Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Noventa minutos de alto risco

17 de Agosto, 2017
A Selecção Nacional defronta no sábado no Estádio 11 de Novembro a sua congénere do Madagáscar, para os derradeiros 90 minutos da última eliminatória de acesso à fase final do CHAN, que o Quénia vai albergar em 2018. Depois do empate nulo, na primeira mão disputada em Antananarivo, o único resultado que interessa aos Palancas Negras é a vitória. Um empate com golos favorece a equipa
malgaxe. Perante este desiderato, não tenho alternativa porque o jogo é de alto risco para a equipa nacional.

Será um jogo entre duas selecções que perseguem o mesmo objectivo: estar na fase final do CHAN. Um jogo que vai realizar-se no maior Estádio do país. Estou a falar portanto, de uma massa humana gigante que certamente vai deslocar-se ao Estádio. Um jogo de risco elevado que exige da organização um cuidado especial.

Em termos estatísticos, a nossa selecção teve sempre dificuldades diante do Madagáscar. Contudo, o empate alcançado em Antananarivo no domingo, faz crescer a expectativa em relação a um resutado que permita os Palancas Negras conseguirem o almejado
passe para o Quénia.

Os malgaxes jogam com fé.
Não é das equipas discerníveis a partir da ficha de jogo. O Madagáscar é daquelas equipas que não se explicam totalmente
pela táctica nem pela técnica. É preciso contar com as entranhas, as unhas, os dentes, e um ou outro fémur, que possa saltar.

Indicativos, que demonstram sempre que têm pela frente os Palancas Negras. Aliás, os resultados falam por si!
A diferença entre quem ganha e perde faz-se nesses momentos. Em quem marca; em quem sabe ganhar, sem jogar bem. Em
Antananarivo, Angola foi muio superior ao Madagáscar. Teve oportunidades para regressar com um resultado mais animador,
mas falhou muito.

No sábado, no Estádio 11 de Novembro, falhar pode custar caro. Beto Bianchi tem pela frente um teste complicadíssimo.
Gerir os esforços, expectativas, e impactos desportivos da equipa, serão determinantes para o sucesso dos Palancas Negras.
É importante para o “Onze” Nacional, disputar a terceira fase final do CHAN, depois do segundo lugar alcançado em 2011, no Sudão, após perder para a Tunísia na final por 0-3, naquela que foi a primeira presença com Lito Vidigal ao comando.

A segunda presença, no Rwanda em 2016 e com José Kilamba ao comando, a equipa nacional não passou da primeira fase. É este o jejum que os adeptos querem matar. As vitórias são determinantes num projecto, pois, trazem confiança.
Ciente de que chegar a mais uma fase final de um CHAN, não passa de uma miragem, a Selecção Nacional prepara o jogo de sábado com todo o cuidado.

Não apenas porque se trata de um jogo especial, mas porque toda a sua estrutura sabe que para obter o visto para a entrada
no Quénia, a vitótia sobre os malgaches é essencial. Angola vai assumir mais o jogo, vai tentar desiquilibrar através dos seus jogadores mais criativos. O Madagáscar vai jogar numa acção mais defensivas, vai criar ocasiões através de contra-ataques rápidos.

De orgulho ferido, a equipa nacional pretende redimir-se diante de um adversário dificil, que normalmente cria dificuldades pela qualidade do seu futebol, como pelo empenho. Beto Bianchi defendeu que o jogo de sábado é importante, desvalorizou a pressão que possa existir. Aliás, isso só nos motiva.

Aos jogadores e a todos os que estarão no Estádio 11 de Novembro. Os jogadores trabalharam bem durante a semana, penso que as coisas vão correr bem. Não vai ser um jogo de vida ou de morte, mas um jogo muito importante. O Madagascar é um adversário a ter em conta, e todos temos de ter a força para inverter a situação. A presença do público, e principalmente o ambiente que cria, é fundamental na motivação dos atletas. Nenhum jogador gosta de actuar com as bancadas vazias.

Antes pela contrário, gosta de jogar perante milhares de olhos que o abservam, é estimulado a colocar em campo todas as competências, e exibir-se com o máximo de empenho. Confiança? Muita! Vontade de ganhar? Enorme! Está a criar-se um ambiente fantástico, e alerto desde já, para a importância dos nossos adeptos, do 12º jogador. Todos somos poucos! Espero que o slogam “Unidos Venceremos” contagie a todos nós.

POLICARPO DA ROSA

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