivos.

Por um olhar rápido à lista dos melhores marcadores do Girabola Zap 2017, facilmente nos deparamos com o indicador de ser uma certeza a gritante ausência de pontas de lança genuinamente angolanos, atendendo que as três primeiras posições são ocupadas por estrangeiros, no caso, Tiago Azulão, Jacques e Rambé, pelo menos até ao momento da elaboração deste texto.

Mais do que isso, preocupante também é a quantidade de golos que (não) são marcados, o que retira certa beleza ao espectáculo do desporto rei, que como alguém certa vez adjectivou, tem no golo a sua vitamina, ao mesmo tempo a delícia dos adeptos. Será este igualmente um factor que afasta os adeptos dos campos de futebol? Independentemente da resposta, a verdade é que deve-se olhar para a questão como uma preocupação colectiva, pois como atrás referi, em última instância, a Selecção Nacional é das mais prejudicadas nos seus intentos.

É bom lembrar que não faltam exemplos de pontas que para além de terem mesmo lança, brilharam nos relvados nacionais e não só, tal como Alves, Jesus, João Machado, Maluca, Vata, Vieira Dias, N’disso, Amaral Aleixo, André da Cuca, Túbia, Isaac, Flávio Amado, etc, e podem ser aproveitados para um bem elaborado processo de “criação” de pontas de lança, na perspectiva de se colmatar o défice que se regista.

Permito-me a ousadia desta insinuação, por constatar igualmente que entre os jogadores atrás citados, são poucos os que labutam no ofício, e muitas vezes não é por falta de vontade ou disponibilidade deles, mas se calhar, porque os que mandam no futebol não dão a mínima importância ao pormenor que, quanto a mim, é que faz a diferença.
Carlos Calongo

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