Jornal dos Desportos

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Opinio

O adeus a Dantas e o xito nas Afrotaas

24 de Fevereiro, 2018
O futebol nacional ficou marcado esta semana, por dois momentos. Por um lado, o triste desaparecimento físico de Dantas Cardoso, um antigo árbitro de andebol e que nos últimos 28 anos esteve emprestado à causa do desporto-rei, e por outro, o êxito dos dois embaixadores angolanos nas Afrotaças.
Falar de Fernando Alberto Dantas Cardoso pressupõe fazer alusão a uma figura que desde muito cedo, se dedicou de corpo e alma ao desporto angolano.
E, digo isto, porque foi em plena juventude que Dantas Cardoso, nome pelo qual era mais conhecido nas lides desportivas, começou a galgar os passos a nível do desporto. Primeiro, como praticante e mais tarde, abraçou o dirigismo desportivo.
Portanto, foi no decurso do longínquo ano de 1957, que Dantas Cardoso deu os primeiros passos como praticante do desporto, dentro das nossas fronteiras.
Nesse período, trilhava os seus 17 anos, quando o malogrado árbitro de andebol iniciava a prática desportiva. Foi praticante de atletismo, futebol, natação e de voleibol em agremiações renomados da época, como o Sporting, Benfica e o Cube Atlético de Luanda.
Constam dos dados curriculares, que no período de 1969 a 1972 interrompeu a carreira como praticante, para se dedicar à arbitragem, mais especificamente à modalidade de andebol. Nesta, deixou a folha de serviço bem assinalada.
Apesar do abandono da prática desportiva, entre 1973 e 1974, voltou a envergar a camisola, como atleta de andebol. A essa tarefa conciliou com a de treinador de juniores do Clube Ferroviário de Angola, clube com o qual se sagrou vice -campeão de Luanda.
A grande apetência ao desporto impulsionou-o, numa altura em que o país acabava de ver proclamada a Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, a dar o seu contributo no dirigismo desportivo. Inicialmente, assumiu a tarefa de vogal do Conselho de Arbitragem da Federação Angolana de Andebol (FAAND).
No exercício dessa tarefa, Dantas Cardoso chegou à categoria de árbitro internacional e depois passou a presidir o Conselho de Arbitragem da Federação desportiva até 1990.
Como se depreende, o malogrado homem do desporto dedicou-se anos a fio, à causa desse sector a nível das nossas fronteiras.
Tal foi a dedicação ao desporto angolano, que abraçou outros desafios no desporto. Um dos desafios foi a ligação directa à Federação Angolana de Futebol (FAF), órgão a que esteve vinculado até à data do passamento físico na segunda-feira última.
No organismo que superintende o futebol, então na faixa dos seus 50 anos, isto em 1990, iniciou novo périplo a nível do associativismo desportivo. Desempenhou primeiro as funções de vogal, e mais tarde as de secretário do Conselho Técnico.
O “consulado” de Dantas Cardoso, no Conselho Técnico da FAF, prolongou-se até 1996, ano em que passou a comissário de jogos. A actividade de comissário do órgão, por conseguinte, estendeu-se até ao adeus, em definitivo, do “mundo dos vivos”.O tio Dantas, como carinhosamente era tratado por muitos, apesar de nascer em Lisboa, num ido dia 6 de Junho do ano de 1940, corria-lhe nas veias o sangue angolano. Isso, ficou bem patente ao longo da sua vida.
Por essa razão, a partir de 1977 adquiriu a cidadania angolana. E, Luanda, onde passou a maior parte do seu tempo de vida, testemunhou na terça-feira a sua partida para o Cemitério de Santa Ana, onde repousam os restos mortais.
Em Dantas Cardoso fica inequívoco, o facto de que os homens não se medem aos palmos. Ele era um homem, diga-se de passagem, com H MAÍSCULO.
Agora, no concernente ao êxito das equipas angolanas, na primeira eliminatória de acesso à fase de grupos das Afrotaças, o outro assunto a que eu e o meu companheiro desta coluna, o Morais Canâmua, nos propusemos abordar, há que se valorizar a prestação.
Tanto o 1º de Agosto, enquanto campeão nacional, como o Petro de Luanda, vice-campeão, que passaram incólumes dos seus respectivos adversários da Liga dos Clubes Campeões Africanos e da Taça da Confederação.
A turma do “rio seco” depois dos 3-0, aplicados aos FC Platinum do Zimbabwe, no Estádio 11 de Novembro, em Luanda, foi nove dias depois ao reduto deste, em Zvishavane, na cidade de Midlands, impor uma vitória de 2-1.
Por arrasto , a formação agostina somou no agregado das duas mãos da eliminatória, uma vitória de 5-1. Pelo facto, transitou para a próxima eliminatória em que vai ter como adversário o Bidvest Wits da África do Sul, que pode ser um adversário difícil.
Quanto ao Petro, que na também apelidada Taça “Nelson Mandela” goleou, primeiro em casa, o Masters Security Services FC do Malawi, por 5-0, e no jogo de resposta no estádio de Kamazu, em Blantyre, impôs um rigoroso 0-0.
Com o empate , a formação do “eixo-viário” somou no agregado da eliminatória da Taça CAF 5-0, segue em frente para na segunda-feira ter como adversário o Supersport United FC da África do Sul.
As duas equipas têm os duelos marcados para os dias 6 e 7 de Março, no Estádio 11 de Novembro, em Luanda, e o segundo dez dias depois no reduto dos adversários.
De resto, esta será mais uma empreitada em que os angolanos têm de torcer, para que o 1º de Agosto e o Petro de Luanda ultrapassem os respectivos adversários.
Vamos torcer todos nesse sentido, para que os jogos se disputem num espírito de “fair-play” e que no final das duas mãos, vençam os melhores. E, a haver equipas melhores, efectivamente, sejam o 1º de Agosto e Petro. A ver vamos!!!...
Sérgio V Dias

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