Jornal dos Desportos

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Opinio

O almejado retorno Taa das Naes!

23 de Março, 2019
A presença de Angola na 32ª edição da Taça de África das Nações em futebol já é um facto. A Selecção Nacional de honras logrou esse desiderato graças a vitória obtida em Francistown, Botswana, país para que me desloquei curiosamente na última quarta-feira, com fito de cobrir mais este duelo da equipa angolana na rota para o Egipto-2019, para já um palco que os nossos gloriosos Palancas Negras bem conhecem.
E como disse - e bem o Morais Canâmua -, meu habitual companheiro desta coluna de opinião “A duas mãos”, Angola quebra, assim, o “enguiço”, depois de falhar sucessivamente as edições dos Campeonatos Africanos das Nações (CAN) de 2015 e de 2017, organizadas pela Guiné-Equatorial e Gabão, respectivamente. Para já, Angola confirma o tão almejado retorno à grande montra do futebol continental.
Depois da estreia num CAN em 1996, prova organizada pela África do Sul, Angola voltou a dar o ar sua graça numa grande cimeira do desporto-rei curiosamente dois anos depois, ou seja no certame que o Burkina Faso acolheu em 1998.
Após essas duas qualificações históricas da Selecção Nacional de honras na maior cimeira do futebol continental, o país passou por um período de “jejum”, já que não conseguiu, com efeito, marcar presença nas edições de 2000, 2002 e de 2004. O primeiro destes teve uma organização conjunta do Ghana e da Nigéria, ao passo que os dois subsequentes foram sedeados no Mali e na Tunísia, designadamente.
Porém, após esta “travessia do deserto” por que passou o futebol angolano, com as ausências nas três edições do CAN já referenciadas, houve um engajamento muito forte da instância que superintende o desporto-rei no país e logo, num ápice, assinalamos cinco presenças consecutivas na prova. O período de “bonança” na Taça da Nações inicia precisamente em 2006, quando os Palancas Negras se qualificaram para edição organizada pelo Egipto. A festa da qualificação, porém, foi a dobrar, porque neste mesmo ano Angola esteve também no Mundial de Futebol, que a Alemanha albergou.
A seguir a qualificação ao CAN do Egipto, seguiram-se as das edições 2008 (no Ghana), 2010 (na prova que o país organizou), 2012 (co-organizada pelo Gabão e Guiné Equatorial) e finalmente em 2013 (cujo palco foi novamente a África do Sul).
Agora com mais esta qualificação ao Egipto-2019, espera-se, efectivamente que o futebol angolano reencontre, todavia, o caminho do êxito. Os nossos bravos Palancas Negras, hoje sob comando do sérvio Srdjan Vasiljevic já provaram que são capazes e que em África podem ombrear com algumas das selecções do topo do continente.
Nesse particular, é mister dizer que quer a Mauritânia, a priori rotulada como “out-sider”, quer Angola, acabaram por superar na concorrência o Burkina Faso, apontado a partida como conjunto mais forte do Grupo I desta corrida ao CAN-2019. E como se não bastasse isso, o Burkina Faso exibiu-se, nesta caminhada, nas vestes de vice-campeão africano e, daí, as atenções do grupo estavam centradas sobre o conjunto.
Por outro lado, o Botswana, que se quedou na última posição do grupo com um mísero ponto, acabou por ser o “bombo da festa”. Ao cabo dos seis jogos efectuados as Zebras tswanesas nem sequer conseguiram, pelo menos, tirar proveito algum das três ocasiões em que actuaram na condição de anfitriãs. Por isso, mesmo a última posição ocupada neste série acaba por ser um castigo bem merecido.
Na verdade, quer Angola, quer a Mauritânia, bateram-se condignamente e acabaram, todavia, por justificar esta qualificação à elite do futebol africana, perante a forte concorrência do Burkina Faso, que fez tudo o que pôde, mas sem contudo atingir o objectivo. Aliás, a provar esse facto estão as três vitórias que obteve em casa. E mais ainda: se os Cavalos burkinabes terminassem esta campanha em igualdade pontual com os Palancas, lograriam a qualificação por força da vitória de 3-1 no seu reduto, contra a de 2-1 destes, no Estádio Nacional 11 de Novembro. Por isso, foi uma disputa acesa.
Agora a faltarem praticamente três meses para o arranque desta grande cimeira do futebol continental que o Egipto vai albergar de 19 de Junho e 21 de Julho próximos, há-de todo a necessidade de se começar já a idealizar os objectivos de Angola na prova. E a Federação Angolana de Futebol (FAF), que tem à testa Artur de Almeida e Silva, tem pela frente esta árdua tarefa de começar já a esboçar aquilo que vai ser a campanha do conjunto. Diga-se de passagem Angola já pode não ir ao CAN simplesmente para marcar presença, mas sim para competir ao mais alto nível e tentar acima de tudo ombrear com os adversários que cruzarem o seu caminho.
O Egipto, um palco que os nossos Palancas bem conhecem, depois de lá terem estado na edição de 2006 que este país acolheu, pode testemunhar a nova era que se desenha para o futebol angolano. E que assim seja... Sérgio V.Dias


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