Jornal dos Desportos

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Opinio

Nova era para o futebol angolano

07 de Novembro, 2019
A Selecção Nacional de Futebol de Sub-17 terminou a sua histórica participação no Mundial do Brasil, ao ser eliminada pelo Coreia do Sul por uma bola a zero, numa partida em que foram totalmente superiores ao adversário.
Podemos considerar que a eliminação do onze angolano foi como que “morrer na praia”, pois o adversário esteve totalmente ao nosso alcance e arrisco-me a dizer que tecnicamente falando é inferior ao Canadá, selecção que foi categoricamente derrotada pelos nossos bravos rapazes. Entretanto, apesar da derrota e consequentemente terem sido eliminados da competição, os nossos rapazes fizeram muito boa figura no presente Mundial, abrindo uma nova era para o futebol Angolano.
É importante recordar que na primeira fase Angola venceu a Nova Zelândia e o Canadá por duas bolas a uma e perdeu contra o Brasil por duas bolas a zero. Curiosamente, foi diante dos anfitriões que a nossa equipa fez a sua melhor exibição.
Em minha opinião, esta foi a melhor prestação de uma selecção angolana de futebol em competições internacionais, pois pela primeira vez tivemos uma equipa cheia de atitude praticando e com uma qualidade acima da média.
Pela primeira vez, tivemos uma selecção, que apesar da sua juventude, conseguiu dignificar o nosso futebol e surpreendeu o mundo, deixando uma grande mensagem. Jogadores como Geovani, Afonso, Maestro, Zini, David, Capita, Zito Luvumbo, e outros mostraram ao Mundo o que é o futebol “made in Angola”. Em função da soberba exibição dos Sub-17, o nosso futebol em todos os escalões é obrigado a fazer melhor. Ou seja, espera-se que doravante os nossos representantes nas competições internacionais quer a nível de selecções ou de clubes, tenham outra atitude competitiva.
Por exemplo, os Palancas Negras, passarão a sofrer uma grande pressão depois desta grande exibição dos Sub-17. Todo Mundo vai querer que os “mais velhos” façam melhor ou no mínimo igual aos Palanquinhas.
A influência da atitude dos nossos rapazes no Mundial do Brasil, foi notória no último dérbi nacional, no passado dia 3 no Estádio 11 de Novembro, entre os dois maiores colossos do nosso futebol, o Petro de Luanda e 1º de Agosto.
A ultima a vez que vimos o Estádio 11 de Novembro, com aquela moldura humana perto das 50 mil almas, foi no jogo entre os militares do “Rio Seco” e TP Mazembe da República Democrática do Congo (RDC), no jogo da primeira mão com resultado nulo. Aquela moldura humana compareceu ao estádio como forma de exigir aos kotas uma exibição de alto nível. E assim aconteceu. Já há muitos anos que não víamos um \'trumuno\' com aquele nível entre as duas equipas.
Isto implica dizer, que por “culpa” da excelente exibição dos nossos rapazes da Selecção Nacional de Sub-17, o nosso futebol está condenado a evoluir. Não tem como não ser assim, porque se assim não for o Mundo não nos vai perdoar.
É caso para dizer que a Federação Angolana de Futebol (FAF) tem a partir de agora a responsabilidade de não deixar que esta semente que foi plantada pelos Sub-17 morra. Isto implica dizer que esta geração de jogadores deve ser protegida até atingirem o escalão sénior a nível de Selecções Nacionais. A FAF, terá de criar mecanismos, e projectos para manter estes bravos rapazes em alto nível o que vai implicar um acompanhamento aturado mesmo através de suas equipas. Isto só será possível se haver uma aproximação saudável com as direcções de seus respectivos clubes.
Seria muito triste ver um destes garotos perdidos nas ruas da nossa capital a consertar telefones, ou a venderem saldos, ou em ambientes de grupos de bebedeiras ou outros comportamentos nocivos como aconteceu com vários talentos que acabamos perdendo.
Este tipo de situações só podem ser evitadas se haver políticas que obriguem os seus respectivos clubes a protegerem os rapazes por dar-lhes oportunidades de aparecerem nos demais escalões das suas agremiações.
É importante também, proteger-se os jogadores de situações nada abonatórias como as que o jovem Capita viveu antes da ida ao Mundial e que de certa forma pesou bastante no seu desempenho ao serviço da Selecção Nacional.
Por outro lado, temos de reconhecer e aplaudir o grande empenho das direcções de clubes como o 1º de Agosto, Academia de Futebol de Angola (AFA), Interclube e outros, na formação destes jovens talentos que muito orgulhosamente nos representaram no Mundial do Brasil. Não restam dúvidas que o futebol deve começar na base, o que significa dizer que o estado angolano deve prestar bastante atenção e apoio nas camadas de formação. Um grande aplauso aos bravos rapazes! Augusto Fernandes

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