Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Carlos Calongo

Nunca o troco pela mesma moeda

28 de Fevereiro, 2019

Não há uma só actividade humana que não seja afectada ou que não possa ser promovida pela comunicação. Esta asserção é de bastante serventia quando se trata se resumir a história do homem ao enorme e permanente esforço de comunicação, ao ponto de ser dito que na vida, tudo é comunicação, desde a linguagem, a personalidade, o gesto, a roupa, enfim…
O ser humano está mergulhado num mar de comunicação, e não se vive um instante fora dele. Nos dias correntes, a palavra comunicação tornou-se popular, usada para denominar os problemas de relações entre trabalhadores e dirigentes, entre nações, entre as pessoas em geral, chegando-se ao ponto de que, por vezes, o rótulo comunicação referir-se, efectivamente, a um modo diferente de resolver tais problemas e, outras vezes servir, simplesmente, para adiar esses problemas.
Com o apogeu da revolução tecnológica a sociedade se tornou mais dinâmica, ao extremo de obrigar os homens à um maior esforço para se tornar competente no seu exercício laboral e, está claro que, quem não compreender isso arrisca-se a ser ultrapassado pelo próprio tempo, de que uma das características fundamentais é a sua constante mutação.
Desde logo, perceptível se torna que, quando a capacidade de comunicação humana é negligenciada, a sociedade entra rapidamente em degradação moral e cívica, e a violência ocupa o lugar do diálogo e da concórdia, sendo a prova disso, o mundo caótico em que vivemos, em quase todos os sentidos.
Imaginem juntar a comunicação social à este estado caótico das coisas, com todo o seu poder, ainda que seja discutível a legitimidade da sua consagração em “quarto poder”, com mandato para vigiar os demais três poderes tradicionais!
Compreendido como longo, o intróito reporta-se como necessário, em razão de muitos episódios ocorridos no mosaico desportivo (e não só) angolano, tendo como protagonistas, diríamos mesmo, os maus da fita, determinados dirigentes que, no alto dos seus caprichos, arrogam-se ao direito de sonegar informação aos meios de comunicação social, como se ela fosse sua pertença ou herança familiar. Infelizmente, entre nós existem em quantidade e espécies diversas, agentes desportivos com tais comportamento, que não compreendem que a comunicação, na perspectiva de informação, é um processo de relação assente na troca recíproca de mensagens e de sentido, para atingir a compreensão mútua.
Ou seja, na relação entre os protagonistas dos factos (pessoas ou instituições) e a sociedade, os meios de comunicação social cuja finalidade para este caso pode, apenas, ser resumida na tarefa de informar os cidadãos, actua, com elevada preponderância.
E nesta era da informação, todo e qualquer dirigente que ainda apresenta défice de compreensão deste fenómeno intrínseco à gestão moderna, enquanto ciência, serve para tudo, menos para estar em frente de uma instituição, cuja base de actuação redunda num amplo fenómeno de manifestação social como é o desporto.
Não devem, pois, tais gestores, pensar que quando solicitados à prestar determinada informação aos órgãos de comunicação social, estejam a fazer favor, antes pelo contrário, estarão a cumprir uma missão social, por sinal um imperativo constitucional, assente no direito que os cidadãos têm de informar, se informar e ser informado, como plasmado no artigo (...).
Este desabafo (chamem-lhe como quiserem) tem razão de ser, pois há muito que a imprensa, de modo geral, é constrangida com a falta de informação, não pela velha máxima de dificuldades - algumas propositadamente criadas - de acesso às fontes, mas pelo mero prazer e vaidade de quem devia servir, mas opta por ser servido.
Estes, na perspectiva de uma máxima da Igreja Metodista Unida, não servem para viver.
Finalmente, e pela dimensão sociológica do jornalismo, enquanto profissão, ainda que aos seus operadores se exija atingir o limite da saturação, podem, os gestores que sonegam determinada informação, ficar descansados, pois, nunca lhes será dado o troco pela mesma moeda, e mais do que isso, devem aprender que, “a própria ausência de informação também é informação”, e mais não escrevemos.

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