Jornal dos Desportos

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Opinio

O proftico hino dos Palancas Negras

26 de Novembro, 2018
“Rola a bola, passa a bola, nossa Angola a jogar, fica atento, cruza a bola, os Palancas vão ganhar”. Dizia o eterno Beto de Almeida desfilando sua voz na companhia de um batuque sobre o ritmo de um apito melódico, assim ficou o hino dos Palancas Negras, profetizando a vitória e as conquistas gloriosas.
O futebol é uma arte como a música. É como se fossem as setes notas tocadas de maneiras diferentes em cada país. Como dizia João Saldanha, a relação dessas duas artes, ajudam a levantar os ânimos da população a volta do mundo.
Foi em 1912 que surgiu a primeira canção sobre o futebol, teve um autor desconhecido e de fonte de inspiração desconhecida, mais a canção fot-ball girou a volta do mundo e inspirou povos em diversas línguas ritmos e melodias e em Angola não foi diferente durante os campeonatos de futebol.
A célebre canção “Angola a Vencer”, mais conhecida como “Rola a Bola” de Beto de Almeida, que foi factor de motivação decisivo dos angolanos na rota do futebol continental, surgiu no ano de 1995 no auge da campanha dos Palancas Negras para o CAN de 1996, e culminou com primeira aparição de Angola, nesta grande montra do desporto-rei na África do Sul. A letra de Beto de Almeida reflectia os desejos do povo angolano de hastear a sua bandeira ao lado dos grandes nomes do continente. A música pode nos auxiliar na compreensão histórica do nosso país.
A análise da letra nos revela momentos diferentes, sobre a situação do país que atravessava um determinado período histórico. Pois em uma estamos todos unidos e para frente é o caminho e na outra, a coisa aqui está preto mais unidos venceremos. Era preciso acreditar na mudança, a guerra estava na sua fase mais derradeira e o futebol era a única esperança dos angolanos em busca da felicidade e auto estima.
A música de Beto de Almeida passou a análise de um conteúdo, a fim de contribuir no processo de resignificação pedagógica, transformando em instrumentos pedagógicos, capaz de dialogar com outras disciplinas.
Essa mesma canção, 22 anos depois ainda acompanha a equipa de todos nós nos dias de hoje, é utilizada como o hino da nossa selecção nos diferentes spots publicitários nas vésperas dos jogos, é uma música que nos remete lembrar o Estádio da Cidadela a gloriosa catedral do nosso futebol e a brilhante carreira de Akwá na Selecção Nacional, até como dizia Júlio Gonga, a música do Akwá. A morte do autor deixou o futebolista Akwá bastante consternado como uma perda irreparável do processo de transmissão cultural e motivacional.
Diversos artistas angolanos cantaram várias músicas bonitas, em homenagem ao futebol do país e a Selecção Nacional, canção como “Uma chulipa e Palanca Negra” de Bonga, e outros nomes como Dog Murras, Filipe Mukenga, mais nenhuma marcou como o Rola a Bola de Beto de Almeida, toca até nos corações e arrasta multidões para o estádio de futebol. Quando ela é ouvida, faz-nos recordar o compromisso que temos com a Selecção Nacional de futebol, por mais que nos tenha desapontado, mais o povo honra o compromisso com a sua presença no estádio.
Ao derrotar no estádio 11 de Novembro o Burkina Faso, um dos gigantes do futebol africano, Angola carimbou a continuidade de sonhar com mais uma presença no Campeonato Africano das Nações, desta vez a realizar-se nos Camarões em 2019, mais a celebre canção de Beto de Almeida trás entre linhas, a mensagem de que um anão pode matar um gigante deitado ou adormecido. Mais quanto mais gigantes matares te tornarás como um deles.
Edvaldo Lemos

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