Jornal dos Desportos

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Opinio

O anncio do fim do ciclo

02 de Julho, 2018
O Mundial de Futebol de 2018 entrou já na sua fase crucial. A chamada fase do \"mata-mata\", em que quem perde diz adeus a competição e arruma as suas \"bicuatas\" para o regresso a casa. São, enfim, contingências de uma prova da envergadura do Mundial.
E nessa de dizer adeus à prova e confirmar o regresso mais cedo ao \"ninho\", viu-se Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, que desfilaram nesta grande montra de futebol que a pátria liderada por Vladimir Putim alberga, com rótulo de serem os dois jogadores mais emblemáticas da actualidade, a deixarem a Rússia também prematuramente.
Muitos prosélitos do desporto-rei ansiavam por um frente-a-frente entre estas duas estelas mais cintilantes do futebol dos últimos anos. Quer o craque argentino, quer o português, carregam cinco troféus de melhor jogador do mundo. Algo miraculoso!!!
Vai, daí, talvez, o forte desejo que havia de se ver estes fenómenos do desporto-rei num confronto directo. Seria, para já, um verdadeiro tira-teima, já que Messi e Cristiano nunca chegaram a se defrontarnum Campeonato do Mundo de Futebol.
Cruzaram-se sim, mas em outras latitudes do futebol, particularmente a nível do \'velho continente\', onde continuam a representar o Barcelona e Real Madrid, ambos de Espanha. Messi e Cristiano estiveram muito perto de se defrontar neste Mundial. Se Argentina não baqueasse aos pés da aguerrida selecção de França, de Kylian Mbappé, e Portugal aos do Uruguai, de Edinson Cavani, era ponto assento que teríamos na Rússia o tão aguardado confronto entre a turma \"Alve-Celeste\" e a das \"quinas\".
Noves fora isso, o Mundial que a Rússia alberga pode ser coroado como de uma organização de se lhe tirar o chapéu. A imponência dos doze estádios e a forma ordeira como se faz os acessos aos palcos de jogo nas onze cidades/sedes da prova, enfim, um rosário e verdadeiro galanteio que se pode atribuir à Rússia pelo nível de organização do certame. Convenhamos, admitir que é enorme e espectacular o nível deste Mundial.
E chegada a fase do \"mata mata\", muitos dos intervenientes da festa da bola experimentam dissabores, com choros e lágrimas à mistura. É algo inevitável. Chegando a esta etapa há sempre quem confirme a sua continuidade na prova, mas por outro lado, como se disse atrás, há também os que indiscutivelmente tem que dizer adeus mais cedo à competição e perspectivar, daí, o seu futuro.
Numa montra em que desfilaram precisamente 736 jogadores em representação das 32 selecções dos diversos continentes do mundo, a África, considerada berço da humanidade, se fez presente com cinco equipas nacionais.
Egipto, Marrocos, Tunísia, Nigéria e Senegal representaram África, mas ainda sim nomes como os de Sadio Mané, Mohamem Salah, Obi Mikel e outros que se notabilizam em diferentes campeonatos do mundo em representação do continente acbaram por passar despercebidos. Aliás, a justificar isso está o facto de nenhum dos conjuntos africanos lograr o passe para os oitavos, algo que já não ocorria desde 1982.
Embora não tenha chegado ao fim, o Mundial da Rússia anuncia também o fim da linha de muitas das figuras que desfilaram no certame.
A nível da Argentina, fala-se mesmo da hipotética renovação da selecção, saltando à vista a possibilidade de saída do treinador Jorge Sampaoli do comando da equipa.
Em companhia dele deverão sair também alguns jogadores, não obstante a renitência de outros tantos em relação à possibilidade de abandono dos \"Alvis-Celestes\".
O veterano Mascherano, que chegou as 147 internacionalizações, foi primeiro a jogar a toalha ao tapete, realçando que agora passa a torcedor das equipa das \"Pampas\".
No Egipto, além do também argentino que esteve a frente dos destinos técnicos do conjunto, Hector Cúper, a estrela da selecção também aventa o seu abandono. Mohamed Salah queixou-se alegadamente pelo facto de ter sido usado como símbolo político do país durante o tempo que esteve em competição neste Mundial da Rússia. O anúncio do fim do ciclo pode não ficar por aqui. Com certeza muito mais abandonos vão ocorrer...
Sérgio V.Dias


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