Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Nova temporada est agitada

05 de Janeiro, 2017
O ano 2016 já passou à história. Um ano de triste memória para a maioria dos angolanos, e não deixa saudades a ninguém, por causa das peripécias que vivemos ao longo dos 365 dias.

Estamos a poucas horas do quinto dia do ano 2017. Um ano que todos queremos diferente do anterior. Não é proibido sonhar, daí todos anseiem melhorar tudo o que correu mal, em 2016. No caso concreto dos desportistas não é diferente.

A nova temporada futebolística já mexe. Há agitação em todos os clubes, com a entrada e saída de novos jogadores, incluindo treinadores. As próximas semanas prometem mais animação, muito nervosismo, e algumas definições nas mais diversas frentes, até ao rolar da bola.

São os jogadores que ganham e perdem os campeonatos. Esta, é a minha interpretação. Posso estar errado, mas é o que me vai na alma. Isto, para dizer que o 1º de Agosto, campeão, disparou ainda na primeira volta graças ao contributo de dois dos seus principais jogadores, Gelson e Ary Papel.

O Petro de Luanda descarrilou porque na primeira volta ainda não tinha Tiago Azulão. As coisas eram diferentes se o plantel estivesse azulado ainda no primeiro turno da prova.

O Kabuscorp entrou em coma, depois da saída do camaronês Meyong, que nas duas épocas anteriores foi o verdadeiro abono de família do conjunto do Palanca.

A temporada 2017 oficialmente vai começar com tudo. Há equipas que já abriram as oficinas e outras que ultimam preparativos para que nos próximos dias façam o mesmo.

A crise financeira em Angola provocada pela quebra do preço da principal fonte de receitas do país, o petróleo, veio desregular as contas de todos os angolanos. Ela marcha em ritmo avassalador, e o Girabola não está impune ao fenómeno, que ultrapassa, inclusive, as nossas fronteiras.

A vida de um clube com menos investimentos, e que não tenha por detrás um suporte financeiro de grande porte, é árdua. Uns conseguem sobreviver, outros não. Aliás, é uma situação que a actual gerência da Federação Angolana de Futebol deve intervir o quanto antes, obrigar os clubes a entregarem o saldo das contas bancárias.

Uma prova desgastante como é o Girabola, acarreta muitos custos, por isso, os clubes devem ter capacidade financeira para suportar os encargos. Devem ser obrigadas a demonstrar se têm ou não saúde financeira.

Angola deseja desenvolver ao mais alto nível o seu futebol, precisa de passar por longo processo de organização dos seus clubes. Muitos não aproveitam os seus recursos, principalmente, os maiores da nossa praça que decidem a cada início de época contratar jogadores de outros países a preços exorbitantes, que fazem elevar a fasquia dos seus orçamentos anuais e a agravar a calamitosa situação económica.

Um dos efeitos da crise, reside no facto de alguns clubes que sempre optaram por realizar os seus estágios no exterior do pais, decidiram fazê-lo internamente. Uma opção certa, para a contenção das suas despesas anuais.

Do grupo selectivo de equipas que sempre cumpriram a pré-temporada no exterior, apenas o Recreativo do Libolo manteve a rotina. A equipa vai procurar esta temporada resgatar o título perdido em 2016 para o 1º de Agosto, iniciou na terça-feira no Centro de Estágios e de Alto Rendimento de Rio Maior, em Portugal, o seu estágio pré-competitivo, sob comando do português Carlos Vaz Pinto, que na época passada dirigiu o Académica do Lobito. Entretanto, devido aos maus resultados não acabou a temporada.

O 1º de Agosto, por seu turno, inicia hoje a preparação no R20, antes de rumar para a província de Benguela, onde vai realizar toda a pré-temporada, com vista os compromissos da temporada, nomeadamente, o Girabola, a Taça de Angola e a Liga dos Campeões, para além da Supertaça.

A nova temporada de futebol, para além de novos jogadores, novas equipas, novos treinadores e do período experimental do vídeo -árbitro, traz também novas regras.

Em Março, na cidade de Cardiff, capital do País de Gales, a reunião da International Football Association Board resultou num total de 95 alterações, entre mudanças linguísticas e mudanças das próprias leis. Houve revisões em 16 das 17 leis e apenas a lei dois, relativa à bola de jogo, não sofreu alterações.

Espero que as mudanças ajudem a que prevaleça a verdade desportiva que todos anseiam para o nosso futebol.
Até para a semana.
Policarpo da Rosa

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