Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O (nosso) Petro, Lazare e a queda dos imbatveis

03 de Junho, 2019
Sinto, como adepto, que nas três modalidades colectivas do nosso Atlético Petróleos de Luanda - refiro-me ao futebol, basquetebol e andebol - temos apenas atletas que entram em campos ou quadras com as cores do clube.
Não temos, infelizmente, equipas na real dimensão da palavra a representar-nos. Significa que nem os treinadores, com o trabalho, e treinamento que, supostamente, vêm fazendo - e nem a direcção - com a aparente criação de condições e presença constante nos estádios/quadras, têm sido capazes de infundir nos atletas a saudosa mística "petroatleticana" e o necessário espírito de vitória, jogo após jogo.
Onde é que já se viu uma equipa, que se diz grande, perder com o arquirival, como aconteceu no terceiro jogo dos "play off" no basquetebol, pela diferença de pontos que precisávamos, para nos apurar. Desse jeito, é impossível alimentar mais sonhos.
Assim sendo, só resta nos contentarmos com vitórias esporádicas, aqui e ali, porque verdadeiros triunfos, conducentes a títulos de campeões, vamos "desconseguir".
Mais, enfim, a alegria veio depois, porque desenrolou-se o pano sobre a edição 41 do Campeonato Nacional Sénior Masculino de Basquetebol, também chamado de Unitel - Basket, em cujo corolário fica registado, para os anais da história, que o Atlético Petróleos de Luanda é o Campeão, que o Lazare Adingono é o treinador da competição e que, no rol dos melhores da época, o APL está muito bem representado. Desta feita, sentimo-nos instados a compartilhar pensamentos e sentimentos, quanto mais não seja em 3 nótulas:
1. É disso que os aficionados do APL pedem, exigem e reclamam do seu clube do coração: que a Direcção tenha diligência suficiente, de tornar as equipas das principais modalidades do Clube competitivas ao máximo, almejando sempre a conquista de títulos.
Porquanto, essa já é a marca de água do nosso Clube, remontando aos velhos tempos do Atlético. Pelo que o presente título, também é resultado da estratégia bem conseguida da Direcção de Tomás Faria e Artur Barros, que passou pela manutenção do treinador e pelo devido e pontual reforço do plantel.
Mesmo havendo austeridade financeira do nosso lado, enquanto no lado do sector priorizado do Orçamento Geral do Estado (defesa e segurança) o dinheiro esbanja, até ao despesismo, a ponto de fazerem proliferar equipas militares, quando já temos um Clube Central das Forças Armadas, com todos os danos à verdade desportiva que daí advém.
2. Está visto e comprovado, que o Lazare é o melhor "coach" que anda por aqui, que só não é seleccionador nacional por birra mesquinha de uns quantos iluminados. Ele que sem grandes jogadores luta pelos lugares cimeiros e, quando os tem, garante títulos de Campeão.
Nem é preciso sairmos à rua para gritar: Fica, Adingono!
3. Quanto aos imbatíveis cá do sítio, que desta vez caíram, e com estrondo, só podemos dizer que uma competição é um agregado de fases, em que o primeiro a sorrir nem sempre é o sorridente final.
Aliás, ficamos comovidos com o apelo a Deus do técnico opositor e pelo empenho até à exaustão do Quezada. Mas, debalde, a força e predisposição para a vitória estava nas hostes do APL. Em suma, hoje, contra ninguém, mas, por nós mesmos, quem festeja é a Nação Petroatleticana!
A julgar pelo estoicismo dos pupilos do Lazare, desde a pequena grandeza do Dundão e o brilhantismo do Lukene, às lutas na tabela do Leonel, Mbunga e do Gray, adicionados à fina experiência do Morais e do Cipriano. Bem-haja, Petro de Luanda!! Frederico Batalha

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