Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Nova poca, novos desafios

03 de Março, 2017
A época futebolística 2017 arrancou, faz amanhã um mês. Por conseguinte, o Girabola, competição de maiores paixões já rola, espevitando paixões e emoções, apesar de um início manchado de sangue, na sequência do incidente ocorrido no estádio 4 de Janeiro, no Uige. Enfim, foi feito o convite aos \"artistas da bola\", para o regresso à arena, e devolvida ao grande público a alegria contagiante que só o \"rei futebol\" consegue proporcionar, tenha lá ele os defeitos que tiver, tenha lá ele os problemas que tiver, tenha lá ele o nível de organização que tiver.

Desde já, são duas competições que preenchem a época, sendo a mais importante o campeonato nacional da primeira divisão, ainda que, geograficamente falando, a Taça de Angola tenha uma expressão mais nacional. Mas, é o Girabola que preenche maior espaço, que domina maiores atenções, que apaixona mais corações e que também maior pomo de discórdia proporciona entre os próprios fazedores.

Na verdade, depois que o 1º de Agosto ergueu a Supertaça, houve só mais uma semana ao meio, para que a bola começasse a rolar no campeonato.

Foi a reabertura dos caminhos que dão aos estádios de futebol, e a devolução dos homens à folia da bola. Num tempo em que as grande ligas europeias nos entram casa a dentro, com futebol mais polido, até pode parecer patético desatar em tantas referências à prova doméstica.

Mas queiramos ou não, o Girabola é ainda um dos nossos produtos desportivos de maior consumo. Pode ter perdido muito em termos de graça competitiva, se partirmos para comparações com edições disputadas por exemplo nos anos 80 ou 90. Mas é nosso, e como tal deve ser tratado com a devida paixão nacionalista. Porque afinal ele pode melhorar a sua qualidade, desde que todos saibamos como fazê-lo e, sem quaisquer espécie de pressões, arregaçarmos as mangas de camisa para esta empreitada.

E mais: concebido à nascença como factor de Unidade Nacional, numa altura em que o país ainda tentava se erguer das cinzas da secular colonização, com propósito de juntar um povo etno-linguisticamente esquartejado pelas taras do passado, o Girabola é já uma marca, que por esta via deve sensibilizar a todos. A qualidade competitiva conquista-se com políticas de fomento bem delineadas e acompanhadas.

Entretanto, o começo de nova época não reflecte apenas satisfação, deixa também escapar alguma incógnita, quanto à capacidade das equipas competidoras suportarem as exigências. Pois, nesta fase de recessão económica, nem todos estão preparados para os \"altos e baixos\" a encontrar lá mais para frente. Ainda assim, é de louvar a ousadia das equipas que se entregam à competição.

Por exemplo, a época abriu com uma contrariedade. A desistência do Benfica de Luanda do campeonato nacional, por razões estratégicas, como foi avançado. A FAF desembaraçou-se a encontrar um substituto, vai-se lá saber até que ponto este também estará preparado. De resto, as ameaças de retirada no campeonato nacional não são de hoje. Na edição passada foram muitas as equipas cujas direcções aventaram possibilidade de desistência, embora sem terem chegado a concretizá-la.

Mas, hoje que \"diversificação económica\" quase virou uma cadeira no currículo académico, é bem provável que os clubes já tenham absorvido conhecimentos que lhes permitam encontrar alternativas que ajudem a acudir eventuais crises que possam surgir ao longo da época. Afinal estar nas competições continentais(no caso do Libolo, pois o 1º de Agosto já foi à vida), na Taça de Angola e no Girabola, é uma obra hercúlea. É um exercício que requer alguma genica administrativa e mais do que isso, apurada sagacidade nas contas se somar(subtrair é pecado).

Mas, não se pense no mal. Vamos acreditar na capacidade das nossas equipas, só deste modo podemos alimentar esperança numa época sem contratempos, que seja marcada por futebol de qualidade aceitável, que não só agrade o público consumidor, mas também infunda a sensação de a modalidade estar numa fase de profunda revitalização.
Matias Adriano

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