Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Nova ministra e futebol feminino

20 de Outubro, 2017
Há dias esfreguei a mão de contente quando vi, no lançamento oficial do prémio \"Palancas Negras2017\", em futebol, no auditório da Galeria dos Desportos, a ministra da Juventude e Desportos, Ana Sacramento, a dizer o seguinte: \" O futebol movimenta muita gente e representa o convívio e a fraternidade. Se melhorarmos o futebol, a nação beneficia e agradece. Por isso, é preciso fazer um casamento perfeito, na medida em que o desporto contribui no melhoramento da saúde\".

Porque o futebol movimenta multidões como disse a dignitária; porque o futebol contribui para o melhoramento da saúde como também frisou a responsável, eu gostaria que, ali mesmo, por ser senhora, puxasse também a brasa à sardinha ao lado do género que representa, falando e solicitando aos mandões da federação uma especial atenção ao futebol feminino que, na minha opinião, está a morrer, porque escasseiam as iniciativas para a sua sobrevivência, não só em Luanda, mas na maioria das províncias do o País.

Pelo menos, na minha visão, se nada neste sentido for feito, tudo indica que, mais uma vez, até ano final deste ano de 2017, será outro para esquecer em termos de desenvolvimento do futebol feminino, o que, de certa forma, mete dó às nossas \"senhoras\", estas que, a jogar à bola , até já chegam a marcar presença em dois campeonatos africanos.

O que se vê é ainda pouco para o que se exige. E isto só está assim aos \"solavancos\" porque a Federação Angolana de Futebol (FAF), não está a dar corpo - nunca deu mesmo nos últimos oito anos - à sua própria propalada política de salvar este escalão, conforme vem fazendo alardes.

É que, desde que a actual direcção entrou em funções, o que fez no que prometeu durante as campanhas para insuflar oxigénio ao futebol feminino?

Há algum tempo, não sei já precisar a data, houve num debate quente na Televisão Pública de Angola (TPA). Vi e ouvi respeitados dirigentes da FAF a dizerem que vão mesmo apostar no engrandecimento do escalão feminino, com campeonatos regulares e tudo. Não acreditei piamente.

Porquê? Porque, cá para mim, reclamo a prática vista a olho nu. O feminino merece respeito e é por isso que, pegando o fio à meada, incentivo a ministra da Juventude e Desportos a cobrar o devido valor e concretização ao futebol feminino, com apoios não só da FAF, mas, já agora também, de outras entidades competentes, que defendem quotas precisas para as mulheres lá onde os homens têm domínio maior. Isso não é verdade?...

De outra maneira não vale a pena estar-se a fazer discursos floreados em relação à boa vontade de ver as \"senhoras a jogarem como manda a lei\" e, no terreno da verdade, apenas se ver \"futebol de mentira\" neste escalão.

Como é que não se pode criticar este \"estado de coisas\", se os dirigentes da FAF, das associações e clubes não têm calendários de provas da época e a organização de outros torneios desta categoria?

Há uma iniciativa ténue a encorajar isso na província da Huíla onde já acontece campeonato provincial feminino com a participação de várias equipas em representação de seis municípios. As outras províncias têm de, igualmente, passar da teoria à prática!

Em Luanda, de aplaudir o pontapé de saída dado pela direcção do 1º de Agosto que tem um projecto virado à promoção do futebol feminino. Esse \"lance\" devia ser da FAF ou não?

Desde já desejo boa sorte à coordenação das antigas internacionais da selecção nacional que contam com a movimentação de dezenas de atletas com idade compreendidas entre oito e 13 anos de idade.

Isto devia galvanizar a FAF e reavivar as sete equipas em Luanda que já estiveram no activo, como o Progresso, Terra Nova, Gira Jovem, VG FAMA, Renascimento, Gabriela FC, Real do Cacuaco.

Mas eu acho que apesar da titular da pasta ter reconhecido já a iniciativa louvável da FAF na criação do prémio Palanca Negra e o compromisso, e o engajamento do seu ministério com iniciativa federativa, pode ainda cobrar o verdadeiro quinhão do futebol feminino para...também ser distinguido na hora da atribuição dos prémios.
ANTÓNIO FÉLIX

Últimas Opinies

  • 19 de Março, 2020

    Escaldante Girabola

    O campeonato nacional de futebol da primeira divisão vai dobrando os últimos contornos. A presente edição, amputada face a desqualificação do 1º de Maio de Benguela, abeira-se do seu fim . Entretanto, do ponto de vista classificativo as coisas estão longe de se definirem. No topo, o 1º de Agosto e o Petro travam uma luta sem quartel pelo título.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Cartas dos leitores

    Estamos melhor do que nunca. A pressão é para as pessoas que não têm arroz e feijão para comer. Estamos sem pressão, temos todos bons salários e boas condições de trabalho. Estamos numa situação de privilégio e até ao último jogo tivemos apenas duas derrotas.

    Ler mais »

  • 17 de Março, 2020

    Jogos Olmpicos2020

    A suspensão de diferentes competições desportivas a nível mundial em função do coronavírus, já declarada pela OMS-Organização Mundial da Saúde como Pandemia, remete-nos, mais uma vez, a reflectir sobre a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Pelo menos até aqui, o COI-Comité Olímpico Internacional mantém de pé a ideia de realizar o evento nos prazos previstos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    FAF aquece com eleies

    Cá entre nós, o fim do ciclo olímpico, tal com é consabido, obriga, por imperativos legais, por parte das Associações Desportivas, de um modo geral e global, a realização de pleitos eleitorais para a renovação de mandatos.

    Ler mais »

  • 14 de Março, 2020

    Cartas dos Leitores

    Acho que o Estado deve velar por essas infra-estruturas.

    Ler mais »

Ver todas »