Jornal dos Desportos

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Opinio

O ABC para craques comea nas escolas

17 de Junho, 2016
Subscrevo a ideia de que enquanto os clubes continuarem a fazer tábua rasa aos regulamentos de futebol que obrigam à criação de escolas de futebol, teremos equipas como grandes potências por muito tempo. Muitas podem hoje, a nível de seniores, ganhar um campeonato com recursos a jogadores já formados noutros clubes nacionais ou estrangeiros, mas, verdade seja mais uma vez dita, a base do sucesso, o poder, o domínio assenta no ABC do jogar à bola, depois da criação de escolas fortes onde poderão sair até craques a serem negociados. Quem temos hoje num grande emblema na Europa?

Em Angola continuam a ser poucos os clubes que fazem aposta nas escolas. Às vezes surgem mais iniciativas, porém, duram pouco, salvo emblemas estrutural e financeiramente bem sustentados como o Petro de Luanda, 1º de Agosto, Progresso do Sambizanga, Recreativo do Libolo, Kabuscorp.

Fora do quadro federal só a Academia de Futebol de Angola (AFA), de recente criação, é que já deu alegria ao País. Jogadores da sua escola deixaram boa impressão que os garotos que enviou a Arousa (Espanha), onde participou num dos mais prestigiados torneios internacionais de Sub-12, apadrinhado pelo conhecidíssimo Vicente Del Bosque.

Fizeram-no também em Portugal no "Mundialito" para jogadores iniciados, onde conquistou medalha de bronze e ainda na Go Cup, no Brasil, em que caiu nas meias-finais.

Sei que existem regulamentos que obrigam os nosso clubes a terem escolas de futebol. M as os clubes as sustentam com a devida atenção? Não é hora de a federação endurecer a sanção desportiva e pecuniária para os clubes que, nesse ponto, fazem "ouvidos de mercador"?

O que se lamenta é que à falta de visão de alguns clubes no investimento nas suas escolas de futebol veremos, porém, clubes estrangeiros a fazerem melhor este papel, ainda por cima no nosso país.

Não quero com isso dizer que é mau para o futebol nacional ver clubes estrangeiros a criar escolas em Angola. É apenas uma constatação, uma verdade nua e crua de que até neste capítulo muitos clubes angolanos estão..."fora de jogo", estão, digamos, a levar "goleadas" em termos de iniciativas.

Por exemplo, a 28 de Janeiro de 2013, o Sport Lisboa e Benfica e a Escola Portuguesa de Luanda assinaram um acordo de intenção para a criação de uma escola de futebol em Luanda. A 4 Marços de 2014 o próprio presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, viajou de Lisboa para Luanda e daqui para o Sumbe ( Cuanza Sul) onde inaugurou uma.

Outro grande clube português, o Sporting, no mesmo ano, em Setembro, inaugurou um núcleo e escola em Viana (Luanda) sendo a sua primeira Academia em África.

O nosso Girabola Zap conta com dezasseis equipas. Tirando o Petro de Luanda, 1º de Agosto, Progresso do Sambizanga, Recreativo do Libolo, Kabuscorp citados aqui como exemplos particulares com boas escolas de futebol...que clube mais apostam forte neste sentido?

Em 2013 correu a notícia de que a direcção do FC Bravos do Maquis de Angola e do AC Milan da Itália acordaria implementar uma escola de futebol na cidade do Luena (Moxico). Depois, ainda no mesmo ano, do mesmo FC Bravos do Maquis soube-se que faria o mesmo com o FC Metz de França. A verdade é que na prática, nem oito nem oitenta!

A nível nacional tínhamos o extinto Santos Futebol Clube de que falou o Leonel Libório. Vimo-lo até a representar o país com mérito na Taça da Confederação. Depois no ano de 2010 prometeu criar uma escola nacional. A verdade é que, além de não ter cristalizado esta pretensão, o próprio clube acabou por ser extinto.

Mas o que dá gosto é ver iniciativas particulares. Temos de tirar o chapéu, em sinal de admiração e incentivo, às escolas como a de Norberto de Castro, Ti Nadinho, Candengues Ablidosos, só para citar estes. Pena é que o Estado, o Ministério da Juventude e Desportos e a Federação Angolana de Futebol não lhes presta o merecido apoio.

Mas, enfim, o presidente da Federação Angolana de Futebol, Pedro Neto, vai dizendo que os clubes devem de facto ir apostando em jogadores mais jogadores jovens, dando prioridade aos escalões de formação a parir das escolas.
ANTÓNIO FÉLIX

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