Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Nova era sem novidades

26 de Maio, 2017
Com ligeiras alterações em relação ao grupo convocado em Março passado para os amistosos com Moçambique e África do Sul, a Selecção A de futebol foi convocada na passada terça-feira para dar corpo à preparação do torneio de qualificação ao Camarões\'2019, cujo adversário da primeira jornada, já no próximo dia 10 de Junho, atende pelo nome de Burkina Faso, nada mais nada menos que o carrasco do torneio passado.

Na grande praça do futebol nacional a conversa subiu de tom, a expectativa é enorme. Todos estão na ânsia de ver uma selecção mais ousada, competitivamente mais expressiva, capaz de erguer um dique intransponível entre o passado e o presente. Ou seja, entre a fase inglória de um futebol estéril e uma outra que seja mais promissora, ainda que a sua explosão leve algum tempo.

É claro que a nova direcção da Federação Angolana de Futebol não trouxe para os escritórios da Urbanização Nova Vida uma varinha mágica, que permita a inversão das coisas num pestanejar. Mas o povo tem a sua forma de pensar e encarar as coisas. É exigente e quando parte para a cobrança não olha para os timings, tampouco para os chamados períodos de graça.

Mas o que salta à vista é que juntou-se um grupo de atletas que não foge muito àquele mesmo que já temos visto a se esfarelar nas quadras de jogo sem brilho nem garra para contrariar as investidas de equipas adversárias. Claro está, que a mudança jamais podia ser repentina. Leva o seu tempo e é positivamente operada desde que haja da parte da instrutura dirigente acções planificadas.

Seria, se calhar, resvalar numa imprudência se não numa irresponsabilidade crítica dizer que os novos inquilinos da FAF têm andado alheios àquilo que se propuseram quando calcorreavam o país lés-a-lés à caça do voto que lhes facilitasse a eleição. Pode ser que não, mas há de facto muito silêncio à volta daquilo que é gizado, visando catapultar o futebol para um pedestal mais sadio.

Partiu-se à contratação do hispano-brasileiro Beto Bianchi para seleccionador nacional. Nada a contrariar, porque rompido o contrato de trabalho com José Kilamba alguém tinha de o substituir. Mas é bem verdade que suava bem aos ouvidos dos membros da tribo do futebol se tivessem ouvido dizer que também foi contratado um técnico de nacionalidade Y que se vai ocupar apenas da formação.

Não pode haver dúvida, o que futebol angolano está a precisar neste momento é uma política bem estruturada de fomento com olhos voltados para um futuro de aqui a quatro ou cinco anos. De resto, este exercício não tem ciência, bastando lembrar que os melhores momentos dos Palancas Negras foram aqueles que se seguiram a \"revolução\" de Veselin Vesco num determinado período e de Oliveira Gonçalves noutro.

As limitações que se nos colocam numa fase de recessão económica não deve servir de escudo, porque as eleições foram ontem, já com o tempo das vacas gordas ultrapassado. E quem se propôs à organização de algo que julgou desorganizado, é porque sabia com que linhas se ia coser. Dai que não colhem as lamúria e outros blá, blá, blá.

Fora isso, exige-se também que a FAF deixe de trabalhar nos mesmos moldes que trabalhou no consulado anterior, vivendo quase de improvisos, sem uma planificação sustentada das coisas. Não vamos dizer que a selecção tenha sido chamada tardiamente, nada disso. Até porque o Burkina Faso e outras selecções estão a ser igualmente chamadas nesta altura. Entretanto, as condições de trabalho estas já deviam sido providenciadas.

Temos quase a certeza que até ontem, ainda havia muita coisa a ser alinhavada. Colocamos inclusive algumas retincências quanto à possibilidade de se fazer a viagem de estágio hoje. Pois, constou-nos que até ao cair da tarde de ontem ainda existiam detalhes de foro administrativo a acertar. Portanto, de improvisos vamos indo. E neste andar um dia vamos apostar nos empechêment, porque as mudanças pressupõem melhorias. E não é o que parece...
Matias Adriano

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