Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Nova era na arbitragem

16 de Junho, 2017
“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura\". Com recurso a este aforismo, ocorre-me dizer que era sem tempo pôr ordem na casa. Mas durante anos a fio se foi protelando uma situação que não só fere a verdade desportiva como também assume uma propensão de sabotar o trabalho das equipas, quando estas são derrotadas não pelo adversário directo, mas por \"engenharias\" da arbitragem.

A Federação Angolana de Futebol, através do seu Conselho de Arbitragem passa a publicitar os nomes dos árbitros sancionados por práticas indecorosas, que têm mais a ver com actuações casmurras, em que deliberadamente se prejudicam equipas a favor de outras, sendo a acção protagonizada por aquelas que, não contando apenas com o seu potencial competitivo, jogam no seguro.

Dá-se, portanto, o passo firme e decisivo no combate de um mal que campeia, faz tempo, no nosso futebol. É evidente que em certas ocasiões faltaram provas materiais, ficando-se por meras suspeições. Mas quando a gritaria daqueles que se julgam prejudicados invade a grande sanzala, as coisas começam a tomar outros contornos.

No caso do Girabola, à guisa de exemplo, de edição para edição que ouvimos treinadores e dirigentes de clubes a queixar-se da actuação dos árbitros, que se não assinalam penaltes que só os seus olhos enxergaram, fazem vista grossa a todas faltas da equipa com que tenham algum acordo de cavalheiros.

É uma verdade insofismável que para haver um corrupto tem de haver um corruptor, dai talvez se possa entender que os homens do apito não estão sozinhos neste \"negocinho\", nele também estão os dirigentes de clubes, a quem se deve pedir responsabilidade, sendo que são eles os donos do primeiro passo.

Seja como for, o que interessa realçar aqui é que o Conselho Central de Árbitros foi feliz nesta tomada de medida, porque desencoraja uma acção nociva para o futebol, para o desporto. Fazemos apelo que interaja mais com o Ministério Público de modo a que os clubes também sejam responsabilizados, sempre que incorram na atitude de \"compra\" de resultados.

De resto, prejudicar deliberadamente uma determinada equipa não deixa de ser um acto criminal, em face das consequências que possam advir dai. Afinal não poucas vezes treinadores se viram despedidos das suas equipas na sequência de maus resultados. Muitos destes maus resultados resultaram, às vezes, da sabotagem das arbitragens.

Em síntese, tira-se emprego a um chefe de família, não por se revelar incompetente no seu trabalho, mas por lhe ter aparecido à frente um árbitro, que no anseio de tirar a barriga da miséria, sem olhar a meios, prejudicou-lhe, jogando por terra todo um trabalho desenvolvido ao longo de uma semana intensa, muitas por entre clima pouco favorável.

Fica assim estabelecido o princípio de igualdade de tratamento, já que os atletas e técnicos quando são sancionados, a coisa fica de domínio público. É também uma forma acertada de inibir os prevaricadores, sendo que ninguém vai querer ver o seu nome volta e meia estendido na praça pública.
MATIAS ADRIANO

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