Jornal dos Desportos

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Opinio

Nova mentalidade no dirigismo desportivo

24 de Agosto, 2017
O dia 23 de Agosto, ficará marcado na história de Angola, como tendo sido o da mudança de varias situações que fizeram funcionar o pais nos últimos 42 anos e que directa ou indirectamente influenciaram na maneira de pensar e dirigir o desporto angolano. 42 anos depois da independência, uma grande parte da geração que participou desta grande conquista nacional está praticamente nos seus últimos dias de vida com mais de 70 anos de idade e os que eram pioneiros estão na casa dos 50 anos.

Isto implica dizer que o 23 de Agosto de 2017, marca o nascimento de uma nova nação e naturalmente com outra mentalidade porque as condições estão praticamente criadas para que assim seja. Os erros que forçosamente foram comedidos, por um lado por causa de imperfeição dos humanos e por outro por força do contexto politico e militar que o pais viveu depois da independência nacional, servirão de grandes lições para aqueles que terão de continuar na condução dos destinos do pais.

Ao longo destes cerca de 42 anos de idade que pais tem, mesmo com grandes dificuldades, desportivamente Angola conseguiu grandes vitórias com destaques para a supremacia que ostentamos a nível do continente nas modalidades de Basquetebol em seniores masculinos com 11 títulos continentais e no Andebol Feminino, com 12 troféus Africanos.

José Sayovo, um atleta com deficiência visual, foi um dos poucos heróis a nível do desporto que estes pais viu nascer. Em 2003, no campeonato do Mundo da sua categoria no Canadá, ganhou três medalhas de ouro e bateu um recorde mundial nos 400 metros.
Em 2004, nos Jogos Paralímpicos, na Grécia, ganhou três medalhas de ouro nos 100, 200 e 400, com recordes mundiais nas três classes, deixando boquiabertos o Mundo dos Paralímpicos, para a alegria de todos os mwangolês. A nível de África Sayovo, praticamente não teve adversários a altura.

Outro ponto alto do desporto angolano foi a ida ao seu primeiro Mundial de futebol dos Palancas Negras, realizado na Alemanha em 2006 onde diga-se de passagem os nossos jogadores fizeram boa figura tendo perdido apenas com Portugal, na época com feras como Luís Figo, Pauleta, Ronaldo e outros empatado a um golo com o Irão e a zero com o México, tendo sido eliminados na primeira fase.
A realização do Mundial de Hóquei em Patins em 2013, também foi um momento de destaque no dirigismo desportivo Angolano, embora a nossa selecção tenha ocupado o modesto nono lugar.

Resumindo podemos dizer que desportivamente falando o pais teve uma prestação mediana em quase todas as disciplinas desportivas a nível do continente. Mas nos últimos anos a grande decepção dos angolanos tem sido regressão do futebol angolano que praticamente perdeu a identidade.

Mesmo assim, ao longo destes 42 anos, os homens que participaram no dirigismo desportivo, como Sardinha de Castro, Rui Mingas, General Ndalu, Comandante Orlogue, Rogério Silva, Justino Fernandes, Armando Machado, Marcos Barrica e muitos outros deram o seu melhor para que o desporto angolano atingisse os níveis que atingiu.

Graças a estes e outros dirigentes desportivos bem coadjuvados por categorizados treinadores como, Vitorino cunha, Valdemiro Romero, Mário Palma, Jinguba, e outros foi possível produzir estrelas como José Carlos Guimarães, Jean Jacques da Conceição, Zezé Assis, Miguel Lutonda, Ângelo Vitoriano, Boneco, Gustavo da Conceição e muitos outros que elevaram bem alto o nome de Angola em Africa e no Mundo a nível do Basquetebol.

Graças ao contributo de treinadores como Amílcar Silva, Chico Ventura, Smica, Nicola Beraldinelli, João Machado, Oliveira Gonçalves, e outros no futebol, surgiram grandes nomes como Ângelo da Silva, Napoleão Brandão, Carnaval, Garcia, Lourenço, Luvambo, Ndunguidi, Salviano, Jesus, Chico Afonso, Alves, Santinho, Praia, Mendinho, Saavedra, Picas, Akwa e muitos outros que dram grandes alegrias ao povo angolano.

No Andebol, jogadoras como Palmira Barbosa, Nair Almeida, Belezura, as Manas Kiala, Maura Faial, Elisa Weba, Filomena Trindade Odeth Tavares e outras grandes estrelas do andebol nacional, bem lideradas por técnicos como Beto Ferreira, Armando Gomes Culau, Edgar Gerónimo e outros fizeram furor em Africa.

No xadrez, o destaque vai para João Francisco, que foi o primeiro angolano a tornar-se mestre Fide, e dai surgiram outros como Alexandre do Nascimento, Francisco Brifel e outros. No Andebol masculino, o destaque vai para jogadores como Paulo Bunze, Pedro Neto, Pina de Almeida, Fernando Franco Maló e tantos outros.

No Hóquei em Patins, dentre outros o pais formou grandes jogadores como Caiçara, Deslandes Rafael, Kirro, Orlando Graça, Fragata, Nery, João Pinto e Johe, que também levantaram bem alto as cores nacionais em mais de 20 participações em Mundiais sendo a seleção numero um em Africa.

Por isso podemos dizer que até certo ponto o nosso desporto está numa posição razoável a nível do continente e naturalmente precisa de muitas melhorias para atingirmos níveis aceitáveis a mundialmente o que levará o seu tempo.

Tudo isto foi possível porque o cidadão José Eduardo dos Santos, foi um grande impulsionador do desporto angolano e por isso pode ser considerado por nós como tendo sido o Desportista dos Desportistas. Aliás ele mesmo considera-se um desportista emprestado a politica e que estará de regresso a sua grande paixão, o deporto, assim que terminar a vida politica activa.

Portanto, não precisamos enumerar os erros cometidos ao longo destes 42 anos, pois eles são visíveis a todos os que têm uma consciência honestas. Por isso todos os que forem indicados para fazerem parte do dirigismo desportivo nos próximos governos que surgirão depois do dia 23 de Agosto, devem revestir-se de uma nova mentalidade por aprender bem com os erros do passado. Em função desta necessidade, vemos que só deverão ser indicados para os cargos de dirigismo desportivos aqueles que realmente estiverem em condições e aptos para exercerem tais funções.
Augusto Fernandes

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