Jornal dos Desportos

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Opinio

O adeus de Joj e os jogos da consolao

19 de Janeiro, 2019
Inquestionavelmente a morte de Jerónimo Neto “Jojó” e a nova falha da tentaiva de Angola chegar à inédita qualificação da segunda fase de um Campeonato do Mundo marcaram o andebol nacional nos últimos dias.
Porém, depois das exibições menos conseguidas no Campeonato do Mundo de 2017, disputado em França, a Selecção Nacional pode, ainda, aproveitar a fase de consolação da maior montra da modalidade, que tem como palco a Alemanha e Dinamarca, para assinalar uma campanha mais significativa. É verdade, que o «sete nacional» não conseguiu assegurar a qualificação inédita à segunda fase desta elite do andebol mundial, mas ainda assim pode jogar pela honra.
O combinado nacional estreou-se com uma vitória tangencial de 24-23 sobre a similar do Qatar, no Royal Arena, em Copenhaga, Dinamarca, no Grupo D da primeira fase, em que perfilaram ainda as selecções da Hungria, Suécia, Argentina e o Egipto, com quem Angola acabou por perder, desperdiçando, assim, a oportunidade de garantir o passe para a segunda fase. A derrota frente ao Egipto, quinta-feira, por 28-33, deitou por terra as esperanças de Angola chegar à qualificação inédita à segunda fase de um mundial.
Não é menos verdade, tal como afiançou o próprio seleccionador Filipe Cruz, que o combinado angolano fez tudo que estava ao seu alcance para lograr a passagem a outra fase, mas, infelizmente, não foi ainda desta vez que o conjunto logrou esse feito.
Diante da selecção egípcia, outro dos conjuntos africanos presentes nesta grande montra do andebol mundial, o «sete nacional» não conseguiu manter a mesma intensidade, nem tão pouco a mesma atitude dos jogos anteriores, não obstante se reconhecer também que pela frente teve adversários de gabarito, como a Hungria e a Suécia. Frente a turma do Magreb notou-se, claramente, que Angola tinha menos rodagem competitiva e foi, em consequência disso, obrigada a correr um pouco mais.
A justificar as performances do combinado angolano está também a fraca competição interna que temos, pois, numa prova da índole de um Campeonato do Mundo, era de se esperar que o conjunto pudesse ter um nível mais equilibrado ao dos adversários que cruzaram o seu caminho.
E não obstante o micro-estágio realizado na Polónia, onde a Selecção Nacional testou com equipas como KPR Gwardia, SPR Stal Mielec e a do HC Banik Karvina, respectivamente, ainda assim, não terá conferido ao grupo \'endurance\' suficiente para poder levar a água ao seu moinho nesta alta-roda do andebol mundial.
Em consequência da única vitória obtida na prova e das derrotas frente aos demais adversários da primeira fase, Angola vai manter-se na capital dinamarquesa, que será igualmente palco da disputa dos jogos da fase da consolação, hoje e amanhã. E chegados aqui, espera-se, efectivamente, que os pupilos de Filipe Cruz não encontrem quaisquer facilidades, mas ainda assim procurem defender a bandeira e honra da pátria. Advinham-se jogos a doer nesta fase de consolação, mas convenhamos que o «sete nacional» pode surpreender.
Nesta 26ª edição do Campeonato do Mundo, que a Alemanha e Dinamarca co-organizam, Angola assinala a sua quarta participação na mais alta-roda do andebol, depois da presenças em 2005, na Tunísia; 2015, Qatar; e 2017, em França; onde não conseguiu evitar a cauda. E, como é óbvio, o conjunto às ordens de Filipe Cruz vai procurar melhorar a prestação, a partir desta fase de consolação, que arranca hoje em Copenhaga.
E, se por um lado, paira ainda no ar a esperança pela melhoria da classificação da Selecção Nacional, por outro, o país acaba de perder uma figura incontornável do andebol: Jerónimo Neto, técnico conhecido também nas lides desportivas por Jojó.
Falecido terça-feira última aos 50 anos, Jojó ou ainda \'Kota\' Jojó, como carinhosamente o apelidavam as suas ex-pupilas, deixa uma geração de atletas que marcou uma época do andebol, a nível das nossas fronteiras. Além de ter exercido funções de seleccionador nacional de honras em femininos, foi também responsável pelo título alcançado pelo Atlético Sport Aviação (ASA) na mais alta-roda do andebol no nosso país. Jojó, que ao serviço da Selecção Nacional conquistou o título africano de 2008, sofreu em vésperas deste feito um Acidente Vascular Cerebral (AVC), sendo vítima de um outro recentemente, que acabou por pôr fim à sua vida.
Dono de um vasto repertório de conquistas, tanto a nível do andebol nacional, como além fronteiras, Jojó deixa, assim, um grande vazio à modalidade. Por isso, nesta hora de dor e de profunda consternação, praticantes, ex-praticantes, dirigentes e toda família do andebol e do desporto, de uma forma geral, vergam-se à sua memória. Hasta siempre Jerónimo Neto “Jojó”!...
Sérgio V.Dias

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