Jornal dos Desportos

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Opinio

O 13 lugar soube a pouco

11 de Julho, 2017
Ao conquistar o Campeonato Africano de Basquetebol em Sub-18, disputado em 2006, na cidade de Kigali, capital da República do Ruanda, a Selecção angolana habilitou-se à participar do mundial da categoria que decorreu de 1a 9 de Julho, ganho pela Selecção do Canadá que venceu na final deste domingo, a similar da Itália, por 79-60.

Não foi desta, portanto, que o combinado nacional conseguiu melhorar as posições anteriores.

A décima terceira posição conseguida por Angola, na minha opinião sabe a pouco, sem que isto sirva para beliscar o desempenho do cinco nacional, que ainda está em fase de crescimento e deve ser dado todo o apoio e carinho aos jovens jogadores que estão em fase de crescimento.

E porque falei em fase de crescimento, hoje, publicamente, confesso ter franzido a cara aquando da indicação de Raúl Duarte para dirigir o cinco nacional, nada contra a sua competência, apenas porque defendia que Manuel da Silva \" GI\" devia fechar o ciclo enquanto treinador das selecções de formação, no caso Sub-16 e Sub-18, com as quais conquistou campeonatos africanos.

Caso se entenda a ascensão de Manuel Silva \"Gi\" à Selecção principal como promoção pelo que fez com os sub-18, faz todo sentido não esquecer que a sua saída pode ter provocado algum desequilíbrio na estrutura mental dos jogadores que pelo tempo em que estavam juntos, já era como que uma família cujo pai era Manuel Silva. Não significa, o que acima foi escrito, que defendemos presença perene de determinado treinador em frente de uma equipa, pelo contrário, para este caso particular, atendendo o tempo exíguo de trabalho que Raúl Duarte teve para preparar o cinco nacional, a aposta na continuidade de Manuel Silva “Gi”, seria uma hipótese a considerar, pelo menos até ao mundial do Egipto.

Atenção que, nesta minha observação, nada que belisque a competência profissional do treinador Raúl Duarte, que não tem que provar absolutamente nada a quem quer que seja, quando o assunto é questão prende-se com o basquetebol, sendo isso um exercício de reconhecimento geral.

Em concreto, pelo tempo em que Raúl Duarte não lida com os escalões de formação, com todas as particularidades que os jogadores nesta fase apresentam, somos de opinião que o melhor seria, conforme atrás advogamos, deixar que o ciclo fosse terminado pelo seu antecessor.

Mas atenção que não seja por este caminho que Angola logrou a posição que conseguiu, até porque, o desporto não é uma ciência exacta, onde os “se” não encontram espaço, isso não.

Pelo contrário, no mundo do desporto, a lógica das suposições apenas tem valor de meras animações de conversas, salvaguardando, claro, as possibilidades da sua concretização, residindo nisso, para além da máxima do desporto ser uma caixinha de surpresa, também a sua \"magia\".

Devemos, isso sim, olhar para a frente, dar continuidade ao trabalho que vem sendo realizado a nível das selecções jovens, com a única finalidade de potenciarmos a Selecção sénior que devem rapidamente reocupar o espaço e hegemonia no continente africano, ante a ameaça de perda deste estatuto para países como a Nigéria, Tunísia, Costa do Marfim, só para citar estes.

E melhor será que a caminhada seja coroada de conquistas ao nível de provas internacionais, para que se comece a criar o hábito de vitórias na fase de formação, o que eleva os níveis de confiança e maturidade, fundamentais no escalão sénior, que é o sonho de todos os atletas de alta competição.

Enfim, como não se pode pedir e receber tudo ao mesmo tempo, nos contentamos com o que os rapazes de Raúl Duarte demonstraram no palco da competição.

Em jeito de conclusão é liquido que os miúdos do basquetebol de Sub-19, apesar de tudo, dignificaram o país e deixaram sinal de podermos continuar a mandar na modalidade, isso na categoria de sénior, e talvez, nos congratularmos com o surgimentos de novos talentos à dimensão de Lutonda, Baduna, Jean Jacques, etc.
CARLOS CALONGO

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