Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Melo Clemente

Nove meses de consolado da FAB!

16 de Novembro, 2017
Nove meses são passados desde que o actual elenco da Federação Angolana de Basquetebol (FAB), liderado por Helder Martins da Cruz \"Maneda\", assumiu a gestão do órgão que supervisiona a modalidade no país, e os amantes da disciplina continuam a ser surpreendidos a cada dia que passa.
Depois de ter apregoado durante a campanha eleitoral que apostaria num técnico nacional para dirigir os hendecacampeões africanos, num abrir e fechar de olhos, a FAB decidiu surpreender tudo e todos, mandando para o desemprego o treinador angolano, Manuel Silva \"Gi\", contratando para tal os serviços do norte-americano, Will Voigt, técnico que \"ofereceu\" o primeiro título africano à Nigéria, isto em 2015.
O fracasso da Selecção Nacional no Campeonato Africano das Nações da \"bola ao cesto\" de 2017, em que os hendecacampeões africanos não foram para além do sétimo lugar, num universo de dezasseis selecções, não pode ser atribuído exclusivamente ao jovem treinador, que ofereceu ao país nos últimos dois anos dois títulos africanos, a nível dos escalões de formação (sub-16 e sub-18).
Numa jogada de mestre, senão de deslealdade, Helder Martins \"Maneda\" e os seus colaboradores querem fazer passar a ideia de que o único que fracassou durante a disputa da fase final da 29ª edição do Afrobasket 2017 foi o técnico Manuel Silva \"Gi\". Quando na verdade o principal responsável do fiasco dos hendecacampeões africanos é a própria direcção da Federação Angolana de Basquetebol que não proporcionou as melhores condições de trabalho para o cinco nacional.
Sob pretexto de falta de verbas para proporcionar as melhores condições de trabalho à Selecção Nacional, e por arrasto as outras selecções, os hendecacampeões africanos foram socorridos pela doação da federação chinesa, que assumiu as despesas de transportação e de acomodação para que os pupilos de Manuel Silva \"Gi\" pudessem participar em dois torneios internacionais naquele país asiático, tendo a FAB assumido apenas as diárias com os membros da delegação.
Regressados ao país, após a conquista dos dois torneios internacionais, superando as selecções da República Popular da China, Lituânia e Nova Zelândia, apesar de se terem feito representar por jogadores de segunda linha, os hendecacampeões africanos ficaram praticamente inactivos durante duas semanas e meia, já que viram cancelado o torneio internacional de Luanda, prova que a direcção da federação da modalidade tinha na forja.
Esta situação terá contribuído para o fracasso do cinco nacional durante a disputa da fase final da 29ª edição do Campeonato Africano das Nações da \"bola ao cesto\", já que o combinado nacional seguiu para o africano sem realizar os últimos amistosos que dariam outra competitividade aos hendecacampeões africanos.
Entretanto, neste mar de dificuldades em que a federação dizia estar a atravessar, tendo inclusive sacrificado a selecção masculina de sub-16, que falhou o Afrobasket da categoria, num feito histórico para o país, coube apenas às senhoras estagiarem no Brasil, para o Afrobasket do Mali, ao passo que as selecções de sub-19 e de sub-16 foram atiradas à sua sorte.
Incompreensivelmente, sem que haja notícia de que o Ministério da Juventude e Desportos (Minjud) tivesse largado os cordões a bolsa, Helder Martins da Cruz \"Maneda\" e os seus colaboradores surpreenderam o país no último sábado, ao apresentar o norte-americano, Will Voigt, como o novo seleccionador dos hendecacampeões africanos, substituindo no cargo Manuel Silva \"Gi\" que havia rubricado um contrato para quatro anos.
É caso para dizer que as divisas agora moram nos cofres da Federação Angolana de Basquetebol, razão pela qual, o órgão reitor da modalidade no país decidiu apostar num técnico expatriado, apesar da crise continuar a assolar o nosso país, como resultante da queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional. M.C

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