Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

O amiguismo na resciso

24 de Agosto, 2019
O assunto de momento no nosso futebol, convenhamos, é sem dúvidas o desenlace entre a Federação Angolana de Futebol (FAF) e o técnico Srdjan Vasiljevic, em face de algumas situações que vinham acontecendo e que originou que se estalasse o verniz.
O órgão reitor do futebol nacional, através de uma nota de imprensa, anunciou o divórcio, aludindo que o fizera “de forma amigável”.
Para ser sincero, me deixa bastante intrigado este termo “amigável”. Será que foi mesmo amigável? Ou apenas nos aspectos contratuais de fundo, no que tange essencialmente às questões de possíveis indemnizações?
Se for por aí, tudo bem. Mas, sejamos justo, de amigável não tem nada porque, pelo que sabemos, a determinada altura a FAF e o seleccionador já estavam de costas viradas. Já não falavam a mesma linguagem, tendo inclusive o técnico se bandeado do lado dos atletas, defendendo estes com unhas e dentes nas suas reclamações legítimas, o que de certo modo lhe terá custado caro. Aliás, foi em defesa dos atletas que Srdjan Vasiljevic terá abandonado uma reunião que tivera com alguns membros da FAF, para definirem convocatórias com vista os jogos diante da formação de eSwatini.
Com alta dose de falta de respeito e consideração, o sérvio, pelo que consta, abandonou pregado à mesa, alguém que representava a entidade que lhe paga e com ele tinha vínculo contratual vigente até Dezembro do corrente. Foi um grave erro de cálculo. Não mediu as consequências.
Mas, posso avaliar que até aquela altura, a corda já tinha esticado demasiadamente. Julga-se que Srdjan Vasiljevic já estava a “engolir alguns sapos” o que o fez, de certeza, entornar o caldo “jogando na antecipação”. Tal como soe dizer-se, zangaram-se as comadres, descobriram-se as verdades. A fúria com que se abordou e se geriu o assunto, não pode ter sido o desenlace “amigável”. Imagino até que tenha sido mesmo intempestivo, fazendo fé (sem especular) a uma informação que circulou em várias plataformas de comunicação, segundo as quais, no Egipto, aquando da disputa do Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2019, o seleccionador e o presidente da FAF, Artur de Almeida e Silva, teriam tido uma acalorada conversa, onde quase não se respeitou a urbanidade nem a “amizade” que os unia. Estiveram próximos à “vias de facto”, mas graças a intervenção atempada, segundo testemunhas oculares no local, do presidente honorário do órgão, Armando Augusto Machado, convidado que fez parte da delegação, evitou-se o pior.
Tudo isso juntando com os resultados obtidos no terreno de jogo, mais as situações que viveram durante o estágio em Portugal e as que se seguiram ao jogo diante do Mali, reportadas por alguns jornalistas no palco da competição, indiciavam já um provável divórcio que, de resto, se veio a consumar.
Mais grave foi que, na esteira de tudo isso, e mesmo com as evidências nuas e cruas, montou-se um cenário em que os jogadores assumiam que estava tudo bem, “sacrificando” nisso alguns jornalistas como sendo “lesa pátria”, chamando-os inclusive de “angolanos apenas por terem o Bilhete de Identidade (…)”.
O que penso, sinceramente, é que a polémica que se criou a volta disso, não passou de uma manobra de diversão, para dispersar a opinião pública do cerne da questão. O que é afinal que provocava a ira dos atletas? Os prémios? As diárias? O quê?
Sem explicações plausíveis e com o mutismo cúmplice, de alguma forma, do técnico, tudo começa a desmoronar aquando do regresso da selecção ao país, depois de ter sido eliminada prematuramente na primeira fase do CAN do Egipto, quando o mesmo capitão e mais alguns atletas apelaram maior organização do órgão federativo e que se saldassem as dívidas, deixando nas entrelinhas que, afinal, haviam problemas por se sanar.
As declarações de Adão Costa, à respeito do técnico principal Srdjan Vasiljevic, às portas das partidas diante do eSwatini pontuáveis para a qualificação ao CHAN, vieram destapar o véu de que, perante todo imbróglio, alguém tinha de ser sacrificado. Infelizmente, o seleccionador acabou por “amigavelmente” ser apeado, apontado como o factor de constrangimento. Hoje, os Palancas Negras estão novamente “sem pastor”.
Aliás, arranjaram um “pastor” à “kilapi” para as encomendas competitivas que estão já ao dobrar da esquina, nomeadamente os dois confrontos com a Gâmbia, pontuáveis para as eliminatórias de acesso a qualificação para o Mundial do Qatar. Pedro Gonçalves vê assim, num ápice, engordar o seu palmarés ao ser, ainda que interinamente, uma espécie de “Pastor-Bombeiro” dos Palancas Negras para esses dois “fogos” competitivos. Morais Canãmua

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